01/05/2021
Ano 24- Número 1.220



 

ARQUIVO
PEDRO FRANCO

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Ainda acontecidos na quarentena, que não acaba


Atendido por moça gerente de conta, que lhe pareceu com rosto bonito. Estava sentada. Na hora do cafezinho e da água gelada, usados para impactar a aplicação, a moça pede licença e abaixa a máscara. E se conteve para não dizer, coloca-a de novo e rápido. O nariz deslustrava o resto. Queremos vacinas, queremos vacinas.

Com a quarentena o trajeto Grajaú-Tijuca/Tijuca-Grajaú, para ganhar o pão meu de cada dia, foi modificado. Antes do tempo alcogel e máscara o rádio do carro tocava a CBN, a rádio que toca a notícia e bem. Só que continua cumprindo suas funções noticiosas e logicamente as notícias focalizadas falam nas tristezas da Covid 19, ou nas estripulias em Brasília, que não animam corações matinais. E passei nas idas e voltas do consultório ouvindo músicas em CDs. Hoje, sexta 19 de março, fui e vim de Santana e com destaque para “Oye como vá”. Ainda que Santana não seja cubano, o ritmo dançante me levou ao livro, que enfrento no momento. Uso enfrento porque comprei em sebo “Adios Hemingway” de Leonardo Padura e no anúncio do Sebo dizia em português. Chegou e era em espanhol/padura. E estou indo mais devagar na leitura, que foram só três meses de espanhol no científico. Volto à música, posto que Padura conta que Papá Hemingway detestava a música, que os cubanos ouviam. Estou no meio do livro e de saída o autor contou que teve dias amenos com o escritor americano e também de decepções, chega a falar em amor e ódio. E passa ao fictício personagem Mário Conte, que conta o livro, estes seus enganos e desenganos com Papá. Portanto ainda não sei que motivos levaram autor e imaginado biografado a desacordos. Sei sim, pelo que entendi, que Ava Gardner tomou banho na piscina da chácara e nem descrevo maiô, que não havia. Papá Hemingway deu ordem, concordo, que nunca mais trocassem a água da piscina! Nas histórias de Padura/Mário Conde três figuras históricas podem ser percebidas, entre outras, por trás da Cuba daquela época. E vou a vespeiro, se não me explicar bem, se é que se consegue, quando se fala no terceiro personagem a ser focalizado. Do primeiro, Fulgêncio Batistas, julgo não terá defensores. Em segundo vem o carismático Fidel Castro, o Maestro e aí já começarei a ganhar apupos. Foi vitorioso sem dúvida, ficou em Cuba, criou “el paredon”, mas sem perder a ternura. Bela piada! Criou ditadura e com direito a dinastia e gozando o Malecon com um caro charuto cubano sempre nas mãos e soube fazer lavagens cerebrais nos da terra. Sei, há visões históricas diferentes sobre a figura, de fato imponente. E chego ao terceiro personagem, o argentino Ernesto Guevara, o Che, que ficou em Cuba, vitorioso, fez muito e às vezes mal e será aí que me estrepo, julgo que era idealista. Largou todo o poder em Cuba e foi procurar tronos a destronar e morreu mal. Vejam, não estou defendendo suas idéias políticas, nem suas ações, estou dizendo que era idealista. E como são raros estes tipos hodiernamente e até em nosso País. Que saudades de um idealista! Os que criticarão as linhas acima terão um motivo de atacarem o texto. Tocou em assuntos muito complexos e o fez pela rama. Minha defesa, apenas faço crônica e não disse que Che era herói. Disse que era idealista. Voltemos às reclamações que Papá Hemingway fazia sobre a música, que cantavam os de Havana. Estou com os de Havana nas escolhas musicais e muito lamento não ter dançado salsa com mulata caribenha. Saibam os do politicamente incorreto, que escrevi mulata e com intuito absolutamente elogioso. E como o Brasil é rico de mulheres gloriosas e com destaque especial às suas lindas mulatas. Viva o Brasil! 
   


Comentários sobre os textos podem ser enviados ao autor, no email pdaf35@gmail.com 



Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Consultor da Clínica Médica C da Escola de Medicina e Cirurgia da UNI-RIO.
Remido da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Professor Emérito da UNI-RIO. Emérito da ABRAMES e da SOBRAMES-RJ.
contista, cronista, autor teatral
Conheça um pouco mais de Pedro Franco.



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