15/11/2017
Ano 201- Número 1.053


 

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PEDRO FRANCO

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Ainda o velho e violento esporte bretão

Pedro Franco - CooJornal

 

Que teria sido inventado na China. Isto é história. E muitos bons escritores se preocuparam com o futebol e alguns dele o viveram e com méritos. Comecemos por quem escreveu futebol, só que não viveu dele, José Lins do Rego, idem Nelson Rodrigues. E sem pretender esgotar assunto, cito os que fizeram crônica futebol de alto nível, Mário Filho, Armando Nogueira, João Saldanha, Tostão e ultimamente Paulo Cezar Caju ensaia. Deixei muitos de fora, sei. E nos microfones esportivos temos também gente nova e de valor, valendo exemplificar com Álvaro Oliveira Filho e Carlos Eduardo Éboli e com menção especial ao Professor Evaldo José e seu implicante que lindo. Meu time toma um gol e o locutor grita que lindo. TÁ bem, todo o gol é lindo! Das antigas dá para citar o Apolinho e seus dois excelentes bordões, que já foram incorporados ao idioma, pinto no lixo e geraldinos (o progresso os matou) e arquibaldos. E o futebol toma o mundo e carreia milhões e milhões de dólares, jogadores promessas valem milhões e há empresários que matam até carreiras de meninos despreparados e são permanentes e interessados apenas em lucros desconselheiros atuantes. Esqueçamos o Uruguai e os 7 a 1. Páginas viradas e com a ajuda de Tite, Neymar, Gabriel Jesus e Cia na vitória olímpica, muito menos comemorada que devia. Da antiga nomenclatura e que os netos gozam, cito, keeper, gol keeper, back, forward, coorner, half, half back, off side e banheira. Volante era um argentino, que jogava como volante e se não inventou a posição, deu nome a ela. E como os há botinudos nas defesas. E vou me fixar em “vilões” sofredores em meio a vitoriosos do futebol. Há salários astronômicos e até no Brasil, em função do pouco que jogam. Voltam alguns das europas, em fim de carreira, ainda conseguem bons contratos e tome chinelinho. Passemos aos ditos vilões do espetáculo. O goleiro, onde atua, difícil crescer grama. Vem fazendo defesas incríveis e eis que vem bola com efeito, ou bate em montinho artilheiro, ou em outro jogador e a bola entra, oh! Frango, o time perde e gritam frangueiro, vendido, incompetente e a doce senhora que vê TV, para ver o filho fechar o gol, entra na história. Que dizer da mãe do juiz? Mesmo com o auxílio de assistentes, câmeras, há que interpretar lances em segundos, repito, segundos, intenções, mão na bola, ou bola na mão, falta, fingimento de falta e alguns jogadores são artistas, enfim um aperreio constante e nem sei por que se quer ser juiz de futebol. Os outros ainda podem encher a burra, juiz de futebol não. E os bancários? Fui bancário nos dois sentidos. Funcionário concursado da Caixa Econômica Federal e bancário porque comecei no banco, isto é, reserva, no basquetebol juvenil da Associação Atlética do Grajaú. Treinar a semana inteira, vestir o uniforme e não jogar, jogos e jogos. Depois pelo Grajaú Tênis Clube cheguei à seleção juvenil de basquetebol do Rio de Janeiro e ficava com pena dos bancários, que além de tudo são gozados pelos que jogam. Isto é ruim com amadores. Imagine-se profissional, querendo e precisando mostrar jogo e ficar no banco, sempre se julgando injustiçado pelo técnico, que dá preferência a outro jogador. Sua carreira, seus dinheiros, os contratos, talvez para a Europa, dependem de jogar e mostrar-se. Pobre técnico (alguns escalam mal e pior substituem – ontem assisti na TV um Fla Flu e Abelão perdeu o jogo, (foi 3 a 3, mas o empate deu seguimento ao Fla na Copa), com substituições indefensáveis e ganhávamos de 3 a 1 ), só pode escalar onze e, às vezes, substituir um jogador, que também se julga injustiçado e a mudança se dá sob estrondosa vaia. _ Burrooo, burrooo. Pobres técnicos, chamados até de gozação de professores. Com clima e rancores sempre lida e tome entrevistas com perguntinhas tipo casca de banana. Oto Glória, técnico brasileiro com mais sucessos em Portugal, dizia que, se o time ganhar, o treinador será considerado bestial, perdendo uma besta. E se ouve muito, treinou mal, escalou mal, substitui mal, perdeu, é um idiota. Imagine-se trabalhar com vinte oito jogadores, só poder escalar onze e apaziguar dezessete e mais a Diretoria, que culpa técnico e o troca, para acalmar torcedores, alguns torcedores profissionais e a imprensa, que muito imprensa treinadores, precisa de furos. Tite agora vem se saindo muito bem. Oremos! Uma divagação, o vitorioso e mais calmo técnico da seleção feminina de vôlei, José Roberto Guimarães, como deve sofrer com algumas belas moçoilas, que querem aparecer e são bancárias! Enfim quem sofre mais, juiz, bancário, goleiro, treinador, ou as respectivas progenitoras? Cartas à redação

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(15 de novembro 2017)
CooJornal nº 1.053



Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Consultor da Clínica Médica C da Escola de Medicina e Cirurgia da UNI-RIO.
Remido da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Professor Emérito da UNI-RIO. Emérito da ABRAMES e da SOBRAMES-RJ.
contista, cronista, autor teatral
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