16/09/2020
Ano 23- Número 1.189

 

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PEDRO FRANCO

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Campanha se faz assim

Pedro Franco - CooJornal

“Sutor ne ultra crepidam”. Oh meu, não vai pôr carapuça, que não escrevi para alguém, não pensei em oponente e muito menos em herói. O ente final é resultado, que pode até parecer um e é a soma do apanhado no cadinho político de várias gerações brasileiras e com pormenores internacionais. E espertezas não servem só para ganhar grandes eleições, valem também no sindicato, ou na empresa, ou em clube de futebol, sempre onde houver voto e grana. O homem é animal político, já disseram e o mundão não anda em fase boa. Vejam bem que falo abaixo até em Hugo Borgh. Vou ser genérico e abrangente, só que nunca pensando apenas em uma pessoa. Não acuso, ou defendo, alguém. Ninguém dos vivos e também dos mortos tem, ou teve, cabedal para englobar tantas ideias infelizes, malfeitas, corruptas e aproveitadoras. Indo à vaca fria e ao tema principal. É mais fácil eleger-se, se já estiver eleito e com mandato, conseguido em face de uma destas bamburras da sorte e tramando para reeleger-se. Há períodos históricos favoráveis e achá-los é trabalho de gabinete. Então se tiver cargo e com dinheiro a distribuir, meio caminho estará andado para a permanência no cargo. E o programa de governo deve ter equipe especializada, para prepará-lo e composta de especialistas de renome nas áreas, principalmente na da educação e na da saúde, melhor ainda se houver grana a distribuir. Depois se vê o que se pode fazer com o projeto. Só não precisa gastar dinheiro com este grupo especial do projeto de futuro governo. Basta copiar programa de candidato vencedor na eleição anterior, talvez de outro estado, não deixando pista de que foi cópia. Ou buscar sucedâneo extra País e talvez nos “esteites”. Há que caprichar para ter tempo de televisão e alguns conluios clandestinos são necessários, porque há tempos de partidos anões a comprar. E cuidado no que falar nos discursos, os chamados ditos de campanha, podem voltar como “boomerangs”, para azucrinar o eleito. Cuidado quando hostilizar determinada e rica imprensa. Não subestime o poder dela. Cuidado. Pensem bem nas palavras pré eleitoreiras, pois na prática apenas uns 29% do prometido, em qualquer palanque, pode acontecer. Então em campanha que se cuide das falas, que de preferência nada devem dizer, ainda que a patuleia pense que se disse. Reafirmo, muito cuidado no falar. Nada de culto escrever seus discursos. Ele pode dar ideias gerais, mas seja povão, fale no idioma deles, que votam e sem dúvida têm maioria. Nunca pense que é candidato na Suécia. E sempre prometa e julgando culpas anteriores no capitalismo, nos mais ricos, pelo que não acontece. Confie na ignorância geral. Se tiver algum vício, não o encubra totalmente, exemplo, exagerar numas cachacinhas até que pode, desde que não atinja extravagâncias e especialmente sexuais. Se correr que você tem aventuras extra conjugais, negue, ainda que de modo não enfático e pode até dar risinho durante a negativa. Enfim você não é devasso, só que não é bocó. Cuidado com fotografias e repórteres, mais ainda se a moça repórter for bonita e cruzar perna durante a entrevista. Seja gentil e muito cuidadoso. E não se esqueça de meter a ronca no principal adversário. Estude bem o que o povão não perdoa e dê jeito de por fatos verídicos, ou não, que vão de encontro ao que o povão não perdoa. Apenas para exemplo, maltratar animais, ou bulir com servidoras, não ligar para a mãe, ou para filha de nascimento obscuro. Dê ênfase ao estou só avisando dos defeitos do opositor. Se o gajo concorrente tiver algo no passado de racismo, olha prato cheio. Se não encontrar algo, que posso denegri-lo, há que garimpar, ou com esmero inventar. Pena que Hugo Borgh já morreu e Getúlio muito deve a ele. Conhecer a verdadeira vida do Baixinho, pode lhe servir muito. E não aceite nunca ser cristianizado. Cristiano Machado foi cristianizado e deixou nome na política. E não se apegue muito a ideologias, que servem aos cultos, que sempre serão seus adversários, já que são inimigos do povão. Lembra-se daquela ideóloga que berrou, tenho ódio da burguesa? Não siga esta trilha, que dá no brejo. O povo não gosta de ataques incontidos e histéricos. Tem que falar na maciota. E ver bem onde está o fogo amigo. O cara parece “parça” pela frente. Nos bastidores mexe os pauzinhos para concorrer na próxima eleição e contra você. E sabe de coisas! É melhor o ódio sincero que o amor fingido, acho que o Cartola já mandava esta, me contou um assessor pós graduado e parece bom de por em discurso. Cuide de projeto pelo qual o inimigo recebeu palmas, aceite que ele fez mais ou menos e apregoe vou fazer muito melhor, meus patrícios vão ver. Vale dizer que sempre há um cara que está no governo, ou quer estar, navegando nas mesmas minhas águas e preciso afundar sua canoa. E cuidado com a tramitação dos dinheiros. Vide a história dos governadores no Rio de Janeiro. Esta deve ser a maior preocupação ao governar, ou se candidatar. Você não pode sair pobre do governo, só não deixe que saibam que está em maré calma, de burra cheia, ou quem está rico de repente é parente próximo, que era pobre e, ajudado legalmente, prosperou. Reúna a família e grite. Maneirem, se não estamos todos ferrados. Palavrão só se for muito preciso. Tenha cuidado com as do sexo oposto. Dar uma no cravo e outra na ferradura e se mulheres muito conhecidas caírem na rede, cuidado, principalmente com fotografias, já falei. Que mais? O pulo do gato não ensino e nem o procure no tal do Príncipe, ou no livro de um asiático, que fala em táticas de guerra. Não estou em guerra, nem em guerrilha urbana. Sou democrático, republicano, a favor do povo e os citados livros, que não li, trazem generalidades, ainda que muito bem boladas, só que é coisa de gabinete e precisamos estar ligado é na voz da patuleia. Vá lá, um último conselho, arranjar um programa de cunho popular, para dar dinheiro à plebe. Se já houver o plano, pois candidato anterior já roubou a ideia de candidato ainda mais anterior, mude o nome do programa e deixe vislumbres de que está agora melhor, dá mais grana. E não mexa no tal nível máximo de salários, que a casa cai. É de cerca de trinta e nove mil e tem graúdo recebendo mais de cem. O resto do como se eleger, é substancioso e guardo para mim, que pretendo me perpetuar no poder, que é afrodisíaco. E como é e em todos os sentidos. Entendeu? “Similia similibus curantur”.  



Comentários sobre os textos podem ser enviados ao autor, no email pdaf35@gmail.com 



Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Consultor da Clínica Médica C da Escola de Medicina e Cirurgia da UNI-RIO.
Remido da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Professor Emérito da UNI-RIO. Emérito da ABRAMES e da SOBRAMES-RJ.
contista, cronista, autor teatral
Conheça um pouco mais de Pedro Franco.



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