30/06/2007
Ano 11 - Número 535


 

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DÓLAR BAIXO ANIMA COMÉRCIO E TENDE A AUMENTAR EMPREGOS

Cenário econômico deixa comerciantes otimistas; setores de informática e eletroeletrônico acumulam crescimento nas contratações

* DAGO NOGUEIRA

O dólar comercial atingiu no último mês cotação abaixo dos R$ 2, a menor delas em seis anos. A desvalorização da moeda americana ante o real faz com que o comércio interno passe por um momento propício nas vendas, principalmente de produtos importados. Este aquecimento no setor é bastante otimista e cria uma tendência natural de aumento da mão-de-obra, abrindo novos postos de trabalho no varejo.

Alencar Burti, presidente da CACB (Confederação das Associações Comerciais do Brasil e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, afirma que, no período de abril de 2006 a 2007, o emprego no comércio cresceu, só na região metropolitana de São Paulo, 11%. “Isso corresponde a cerca de 141 mil postos de trabalho, de acordo com os dados da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), fruto da expansão nas vendas, que vêm sendo beneficiadas pela queda do dólar e pela redução das taxas de juros, além da dilatação dos prazos do crediário e melhora do emprego e da renda.”

Só na grande São Paulo o total de empregos no comércio atingiu, em abril, 1.428 trabalhadores e no Estado está na casa dos 3 milhões.

MAIOR PODER AQUISITIVO

O economista Mariland Righi explica que a expectativa de criação de postos está ligada ao fortalecimento do poder de compra da população, que aproveita para adquirir produtos, principalmente importados, que tiveram redução nos preços com o dólar menor.

Ele destaca eletroeletrônicos, equipamentos de informática, produtos alimentícios, vestuário, joalheria, combustíveis e passagens aéreas internacionais. “Com o dólar desvalorizado e a inflação baixa, existe corrida para aproveitar os preços. É isso que gera a demanda, aquece as vendas no comércio e cria a tendência de contratações.”

INFORMÁTICA E ELETROELETRÔNICOS LIDERAM DEMANDA

A queda do dólar afeta a inflação brasileira ao tornar mais baratas as peças importadas, usadas na produção de eletrônicos e informática, e facilitar a importação de produtos como roupas, alimentos e bebidas.

O aquecimento no comércio varejista nacional é confirmado pelo Indicador Serasa de Atividade do Comércio, que aponta um volume de vendas 10,1% maior em maio deste ano, comparado com o mesmo período em 2006.

O maior incremento foi registrado nas lojas de varejo especializado, como eletroeletrônicos, computadores e itens de informática, veículos e materiais de construção, na ordem de 12,5% no faturamento sobre o mesmo mês de 2006.

Na seqüência vêm as vendas dos hipermercados, supermercados e do varejo de alimentos e bebidas, que também registraram bom desempenho, subindo 8,8% quando comparadas com maio do ano anterior.

REPERCUSSÃO

Na opinião de Alencar Burti, a melhora do comércio tem sido generalizada, mas destaca que alguns setores, como supermercados, têm crescido mais porque são os primeiros beneficiados sempre que ocorre crescimento da renda. "Além destes, outros segmentos, como o de computadores, câmeras digitais, MP3, são favorecidos pelo câmbio e também pelo avanço da tecnologia, fazendo com que seus preços caiam e a demanda cresça", afirma.

Ricardo de Almeida Diniz, presidente da ACE (Associação Comercial Empresarial de Jundiaí) confirma que o comércio no Interior está passando por momento positivo por uma série de fatores, entre eles a queda da moeda americana.
"Com a cotação do dólar abaixo de R$ 2, as indústrias têm de focar também o mercado interno e isso faz acirrar a competição. Apesar do aumento na contratação de mão-de-obra no setor ainda ser sensível, existe a tendência de criação de postos de trabalho porque o comércio no Interior está aquecido de uma forma geral e a queda do dólar é um dos fatores", diz Diniz, que também faz parte do Departamento de Comércio Exterior do município.

Fábio Testa, gerente de uma loja que revende equipamentos de informática no Interior, confirma esta tendência e garante que, com a queda do valor do dólar, suas vendas aumentaram cerca de 20% no último mês. A loja tem oito funcionários e ainda não fez novas contratações, mas Testa prevê que isso já deve acontecer nos próximos meses se as vendas permanecerem em alta.


* Dago Nogueira é jornalista da agência BOM DIA