27/10/2007
Ano 11 - Número 552



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REPÓRTER

Os reis da Choppermania
Redação


Eles estiveram recentemente no Brasil para participar do "Brasília Music Festival", evento que reúne shows e exposição de motocicletas. A pedido da organização do festival, eles criaram uma motocicleta inspirada na arquitetura do Distrito Federal. Os responsáveis pelo 'American Chopper', programa sobre motos no canal People & Arts, se encontraram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e doaram ao programa Fome Zero uma jaqueta de couro e um capacete, depois de participarem do desfile de 7 de Setembro, montados nas motos que criaram em homenagem a Brasília.

Para milhões de fãs de Chopper espalhados nos 160 países onde o "American Chopper" é transmitido, o programa é considerado muito interessante porque as pessoas gostam de ver as motos e também a dinâmica da família, que é a mesma em qualquer cultura.

O programa que tem como cenário os bastidores da construção de motos exclusivas, é protagonizado Paul Teutul Senior, 58, e Paul Junior, 32. A série se concentra na relação entre os dois --eles mostram que, apesar de uma profissão pouco convencional, têm um relacionamento de "amor e ódio" como qualquer família. Também participam do reality show Mikey (irmão de Junior), 28, Rick Petko, Vinnie DiMartino, Cody Connelly e outros construtores e mecânicos norte-americanos.

Mas como eles se tornaram os reis da "Choppermania"?

American Chopper é uma série cultuada desde 29 de setembro de 2002, dia em que entrou no ar o programa piloto. Ele mostrou a construção de uma impressionante Jet Bike, transformando os membros da família Teutul e seus companheiros de oficina em estrelas de TV. O produtor que descobriu a família buscava uma série que atendesse aos admiradores de documentários sobre o mundo das motos, e rapidamente encontrou uma forma de potencializar sua última descoberta.

Craig Piligian, que fez sucesso com o programa “Survivor”, percebeu que American Chopper era um “dramality”, uma mistura de drama e reality show, porque revelava o grau de tensão, animosidade, talento e perseverança que fazem parte do cotidiano da equipe familiar. Uma equipe que brilha cada vez que é chamada para desenhos elaborados de modelos personalizados, que fazem de suas motos verdadeiras obras de arte.

O série mostra a dinâmica relação entre todos os integrantes da oficina situada em Orange County. A cidade, contrariando o que todos pensam, não fica na Califórnia, mas a cerca de 130 km ao norte de Nova York, na costa Leste dos Estados Unidos. A série enfoca a permanente sensação de desentendimento que dita a relação entre o fundador da companhia, o grande Paul Teutul Sr. – caracterizado por seu bigode branco e comprido, tatuagens e músculos – e Paul Teutul Jr., que além de ser o talentoso chefe dos projetistas da oficina, é seu filho. Michael, o irmão mais novo e o telefonista despreocupado da oficina, completa o quadro da equipe.

As atitudes contrastantes de pai e filho sempre dão lugar a momentos de tensão e conversas engraçadas sobre que atitude tomar para terminar um trabalho sem demora, dentro do tempo esperado, mas mantendo o nível de qualidade que somente eles sabem dar às suas espetaculares “Choppers”. Os telespectadores presenciam os trabalhos na oficina e a criação de dezenas de modelos sob encomenda em detalhes.

Seus desenhos temáticos são uma marca registrada, com criações que homenageiam diferentes símbolos dos Estados Unidos. Entre eles, destaca-se a Fire Bike, construída para homenagear os bombeiros que perderam suas vidas salvando vítimas no atentado de 11 de setembro de 2001. Eles também criaram modelos incríveis, como Spiderman Bike, Black Widow Bike, Liberty Bike, Christmas Bike e Comanche Bike.

As câmeras não ficam paradas na oficina, já que acompanham os personagens tanto em sessões fotográficas de revistas como em apresentações a clientes, shows de motos reformadas ou encontros familiares.

Como surgiu a CHOPPERMANIA
Apesar do lançamento de um veículo com duas rodas e um motor ter ocorrido na França em 1868, a lenda do “cavalo de ferro” começou a tomar corpo nos Estados Unidos. A moto representava três valores bem norte-americanos: autonomia, velocidade e aventuras.

- As raízes da moto Chopper remontam a 1930, quando existia uma moto chamada “The Bobber”. O nome vem da prática do “bobbing”, que em inglês também é chamado de “chopping off”. Essa expressão era uma referência a algo que era quase uma obsessão: cortar partes de uma moto, diminuindo seu peso para ganhar velocidade.

- Com o tempo, aqueles que tiravam partes de suas motos foram descobrindo que, além de deixar as máquinas mais leves com o “chop-chop-chop”, eles também podiam reinventar os modelos com novos designs. Como os pilotos se identificavam com o couro e gostavam de exibir suas motos envenenadas, é fácil de entender o auge das Choppers nos anos posteriores.

- Quando voltaram da Segunda Guerra Mundial, em meados dos anos 40, os soldados norte-americanos começaram a passear em versões despojadas das motos Indian e Harley Davidson, sem se preocupar com o que que era permitido ou não de acordo com as regras da American Motorcyclist Association. Essas transgressões iniciais criaram uma aura mística em torno da idéia de ser “fora da lei”, e começaram a surgir clubes com nomes marginais para identificar os novos grupos de motociclistas.

- A cultura das motos cresceu nos anos 50, juntamente com o rock que começava a ganhar as ruas. Com a rebelião juvenil e a explosão psicodélica dos anos 60, a importância das motos e das rotas foi redimensionada e elas passaram a representar nada menos do que o caminho da auto-realização.

- Com o tempo, o conceito das motos Chopper foi se atualizando. Os designs começaram a ser estilizados e a se tornar cada vez mais complicados, com quadros grandes, volantes altos e abertos, assentos inclinados de encostos altos e pinturas artísticas.

- Nos anos 80, assim como muitos grandes grupos de rock dos anos 70 que desapareceram uma década depois, as Choppers perderam muito terreno. Essa decadência ocorreu principalmente pela verdadeira invasão de motos japonesas que eram muito mais fáceis de dirigir, mais rápidas e ao mesmo tempo, menos ostensivas que as barulhentas Chopper.

- Mas como a vida dá muitas voltas, no fim dos anos 90 houve um fenômeno curioso. De um lado, muitos pais procuraram as motos com que haviam sonhado em sua juventude, mas que na época não podiam pagar. De outro, muitos jovens nostálgicos de uma época que não viveram decidiram subir nestas motos e viver o sonho da rota percorrida pelos protagonistas do filme “Easy Rider”, com Peter Fonda e Dennis Hopper, de 1969.

O Chopper Club é um clube que tem se dedicado, nos últimos 30 anos, a promover e desfrutar das motos de design estilizado na Inglaterra, Noruega e outros países da Europa. Criado na Inglaterra em 1973, o National Chopper Club cresceu e hoje possui filiais na Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, País de Gales, Escócia e Noruega.

Assim como aconteceu nos Estados unidos, tudo mudou a partir da estréia de Easy Rider em 1969. O filme causou tanto impacto no público europeu que o design das motos da época se concentrrou em um só modelo: Chopper. O sucesso gerou clubes dedicados exclusivamente à criação de motos personalizadas. Criado por Bill Gill, Pete Gaertner e Syd Wellings em 1973, o National Chopper Club foi formado com estes objetivos: gerar maior interação entre os fãs de Chopper, outros motociclistas e o público em geral; melhorar as condições de segurança na criação de Choppers; e reunir os fãs de Chopper ".