24/11/2007
Ano 11 - Número 556



ARQUIVO

REPÓRTER

Ministério da Cultura informa que projeto
"Bosta lavada" tem cunho científico

 

 

Suely Pinheiro

 

Na véspera do feriado da Proclamação da República o Ministério da Cultura publicou em seu site, laconicamente, que o projeto acima citado, com inscrição de número 076127, enviado à Brasília em março deste ano, não poderá receber patrocínio através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313/91), ou Lei Rouanet, como também é conhecida, por ter o mesmo (segundo o MINC) "cunho científico".


De nossa parte, proponentes do projeto, respeitosamente vimos a público protestar contra esse lamentável equívoco da equipe de parecerista (servidor incumbido de emitir parecer em processos) e expedientes administrativos que subsidiou a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura - CNIC. O projeto é e sempre teve uma finalidade cultural, por ser uma obra de ficção literária, artística, portanto. O autor (escritor e dramaturgo) J.Alves usou, como conteúdo de sua obra, pesquisas avançadas realizadas por Universidades brasileiras e que lamentavelmente continuam fora do alcance, não só da maioria da população, mas e principalmente longe do debate nacional. Um artista não pode negar a realidade, mas pode mudá-la. É o que o autor em questão tentou fazer, criando uma literatura visionária e, por conseqüência, uma obra de ficção.


Com esse terrível engano, por parte do MINC, fica mais uma vez exposto o descaso como são tratadas as obras artísticas brasileiras, pelo poder público. O autor escolheu um tema tabu (o tratamento do esgoto no Brasil), fixando-o como pano de fundo de uma novela brasileira - a saga de dois personagens que resolvem levar avante um projeto quixotesco. Nessa epopéia, os personagens tentam salvar o semi-árido brasileiro de uma desertificação em curso. Essa proposição, consubstanciada na novela sob título  "
VALE DA M" (**), ocorre dentro dos limites da ficção, porém os funcionários do MINC que cuidaram do andamento do processo, afetados por greve desse ministério, acabaram sendo mais realistas do que os personagens criados pelo autor.

                 
Diante do atraso inexplicável para a avaliação do mesmo (o projeto deveria ser julgado na reunião de número 144, o que aconteceu somente na reunião de 146, quando recebeu esse veredicto) só nos resta encaminhar recurso para que o MINC reconsidere sua decisão e, ao mesmo tempo, vir a público para levar ao conhecimento da imprensa o ocorrido.

 

 

AGRAVANTE: A partir de nossa manifestação pela imprensa, curiosamente o site do MINC mudou o texto anterior, passando a afirmar que  "o projeto foi arquivado por nada ter captado". Ora, mas para se captar era preciso antes que o projeto tivesse sido aprovado, publicado no Diário Oficial da União, decorrido prazo mínimo de alguns meses, etc. etc. Diante disso, nos parece claro então se tratar de um despiste do grande equívoco cometido pela administração do MINC.
A conferir!!!

 

 

(*) Para mais informações, entrar em contato através do e-mail spinheiro.jornalista@uol.com.br
(**) Link sobre o livro e seu conteúdo.