08/12/2007
Ano 11 - Número 558



ARQUIVO

REPÓRTER

Amianto, um atentado contra a saúde pública

 

 Antônio Carlos dos Reis Salim




O uso do amianto tem sido objeto de grande polêmica no Brasil, suscitando até mesmo ações de caráter judicial. Trata-se de algo, contudo, que não deveria suscitar discussão, pois o uso desse mineral deveria ser definitivamente proibido em todo o País, pois é comprovado o grande malefício que provoca à saúde de trabalhadores e consumidores, além dos inegáveis danos ambientais. É intolerável que uma nação como o Brasil, em busca de um novo patamar de desenvolvimento, mantenha o uso do amianto em determinadas aplicações ambientais. É um desrespeito à sociedade e um total descaso com as práticas política e ambientalmente corretas.

Assim, é fundamental uma efetiva extinção do uso desse produto. Cancerígenos, o amianto e, principalmente, a sua poeira significam alto risco para os consumidores e os trabalhadores que manipulam esse mineral, também conhecido como asbesto, e os produtos com ele fabricados, como telhas e caixas d'água. Ao todo, são cerca de três mil utilizações industriais.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), instituição de reconhecida e inquestionável credibilidade, não existem limites seguros de exposição ao amianto. Ou seja, é um risco muito elevado. A gravidade desse alerta já seria suficiente para embasar, com toda a legitimidade, quaisquer medidas contrárias à utilização do mineral. Há bons exemplos no Exterior, considerando que ele já foi descartado, felizmente, em numerosas regiões do Planeta. União Européia, Japão, Austrália, Chile, Argentina e Uruguai são países que, de modo lúcido e responsável, já proibiram o uso do amianto. Nada mais coerente, pois a Organização Internacional do Trabalho (OIT), um organismo que também merece o máximo reconhecimento e credibilidade, informa a ocorrência de aproximadamente 100 mil mortes por ano, em todo o mundo, provocadas pelo mineral e sua poeira.

No Brasil, ainda não há estatísticas precisas, mas o quadro é preocupante. Explica-se: como os danos à saúde causados pelo amianto demoram de 25 a 50 anos para se manifestar, não se tem conhecimento do número de pessoas contaminadas no País. Porém, estima-se que haja um milhão de trabalhadores expostos ao produto. O ano de 2030 é o período "apocalíptico" do pico de mortalidade de brasileiros contaminados, segundo análise dos especialistas no tema. Infelizmente, o problema não está sendo tratado com a devida atenção, a começar pela ausência de estudos mais aprofundados por parte das autoridades do setor da saúde.

Assim, resta-nos recorrer a dados internacionais para reforçar e disseminar a consciência sobre a questão. Nesse sentido, é pertinente analisar estatística, muito preocupante, elaborada pelo acreditado Mont Sinai Medical Center, dos Estados Unidos, evidenciando os riscos provocados pelo amianto: 70% dos bombeiros e voluntários que atuaram no rescaldo dos escombros do World Trade Center, após os atentados de 11 de setembro de 2001, estão com problemas respiratórios provocados pelo pó do asbesto.

Ou seja, não se trata de alarmismo e tampouco de defender posições ideológicas ou político-partidárias. Com bom senso e total isenção, colocando-se em primeiro lugar os interesses da sociedade, a saúde pública e a qualidade do meio ambiente, é necessário impedir que o amianto, em todas as suas variações, continue ameaçando a vida dos brasileiros. Assim, é necessário que todas as representações da sociedade civil, sindicatos e centrais sindicais, ong's e cada cidadão digam, em uníssono, um imenso "não" ao asbesto, preservando a saúde e a segurança de todo o povo e dos trabalhadores expostos aos graves riscos causados por esse mineral.



Antônio Carlos dos Reis "Salim" é presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da Federaluz.

Sindicato dos Eletricitários de São Paulo
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Telefone: (11) 3346-2770