Prof. PhD Marcos Crivelaro
Batata, trigo, mandioca ou inhame? Segundo a Organização das Nações Unidas
(ONU), a batata será a principal arma contra a pobreza e a fome neste ano. Se
para outros países em desenvolvimento a opção pelo alimento é encarada como a
melhor solução graças às condições favoráveis de plantio e ao seu custo
reduzido, além de ser rica em carboidratos, proteínas e vitamina C, no Brasil a
batata enfrenta a concorrência de outras espécies de tubérculos e raízes que
podem sair ainda mais em conta para o bolso da nossa população.
Batata: A ONU declarou 2008 o Ano Internacional da Batata porque ela é essencial
no combate à fome e à pobreza. Sua produção é ideal em regiões que possuam
escassez de terra e abundância de mão-de-obra, condições que caracterizam boa
parte dos países em desenvolvimento. Além disso, o plantio do tubérculo produz
alimentos mais rapidamente e em condições climáticas mais adversas que qualquer
outro grande cultivo. Em termos de quantidade de produção, a batata é, depois do
milho, do trigo e do arroz, o alimento mais plantado no mundo. Mais da metade da
produção mundial do tubérculo provém de países em desenvolvimento.
Diferentemente de seus colegas do BRIC (grupo formado pelos quatro mais
importantes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), no Brasil a
batata não teve a mesma sorte, pois aqui a proteína animal é barata (produção
anual de 300 mil toneladas) e o consumidor prefere levar para casa um quilo de
frango a um quilo de batata.
Trigo e Mandioca: a mudança da maneira de vender pão francês levou o brasileiro
a perceber o quanto é caro o valor médio de R$ 6,00 o quilo do tradicional
pãozinho e a sua relativa importância nutricional perante outros alimentos. A
farinha de trigo responde por 20% da composição do preço do pão, portanto,
qualquer variação de preço para baixo é bem vinda. Mas, infelizmente, previsões
nada otimistas para 2008 já estão presentes para as principais culturas que
fornecem farinha para a fabricação de pão: o trigo e o milho. Até a debatida
mandioca cuja obrigatoriedade da adição de 5% a 20% de fécula em toda a farinha
de trigo do pão francês, que não foi aprovada, não promete boa safra para o
próximo ano.
Inhame: O inhame (Dioscorea sp.), cujo custo médio do quilo fica em torno de R$
1,80 – contra os cerca de R$ 2,20 do quilo de batata -, desempenha importante
papel socioeconômico no Nordeste do Brasil, especialmente nos Estados da
Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia e Maranhão, considerados os maiores
produtores da região, prestando enorme contribuição ao desenvolvimento rural.
Essa espécie produz tubérculos de alto valor nutritivo e energético,
constituindo um alimento básico para o consumo humano, já sendo utilizado na
alimentação de todas as classes da sociedade brasileira. Testes, de laboratório,
da farinha de inhame no preparo de farinhas mistas panificáveis evidenciaram a
possibilidade de seu uso em substituição ao trigo e à mandioca, com maiores
vantagens. Apesar da potencialidade de benefícios que a cultura do inhame
representa para o negócio agrícola brasileiro, sua produtividade ainda continua
baixa, em torno de 11.141 quilogramas por hectare. A estimativa da área plantada
da Região Nordeste é de 11 mil hectares e a produção de 120 mil toneladas. A
análise de tendências dos últimos 15 anos revela que a área plantada vem sendo
reduzida anualmente, em proporção elevada de 20%.
A utilização da farinha de inhame, que desde 2001 é submetida a testes com
resultados satisfatórios, no desenvolvimento de um pão tipo francês traz as
seguintes vantagens:
- sem glúten: diferentemente do trigo, do centeio, da cevada e da aveia, o amido
do inhame não possui glúten (ideal para doentes alérgicos celíacos);
- vitaminas: apoiado na idéia patrocinada pelo Sindicato das Indústrias de
Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan) que lançou o projeto Pão
Saúde, aditivado com ferro e vitaminas do complexo B, o pão de inhame terá
incorporado (devido às qualidades naturais do inhame), proteínas, fósforo,
potássio e vitaminas do complexo B;
- agricultura familiar: as fecularias nacionais extraem 500 mil toneladas/ano do
branco e fino amido de mandioca. Isto poderia ser triplicado com o incremento da
cultura do inhame gerando 300 mil empregos no campo, principalmente de mulheres,
como ocorre na África;
- alimento popular: o inhame é um alimento tão consumido no nordeste brasileiro,
que chega a ser usado como substituto do pão.
Marcos Crivelaro é professor PhD da FIAP -
Faculdade de Informática e
Administração Paulista e da Faculdade Módulo,
especialista em matemática
financeira e consultor em finanças.