12/09/2008
Ano 12 - Número 598



ARQUIVO

REPÓRTER

Piscinões podem ser criadouros de pragas urba-nas aponta pesquisa na FSP USP



Avaliar os aspectos ecológicos da fauna de culicídeos nos Reservatórios de Contenção de Cheias Caguaçu e Inhumas, verificando a diversidade, dominância, similaridade e riqueza de espécies. Correlacionar incidência de chuvas e variações de temperaturas com a abundância numérica de mosquitos, foi o objetivo da Dissertação de Mestrado: "Estudo da fauna de mosquitos (Diptera: Culicidae) em Reservatórios de Contenção de Cheias em área metropolitana da cidade de São Paulo, SP", defendida pela bióloga Edna de Cássia Silvério, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, no último dia 04/09/2008 e considerada pesquisa inédita no Brasil.

A cidade de São Paulo vem adotando medidas no enfrentamento das inundações, com a implantação dos Reservatórios de Contenção de Cheias “Piscinões”, que no período de estiagem e após as precipitações, propiciam a formação de criadouros de culicídeos, especialmente nas partes mais baixas dos piscinões.

A pesquisadora realizou coletas mensais de culicídeos, no período de março de 2006 a fevereiro de 2007, empregando-se os métodos de conchas e aspirador à bateria. Em laboratório, após o desenvolvimento das larvas, os adultos foram identificados até a categoria de espécie.

Foram coletados 8.917 espécimes de culicídeos, dos quais 7.750 larvas e pupas e 1.167 adultos. Os espécimes identificados foram distribuídos em 4 gêneros e 13 espécies. Observou-se a dominância de Culex (Culex) quinquefasciatus, que representou 98% dos espécimes coletados no Inhumas e 92% no Caguaçu. A maior freqüência de mosquitos foi registrada no Piscinão Inhumas (6.378 larvas e 930 adultos) e maior riqueza de espécies no Caguaçu (11 espécies). Verificou-se correlação positiva entre a temperatura a e abundância numérica de imaturos nas duas áreas, correlação positiva no Piscinão Caguaçu e correlação negativa no Inhumas entre a precipitação e a abundância numérica de imaturos e. As análises estatísticas demonstraram que os fatores abióticos analisados exercem pouca influência na população de adultos.

A pesquisadora constatou que, a espécie Culex quinquefasciatus mostrou-se dominante e mais freqüente nos dois ambientes. Medidas de controle da espécie nos piscinões estudados se fazem necessárias tendo em vista seu potencial epidemiológico na transmissão de agentes patogênicos e fatores de incômodo da população.

O Culex quinquefasciatus, espécie de mosquito mais encontrada pela pesquisadora nos piscinões analisados, é conhecida popularmente como "pernilongo" que no caso da cidade de São Paulo, não é responsável por doenças, mas incomoda os moradores da cidade pela coceira provocada por suas picadas e pelo barulho que faz ao voar, perturbando o sono de muita gente. A manutenção periódica dos piscinões, (que são boas soluções urbanísticas para conter enchentes na cidade), com medidas de controle dessa espécie, reduziria a população desses mosquitos, assim como de outras pragas urbanas (que não foram objeto específico deste estudo), melhorando a qualidade de vida da população, assim como prevenindo riscos de doenças e epidemias.

A pesquisa foi orientada pelo Dr. Paulo Roberto Urbinatti, biólogo do Departamento de Epidemiologia da FSP/USP.

Mais informações com a bióloga Edna de Cássia Silvérioou com o biólogo Dr. Paulo Roberto Urbinatti pelo e-mail: urbinati@usp.br.