Rosa Pena
coisinha
à toa
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Conheci Ari quando ele virou meu vizinho. Nunca conversamos, mas o fato de
morarmos no mesmo prédio fez dele meu conhecido, mas não amigo.
Um dia, estou vendo o Jornal Nacional e vejo ao vivo e em cores um
assalto ao Banco do Brasil.
O
assaltante, pego em flagrante por uma câmera indiscreta, porta em uma das
mãos um revólver e na outra um saco de dinheiro. Focalizado o rosto do
meliante, reconheço Ari.
Surpresa e perplexa, olho com atenção. A princípio, nem quero acreditar.
Penso no filme “O perigo mora ao lado”.
Sem ter como contestar a fidelidade das imagens, considero que não há mais
o que pensar, nem esclarecer. Cabe à justiça julgar. E como a justiça
virou Cantina há bastante tempo, já sei que sairá uma bela Calabresa.
E
sai sim. Sem gosto, sem sal, e nós teremos que engolir a insossa massa.
Ari volta a morar em seu apê com a mesma cara de sempre, e volta à
tranqüilidade de seus dias. Afinal, foi só um “roubinho”, pequeno roubo.
Coisinha à-toa.
Seria só um detalhe a mais no cotidiano de nossas vidas — já tão
acostumadas às falcatruas, onde a desonestidade banalizou-se —, se meu
vizinho não insistisse em afirmar que o revólver e o dinheiro que estavam
em suas mãos apareceram por acaso, não houve intenção de roubo. Foi uma
infeliz coincidência de hora local, porte et cetera e tal.
Percebo, neste instante, que atualmente me irrita por demais as negativas
das claras evidências, as negativas do óbvio. Sinto que, além de sermos
lesados em nossos tesouros, recebemos um atestado de babaca. Guarda
o teu, que eu guardo o meu.
Sarney vai ser o novo presidente com o Maluf de vice? Quem sabe não vai
ser
Roberto Jefferson com o Dirceu?
(02 de julho/2005)
CooJornal no 427