18/03/2006
Ano 9 - Número 468

 

ARQUIVO
ROSA PENA


 
Rosa Pena

 

Morte em vida Severina

(para a receita federal)
 


Cara (dispendiosa) Receita Federal.

Como muitos dos brasileiros estou com minha declaração de Imposto de Renda nos “finalmentes”, mas ainda procuro algo que possa deduzir a grana que me foi fiscada.

Tentativas de aumentar minha restituição de forma legal.

Dentre os recibos e papéis guardados, encontrei um BO do meado do ano de 2.005, onde relatei a ocorrência de furto na minha residência. Foram levados TV, som, vídeos, jóias, jaquetas e etc. Não levaram meu marido como forma de indenização. Com isto tive só e mais prejuízos, pois instalei um sistema de alarme, comecei a pagar o monitoramento de meu prédio, comprei dois cães de guarda (comem Bonzo adoidado), além de sentir que roubaram definitivamente meu sossego. Hoje não consigo mais sair de casa ou ficar nela sem preocupação. Nem BBB é solução.

Procurei de todas as formas descontar os meus danos na declaração, mas para a minha surpresa, estas formas de redução da minha renda não são possíveis de declarar. Queria apenas ser ressarcida dos bens palpáveis, pois aquilo que feriu meu direito de cidadã não tem mais volta, apenas o tempo e uma terapia amenizam, porém da terapia desisto, pois esta nenhum um plano de saúde aceita como tratamento, que dirá o SUS.

Pânico não é doença, cagaço dos Beiras- Mar, que não há de ser. De forma particular não posso arcar com tratamento, a fonte levou, quer dizer secou, e mesmo que arrumasse um bico como quase toda a população, (je vie de bec!) e tentar pagar, depois não teria como deduzir do IR, visto que minha psicóloga não dá recibo, pois está tentando comprar outro carro, o dela foi roubado em 2003 e achado numa DP sem os pneus. Os policias também je vie de bec numa borracharia bem próxima à delegacia. Ela virou de vez uma profissional liberal sem carteira, aprendeu esse tal je vie de bec, tem até farmácia de manipulação, onde manipula nossos estresses.

Aguardo uma resposta como devo proceder para declarar as fodas monetárias que levei, as não monetárias são indeclaráveis bem sei, pois quando tenho imposto retido dizem que parte dele vai para minha segurança e saúde, e que isto é dever do Poder Público. Quero dividir o meu gasto privado forçado (fodida e mal paga), aliás, não quero pensar que minha cidadania foi pra privada forçada.

Em caso negativo, não ter isenção, vou me sentir duplamente lesada, pois à parte lhes cabe neste latifúndio, foi maior do que o levado pelos amigos do alheio.


Abraços
Severina



(18 de março
/2006)
CooJornal no 468


Rosa Pena
professora e escritora
RJ
rosabpena@br.inter.net