Não. Não é o Vietnã. Não! Não é aquele filme com De Niro.
Nem são os comunistas os culpados, como sempre foram apontados, de todos
os conflitos do mundo.
Só sei que é guerra, que o fogo é cruzado, que o campo é minado.
Que não mais consigo lhe ver sofrer de braços cruzados.
É! Eu sei que a gente cria o filho pro mundo e que ele é uma selva, mas
também sei que eu tinha o direito de sonhar com um mundo melhor do que o
meu. Não fui "hiponga" por modismo, nem para ser descolada.
Eu acreditei em paz e amor!
Como lhe digo agora que tudo que preguei era mentira e que você encararia
uma barra muito maior que a minha?
Como fico agora ao lhe ver chorar por ser decente, se isso virou
passaporte para a solidão?
Aonde arrumo palavras para argumentar que vale a pena ser digna, nem que
seja por si própria?
Enfim, minha menina linda, não lhe criei para ostentar um troféu de mãe
perfeita. Apenas achei que havia de chegar à era de Aquarius e com
ela mudanças saudáveis. Considerei que no mundo não caberia mais maldade.
Loucas esperanças de uma idealista. Não imaginava que você fosse encontrar
francos-atiradores pela frente, daqueles que abatem as fêmeas apenas para
contabilizar e contar pros amigos idiotas.
Pensei que esse papo era antigo e encardido. Démodé. Que sexo, sexo
e sexo, apenas pelo sexo, ficasse sem nexo. Que a droga virasse uma droga
e que o afeto seria a palavra de ordem. Imagine se foi com
John
Lennon?
Todos os humanos de mãos dadas num planeta-jardim foi total demência
minha?
O pior mesmo é que os atiradores atiram em si próprio. Viram homens-bombas
de seus destinos, mortos-vivos pela existência afora, envelhecidos nos
seus deboches, em suas mentiras, em seus despropósitos. Pena que não sejam
apenas francos de franqueza e não de falsa malandragem. Eternamente seremos
uma sociedade suicida.
Não sei. Realmente não sei como lhe digo:
- Prossiga, pois eles são morte e você é vida.
(27 de maio/2006)
CooJornal no 478