
05/05/2007
Ano 10 - Número 527
ARQUIVO
ROSA PENA
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Rosa Pena
Descansou Rosinha?
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Saindo para descansar...
Feriado na quinta, maridão resolve ir para casa que temos na região dos
lagos. Bem... quem tá acostumado já sabe como é!
Saio amanhã, crente que tô abafando e já começo desde hoje a juntar tudo
que tenho que levar: carne e outros mais para o bendito churrasco, palito,
mostarda, calcinha, cd, leite e todos os derivados... e... sei lá! Amanhã,
cedinho, acordo e depois de levar cinco horas tentando pôr tudo no carro,
e ainda tentar entrar nele... Lá vamos nós... “É nois na fita”.
Pego um engarrafamento de umas quatro horas, onde me empanturro de comer
biscoito de polvilho com coca. Ouço minha filha perguntar cinqüenta vezes
se vai demorar. Eu, com uma puta de uma vontade de fazer xixi... (sempre
que viajo tenho vontade!), finalmente chego lá.
Encontro a casa sempre com cheiro de mofo, pois o caseiro acha que o termo
“caseiro” significa “morar na minha casa”. Começa, aí, a segunda parte do
meu doce descanso!
Arrumo tudo e finalmente vou parar, mas já é noite; praia e piscina já
eram... e meu marido já tá troncho de cerveja.
Tomo um banho e vou ver TV. Droga, não pega direito! Mando o Vanil, meu
caseiro, subir no telhado para ajeitar a antena e fico gritando da janela:
“mais pra esquerda... pára agora... não! vira!...” Minha filha aparece com
uns dez adolescentes esfomeados, que liquidam com meus víveres do fim de
semana.
Sexta, de novo, não vou à praia... Vou ao supermercado repor tudo que
levei. Quando chego suada, de novo, o maridão calibrado! Feliz da vida. E
se repete a cena dos amiguinhos me chamando de tia, e eu louca para dizer
que não sou tia deles, pois seus pais não são meus irmãos... tá!!! Rezo
para o dia acabar.
Chega sábado e eu já estou liquidada. Entalada de ver carne, os pés doendo
de tanto ir da cozinha para varanda. Piscina... nem vi!
Domingo... hora de voltar... Guardo a tralha toda... Pego mais seis horas
de engarrafamento e chego aqui. Ainda tenho que pôr na geladeira os
restinhos que sempre sobram e que depois vão para o lixo... Ninguém come
aquele restinho. Separo a roupa suja. Olho pro meu marido e ele diz:
— Viu como foi bom você ter ficado longe do micro? Descansou!
“É, dona Jura... Né brinquedo não!”
(05 de maio/2007)
CooJornal no 527
Rosa Pena
professora e escritora
RJ
rosapenarj@br.inter.net
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