
19/05/2007
Ano 10 - Número 529
ARQUIVO
ROSA PENA
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Rosa Pena
Real & virtual
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O mundo procura o amor. O
mundo procura Bin Laden.
O mesmo mundo?
Será que eles existem mesmo ou são invenções americanas?
Bem, muitos acham, inclusive eu, que o melhor lugar para se achar o amor
atualmente é a net, supondo-se que ele exista. E ele existe sim... Sempre,
é eterno! Viva o amor!
Bin Laden não sei onde procurar. Acho que ele não é virtual. As bombas
pelo menos são bem reais.
Pois é, gente, está tão ruim conviver com a realidade, mas tão brabo, que
isso aqui fica parecendo o paraíso.
Por aqui não tem homem-bomba (tem homem-vírus), não tem Beira Mar (tem
fora do ar), não tem o Ratinho (nem precisa, pois sexo virtual não dá
baby, então o DNA é dispensado), não tem BBB (até tem Sabrinas e Dominis,
mas dá pra levar), não tem briga pela audiência (ou tem??? meu grupo, meu
site... blábláblá), não tem Garotinho (mas tem Rosinha... puts, eu?), tem
muito amor para dar e muita amizade para se ganhar.
Continuo atraída pelo mundo virtual e ao mesmo tempo começo a ficar
preocupada. Considero que aqui estou protegida da bala perdida, sou
conhecida, estimada, querida. Este é o foco de atração.
Mas de repente vejo pessoas que estão sofrendo de verdade, não é só
virtualmente quando estão na frente do micro. Estão estourando com suas
vidas reais, por personagens que criaram para conviver melhor consigo
mesmas. E esses personagens tomaram a alma da pessoa, mas não tomaram o
RG. Então começo a questionar o perigo da fantasia superar a realidade.
Criei amigos virtuais e muitos viraram reais. Criei sonhos virtuais e
reais.
Alguns com o pé no chão, outros tomando Red Bull... aquele que “te dá
asas”!
Esses voadores, no dia a dia da vida, acham que a poesia pode servir de
almoço, que ela paga as contas, lava lençóis, e que a partir desse novo
relacionamento devemos deletar nossas famílias, planos de aposentadorias,
projetos de férias no Sul e sermos exatamente iguais ao que somos na net.
Se a Rosa é poeta, uma sonhadora, sempre pronta para rimar e formatar, tem
que continuar sendo exatamente isso. Risonha, brincalhona, chorona etc.
Nada de ter passado e nada de pensar no futuro. Cotidiano e rotina, exclua
do arquivo. Viva apenas a poesia!!!
Tá maluca em fazer feira? Tem sono? Acordada sempre, pois quero ligar para
você de madrugada!
Poetisa também tem TPM na vida real. Que droga, né? Na net ninguém sabe
quando o poeta está com o nariz entupido, quando a feijoada bateu torta e
a conta venceu. Duras realidades esquecidas.
E agora, o sonho acabou? Cadê o meu amor?
Não, lógico que não. É permitido sonhar sempre. Com quem e da forma que
quiser. Sonhos são fascinação.Seu amor está aí dentro do coração. É seu!
Mas não se esqueça nunca de que o sonho pode ser só seu e que se você
acordar o culpado disso não é o alvo dos seus sonhos. Aliás, o alvo pode
estar ocupado, fazendo arroz ou sonhando com outra coisa.
Em tempo, conheci o Caetano Veloso há quatro anos, em um consultório
médico, discutindo asperamente com a recepcionista sobre o horário. Estava
com pressa e puto da vida por estar com azia.
Continuo achando ele um dos maiores compositores de todos os tempos,
caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento. Como também acho que
ele é romântico para burro, e talvez seja muito bom de cama. O Caetano
compositor, o poeta.
O homem que brigava no consultório era horrível, quer dizer, era real, em
um dia péssimo. Não sorria, não combinava com Alegria, Alegria!
Cada um tem o seu tempo, seu movimento, seu momento, com ou sem documento.
Continuemos sonhando, sem obrigar os protagonistas a serem o que
idealizamos.
É lindo sonhar. É péssimo cobrar.
(19 de maio/2007)
CooJornal no 529
Rosa Pena
professora e escritora
RJ
rosapenarj@br.inter.net
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