
16/06/2007
Ano 11 - Número 533
ARQUIVO
ROSA PENA
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Rosa Pena
Micro
geração
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Sílvia Alves Lorca
sempre adorou seu sobrenome, apesar de não ter parentesco com o notável
Garcia.
Achava sonoro e imponente. Quando sua filha nasceu registrou-a de forma
idêntica, mas assim que a menina adolesceu assumiu o apelido de Siloca e
não aceitava ser chamada de outra forma.
Sílvia Alves Lorca aceitou, mas reticente. Tempos modernos! Fazer o quê?
Quando sua princesa começou a ficar com o Mafu, Maurício Fagundes, esse
tem parentesco com o Antônio, namorar é do tempo antigo, idealizou um
belíssimo convite de casamento por conta da nobreza dos nomes, mas logo
concluiu que este não existiria, pois o ficar virou gerúndio, eles foram
ficando, ficando e ficando até chegar ao infinitivo ficar, de vez, em sua
casa. Um dia anunciaram que ela seria avó em breve.
— Pelo menos no civil!
Mafu e Siloca argumentaram que registro de amor é obsoleto. Um papel não
garante afeto permanente.
— E um jantar de apresentação aos nossos amigos?
— Não! O máximo que podemos fazer é levar a galera pra um rodízio de
pizza!
Tempos ultramodernos (se usa no plural?)! Fazer o quê?
—Posso pelo menos contratar um fotógrafo?
—Tiramos com a digital e colocamos no
Orkut!
—Então quando meu neto nascer vai se chamar Mafuloca, não vai ser batizado
e os retratos só vou poder ver em blogs?
—Retratos?
—Retrato era aquilo que andava dentro da carteira, no tempo em que se
podia usá-la com dinheiro e documentos!
— Ah! Num esquenta não. Tiramos fotos no seu celular.
— O choro dele já vem em Windows
Média Player?
Tempos contemporâneos (com ou sem plural) vá se foder!
(16 de junho/2007)
CooJornal no 533
Rosa Pena
professora e escritora
RJ
rosapenarj@br.inter.net
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