
07/06/2008
Ano 11 - Número 584
ARQUIVO
ROSA PENA
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Rosa Pena
Auto-ajuda
(...de preferência um Citroen!)
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— Você sabe fazer uma
boa massa, desenhar uma casa no papel, concordar sempre com seu chefe,
calcular se o troco está certo, usar um celular, pintar a parede de sua
casa, atualizar seu Northon antivírus, ter um diálogo com seu filho,
perceber com tranqüilidade que sua calça nova desbotou na máquina, esperar
sem ódio seu atendimento por um médico de convênio, o qual você paga os
culhões por mês, dar dois reais pro flanelinha não olhar seu carro, ter
saco para atender o inconveniente que liga bem na hora em que você está
fazendo amor, comprar um bom vinho para acompanhar aquela massa citada lá
no início?
— Sim. Li duas vezes “Quem mexeu no meu queijo” como você mandou.
Pronto. Concordei com a doutora Poliana que sou uma pessoa feliz por ter
casa, comida, carro, roupa lavada, filho, utensílios e até grana para os
supérfluos. Finalmente consegui minha alta com a maluca da analista. Ela
só prestava para fornecer a receita do meu
frontal. O cretino que
trabalha na farmácia não vende, nem com suborno, tarja preta sem a receita
azul do tal comprimido roxo. Fico com um ódio arco-íris!
Durante dez anos a Poli levou a minha grana na tentativa de me convencer a
ver La vie en rose. Só
quando é cantada por Édith Piaf...
Ora, pois!
Agora, depois de mais uma noite sem dormir, com uma azia desgraçada por
conta daquele nhoque safado que inventaram que é da fortuna, culpa do
manjericão ou do vinho de dez pratas, pegar um puta engarrafamento, dar um
passinho à frente “por favor” na meleca do metrô, ainda tenho que sorrir
pra chefia que deve estar em total abstinência sexual (ou comeu o nhoque
também?) e dar bom dia.
Hoje se alguém tocar no meu provolone eu mato!
La vie est beige.
(07 de junho/2008)
CooJornal no 584
Rosa Pena
professora e escritora
RJ
rosapenarj@br.inter.net
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