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Rui Martins
KNOW-HOW BRASILEIRO CONTRA AIDS
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O brasileiro Paulo Teixeira, responsável pelo combate contra a Aids no
Brasil,
foi cedido à Organização Mundial da Saúde, a pedido do seu novo diretor, o
sul-coreano Junk Wook Lee. A OMS quer aprender com Paulo Teixeira a
experiência
brasileira de combate a essa doença e formular uma nova política mundial
contra a
Aids.
A experiência brasileira na luta contra a Aids vai ser utilizada na
formulação da nova política da Organização Mundial da Saúde contra a
doença. Quem assim decidiu foi Jong Wook Lee, o novo diretor-geral da
organização, cujo mandato de cinco anos começará em julho.
Para mostrar que não eram só palavras, o coreano Wook Lee pediu emprestado
ao Brasil, o técnico brasileiro Paulo Teixeira, responsável pelo combate
brasileiro à Aids. Pego de surpresa, Paulo Teixeira, que tinha vindo de
Brasília para participar da Assembléia Mundial da Saúde, já cancelou a
volta e se instalou numa das salas para participar das reuniões do grupo
de transição, encarregado dos novos projetos com a saída da norueguesa Gro
Brundland, depois de cinco anos na OMS.
O que chamou a atenção de Wook Lee, que antes de eleito diretor era
técnico da OMS especializado em vacinas e combate às doenças infecciosas?
Foi a maneira como o Brasil, apesar de país pobre, garantiu o tratamento
gratuito dos aidéticos. Essa política aplicada pelo ex-ministro José Serra
despertava curiosidade na OMS e chegou a ser manchete, no jornal da
Assembléia Mundial da Saúde, há alguns anos.
Chamou também a atenção da OMS a maneira como o Brasil conseguiu segurar a
proliferação do vírus, através de campanhas de prevenção, apoiadas pelos
mais diferentes tipos de comunidades benévolas, mesmo se a Igreja vetava
as campanhas pelo uso de preservativo.
Paulo Teixeira teve também um ativo papel na luta pelo barateamento dos
remédios do coquetel anti-Aids, pela fabricação de genéricos e na
obtenção, com José Serra, de uma cláusula de emergência que justifica a
quebra de patentes, coisa que a OMC deverá regulamentar.
Surpreso mas não tanto, Paulo Teixeira explicou que mais de 30 países
pobres já usam o know-how brasileiro contra a Aids e que remédios
fabricados no Brasil já são usados na África do Sul e no Quênia.
(31 de maio/2003)
CooJornal
no 317