31/05/2003
Número - 317

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Rui Martins



KNOW-HOW BRASILEIRO CONTRA AIDS


 

O brasileiro Paulo Teixeira, responsável pelo combate contra a Aids no Brasil,  foi cedido à Organização Mundial da Saúde, a pedido do seu novo diretor, o  sul-coreano Junk Wook Lee. A OMS quer aprender com Paulo Teixeira a experiência brasileira de combate a essa doença e formular uma nova política mundial contra a  Aids.

A experiência brasileira na luta contra a Aids vai ser utilizada na formulação da nova política da Organização Mundial da Saúde contra a doença. Quem assim decidiu foi Jong Wook Lee, o novo diretor-geral da organização, cujo mandato de cinco anos começará em julho.

Para mostrar que não eram só palavras, o coreano Wook Lee pediu emprestado ao Brasil, o técnico brasileiro Paulo Teixeira, responsável pelo combate brasileiro à Aids. Pego de surpresa, Paulo Teixeira, que tinha vindo de Brasília para participar da Assembléia Mundial da Saúde, já cancelou a volta e se instalou numa das salas para participar das reuniões do grupo de transição, encarregado dos novos projetos com a saída da norueguesa Gro Brundland, depois de cinco anos na OMS.

O que chamou a atenção de Wook Lee, que antes de eleito diretor era técnico da OMS especializado em vacinas e combate às doenças infecciosas? Foi a maneira como o Brasil, apesar de país pobre, garantiu o tratamento gratuito dos aidéticos. Essa política aplicada pelo ex-ministro José Serra despertava curiosidade na OMS e chegou a ser manchete, no jornal da Assembléia Mundial da Saúde, há alguns anos.

Chamou também a atenção da OMS a maneira como o Brasil conseguiu segurar a proliferação do vírus, através de campanhas de prevenção, apoiadas pelos mais diferentes tipos de comunidades benévolas, mesmo se a Igreja vetava as campanhas pelo uso de preservativo.

Paulo Teixeira teve também um ativo papel na luta pelo barateamento dos remédios do coquetel anti-Aids, pela fabricação de genéricos e na obtenção, com José Serra, de uma cláusula de emergência que justifica a quebra de patentes, coisa que a OMC deverá regulamentar.

Surpreso mas não tanto, Paulo Teixeira explicou que mais de 30 países pobres já usam o know-how brasileiro contra a Aids e que remédios fabricados no Brasil já são usados na África do Sul e no Quênia.

 

(31 de maio/2003)
CooJornal no 317
 


Rui Martins é jornalista,
correspondente internacional na Suíça
ruimartins@hispeed.ch