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Rui Martins
O LEÃO, O LOBO E O CORDEIRO
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Vocês devem conhecer aquela fábula de La Fontaine, sobre a justiça do
leão. Ora, o coitado do cordeiro estava tomando água, quando o lobo
decidiu processá-lo por estar sujando a água que bebia. Simples jogada,
parecida com as mentiras do Bush e Blair sobre as armas de destruição
maciça do Iraque. Chamaram o leão para julgar o litígio. O leão que vinha
com fome, viu que o cordeiro era um bom petisco, sentou-se e ouviu a
acusação e a defesa.
O lobo repetiu ao leão sua ladainha – ele estava sujando minha água de
beber, apontando o coitado do cordeiro, que acreditando na justiça,
argumentou – mas seu leão, como é que eu poderia sujar a água do lobo se
ele estava bebendo rio acima e eu umas dezenas de metros abaixo? Ora,
disse o lobo, se não foi você foi seu irmão, ou sua mãe ou seu pai. E o
julgamento terminou com o leão comendo o melhor pedaço do cordeiro,
comissão por ter se prestado à farsa do julgamento.
Por que me lembrei dessa fábula? Foi imaginando o nosso presidente Lula,
aqui em Genebra, na Organização Internacional do Trabalho, diante do
presidente suíço Couchepin, que defende o neoliberalismo com o entusiasmo
e o apetite de um carnívoro. Lula dizendo para o interprete – conta aí pra
ele que com as práticas comerciais arbitrárias e protecionismo agrícola
não dá para se ter desenvolvimento e se sair da fome. E o suíço
perguntando – o que foi que ele falou? Fome? Quem está com fome sou eu e
se o seu Lula, que em Portugal é petisco, não mudar de disco, chamo o Bush
para fazermos um julgamento.
É claro que sempre é bom um cordeiro dar o berro contra o lobo, mas
dificilmente escapa do churrasco ou na melhor das hipóteses, da tosquia,
se não for da OMC, do FMI. O que vai se fazer, é a lei da selva do
neoliberalismo!
(07 de junho/2003)
CooJornal
no 318