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Rui Martins
CONVENÇÃO DECLARA GUERRA AO CIGARRO
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É uma verdadeira guerra que foi declarada ao tabaco pela Organização
Mundial
da Saúde, a fim de impedir que continuem morrendo cinco milhões de fumantes
por ano. 192 países já aprovaram o texto draconiano da Convenção
Internacional
contra o Tabaco, que prevê a proibição da publicidade de cigarros, venda a
menores,
combate ao contrabando e sensível aumento do preço para desestimular o
consumo. Para virar lei internacional, bastará que os parlamentos de 40
países signatários ratifiquem a Convenção. O Brasil, apesar de produtor e
exportador de tabaco, promete uma rápida ratificação.
Pior que os processos de fumantes com câncer ou sem traquéia contra os
fabricantes de cigarros é a convenção internacional contra o tabaco
assinada hoje (21 de maio), aqui em Genebra, no Palácio das Nações, por 192 países,
participantes da Assembléia Mundial da Saúde.
Essa convenção, cujo primeiro texto foi elaborado pelo brasileiro atual
ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, adotou uma série de
medidas radicais para impedir o avanço do vício do cigarro, que mata
anualmente cinco milhões de pessoas e está em plena expansão nos países da
Europa do Leste e na Ásia.
As previsões eram de dez milhões de mortes, em 2010, se nada fosse feito
contra o tabaco.
Entre as proibições previstas pela Convenção, está a publicidade de
cigarros, ainda tolerada indiretamente na imprensa escrita, mas que, já
deixou a televisão e o cinema na maioria dos países. Será também proibido
aos fabricantes patrocinar ou promover espetáculos ou festivais, o que
geralmente era feito com distribuição gratuita de cigarros. A prova
automobilística da Fórmula Um não poderá mais fazer publicidade mesmo
indireta de marcas de cigarros.
Até a semana passada, os efeitos dessa convenção mundial podiam ser
considerados limitados. Porém, a adesão surpresa dos Estados Unidos dá uma
nova dimensão a essa iniciativa da Organização Mundial da Saúde, que
exigiu quatro anos de negociações e debates.
Mesmo assim, vinte países quiseram ficar de fora por serem produtores ou
fabricantes de derivados do tabaco.
Embora importante produtor e exportador, o Brasil preferiu assinar e
aplicar a convenção, o que nem sempre será fácil, pois o tratado proíbe a
venda de cigarros a menores. Além disso, o previsto aumento de preço
deverá incentivar o contrabando de cigarros já enorme em certos países
europeus.
(28 de junho/2003)
CooJornal
no 321