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Rui Martins
UM ASPECTO POUCO COMENTADO DA
GUERRA CONTRA O IRAQUE
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Existe um aspecto pouco comentado dessa guerra dos EUA contra o Iraque,
que começa a fazer tantas vitimas. Foi um juiz francês que levantou, mesmo
se depois houve desmentidos. O governo francês, que ficou contra os EUA
para não se meter nessa guerra boomerang, está mesmo assim preocupado.
Muitos jovens das periferias das grandes cidades francesas, Paris, Lyon, Marseille, onde vivem a segunda e terceira
geração de imigrantes vindos do
norte da África, sumiram e foram se unir ao movimento extremista
muçulmano. Segundo informações, fariam parte dessa internacional
extremista da guerra santa contra o Ocidente.
Uma pequena volta para se entender o porque da revolta desses jovens. Nos
anos 60, a França importou mão de obra argelina, marroquina, tunisiana e
foi explorando esse pessoal, sem pensar que teriam filhos, em prédios de
apartamentos sem qualquer preocupação social. O governo socialista deu a
nacionalidade para os filhos desses imigrantes, mas não conseguiu acabar
com a marginalidade em que viviam. Numa época de desemprego, quem tem nome
árabe, tem muito mais dificuldade para encontrar emprego.
A revolta por essa situação tem criado delinqüentes, pivetes, parecidos
com os das áreas urbanas de São Paulo e Rio, mas pregadores muçulmanos,
fazendo mais ou menos o que fazem os evangélicos, conseguiram converter
uma parte dessa moçada. Porem, entre esses pregadores, existem os da linha
fundamentalista, da guerra santa, que considera nossa civilização como
abominação e pecado. E seus seguidores são levados para campos de
treinamento que antes eram no Afganistão. Uma parte deles esta agora
lutando no Iraque contra os americanos.
Qual a preocupação francesa ? A de que quando os EUA saírem do Iraque,
essa frente guerreira da jihad se desloque para a Europa. Esse um outro
aspecto da guerra contra o Iraque, que os militares e republicanos
americanos não viram ao pensarem que iriam dar um passeio pelo Oriente Médio.
(06 de novembro/2003)
CooJornal
no 339