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Rui Martins
A PARTIR DE AGORA NÃO DIGO MAIS
TERRORISTA E SIM RESISTENTE IRAQUIANO
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São 28 mortos e mais de 80 feridos num dos ataques mais sangrentos em
Nassiriah, no Iraque, contra militares italianos. Depois da invasão da
Abissínia pelas tropas fascistas de Mussolini, a Itália desconhecia esse
tipo de morte de seus filhos em terra estrangeira, transformados em
invasores e ocupantes.
Porque a situação atual no Iraque, onde morrem jovens soldados, muitos
deles alistados por falta de empregos nos EUA, na Espanha, na Inglaterra,
na Itália, na Polônia, enquanto tropas americanas se instalaram depois de
sacrificarem dezenas de milhares de civis iraquianos, exige que se dê nome
aos bois.
É claro, é evidente que nós todos, jornalistas e ouvintes, queremos a paz
e que a guerra é o pior dos argumentos, mas a França, Inglaterra e Rússia
tinham alertado que invadir o Iraque seria entrar num vespeiro. Vespeiro
porque nenhum povo neste planeta aceita ser invadido e ocupado.
Imaginem se em lugar de Bassorah, Bagdad, Nassíria, fosse Manaus, Belém ou
Macapá. Seria a mesma coisa.
O governo americano de hoje, de Bush, que tem feito turistas, cientistas e
jornalistas passarem vexames ao desembarcarem em Nova Iorque, Washington
ou Los Angeles, passou das medidas.
Todos nós, evidentemente, temos tristeza pela família dos jovens italianos
mortos, numa aventura comandada por Silvio Berlusconi, que divergia da
visão pacífica da França. Berlusconi que se empenhou numa aventura de
invasão e ocupação de um país e de um povo.
Essa guerra do Iraque já virou remake da Guerra do Vietnã, quando a
juventude européia apoiava os viets contra os GIs.
A partir de agora não falarei mais em extremistas ou terroristas
iraquianos, nos meus boletins. Se me deixarem continuar, falarei em
resistentes iraquianos e convido meus colegas brasileiros a fazerem o
mesmo.
(13 de novembro/2003)
CooJornal
no 340