13/11/2003
Número - 340

 
Rui Martins



A PARTIR DE AGORA NÃO DIGO MAIS

TERRORISTA E SIM RESISTENTE IRAQUIANO



 

São 28 mortos e mais de 80 feridos num dos ataques mais sangrentos em Nassiriah, no Iraque, contra militares italianos. Depois da invasão da Abissínia pelas tropas fascistas de Mussolini, a Itália desconhecia esse tipo de morte de seus filhos em terra estrangeira, transformados em invasores e ocupantes.

Porque a situação atual no Iraque, onde morrem jovens soldados, muitos deles alistados por falta de empregos nos EUA, na Espanha, na Inglaterra, na Itália, na Polônia, enquanto tropas americanas se instalaram depois de sacrificarem dezenas de milhares de civis iraquianos, exige que se dê nome aos bois.

É claro, é evidente que nós todos, jornalistas e ouvintes, queremos a paz e que a guerra é o pior dos argumentos, mas a França, Inglaterra e Rússia tinham alertado que invadir o Iraque seria entrar num vespeiro. Vespeiro porque nenhum povo neste planeta aceita ser invadido e ocupado.

Imaginem se em lugar de Bassorah, Bagdad, Nassíria, fosse Manaus, Belém ou Macapá. Seria a mesma coisa.

O governo americano de hoje, de Bush, que tem feito turistas, cientistas e jornalistas passarem vexames ao desembarcarem em Nova Iorque, Washington ou Los Angeles, passou das medidas.

Todos nós, evidentemente, temos tristeza pela família dos jovens italianos mortos, numa aventura comandada por Silvio Berlusconi, que divergia da visão pacífica da França. Berlusconi que se empenhou numa aventura de invasão e ocupação de um país e de um povo.

Essa guerra do Iraque já virou remake da Guerra do Vietnã, quando a juventude européia apoiava os viets contra os GIs.

A partir de agora não falarei mais em extremistas ou terroristas iraquianos, nos meus boletins. Se me deixarem continuar, falarei em resistentes iraquianos e convido meus colegas brasileiros a fazerem o mesmo.



(13 de novembro/2003)
CooJornal no 340


Rui Martins é jornalista,
correspondente internacional na Suíça
ruimartins@hispeed.ch