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Rui Martins
Prisioneiros sem estatuto jurídico
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Pela primeira vez, a Cruz Vermelha Internacional, que normalmente adota
uma linguagem diplomática, rompeu esse costume, fazendo críticas claras e
não veladas aos EUA, sobre a situação dos prisioneiros em Guantânamo.
De volta de uma visita às autoridades americanas, em Washington, onde
encontrou Colin Powell, Condoleezza Rice e Paul Wolfowitz, o dirigente da
Cruz Vermelha Internacional, Jacob Kellenberger, destacou que, desde
março, data da primeira visita, nada foi feito com relação aos
prisioneiros, seja definindo-se o estatuto jurídico que regula a prisão de
Guantânamo, seja quanto ao tratamento dispensado às pessoas ali detidas.
A base da divergência é que para os EUA, tais pessoas são combatentes
ilegais, enquanto que para a Cruz Vermelha Internacional trata-se de
prisioneiros políticos. "Lamento não ter visto nada de concreto e não
estou satisfeito com os resultados obtidos junto aos americanos",
desabafou hoje, em Genebra, Jacob Kellenberger, dirigente da organização.
Ele quer que os EUA definam logo o estatuto jurídico dos prisioneiros e
espera que sejam melhoradas as atuais condições em que vivem. "A Cruz
Vermelha Internacional quer um estatuto jurídico claro. Quando se detêm
pessoas é preciso se definir rapidamente em que condições se encontram,
para que logo se possa proceder ao julgamento", acentuou Kellenberger.
O dirigente da Cruz Vermelha revelou também já ter feito um pedido de
visita para o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, definido como
prisioneiro de guerra pelos americanos. Quanto ao julgamento, a Cruz
vermelha já tinha explicado que as convenções de Genebra não definem a
modalidade do julgamento. Deverá ser fixada por quem detém o prisioneiro,
no caso os EUA, mas o julgamento deverá observar as normas jurídicas
consagradas, de proteção ao prisioneiro com direito à defesa.
(20 de fevereiro/2004)
CooJornal
no 356