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Rui Martins
1º de abril
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Afinal o golpe militar de 64 foi no dia 31 ou no dia da mentira, este
primeiro de abril?
Eu, pessoalmente, sigo o calendário que assinala hoje os 40 anos da queda
de Jango Goulart e o início dos 20 anos de ditadura.
Lembro-me de que acabava de me formar em Direito pela faculdade da USP, do
Largo de São Francisco, e que com meus colegas de republica de estudantes,
acompanhávamos pelo rádio a tentativa de resistência, liderada por Leonel
Brizola.
Todos nós jovens vivíamos a efervescência da campanha pelas reformas de
base e líamos os jornais que apoiavam o governo, como Paratodos do PC, e
Brasil Urgente, editado pela AP. Tínhamos livros e discos editados pelo
Centro Popular de Cultura, assistíamos conferencias de Jacob Gorender no
Instituto de Arquitetos de São Paulo e ficamos com medo de sermos presos,
pois nossos nomes estavam lá.
Minha carreira no jornalismo começou, alguns meses depois, em setembro, e
na redação do Estadão encontrei gente da oposição – Miguel Urbano
Rodrigues, que era anti-salazarista e Vladimir Herzog, que iria alguns
meses depois para Londres, na BBC, mas que ao retornar, acabou sendo morto
pelo DOI-Codi em 75.
Depois de ter liderado o Encontro com a Liberdade, no teatro Paramount, em
São Paulo, contra a censura na imprensa, fui demitido do Estadão, e,
alguns meses depois, por ter aderido a uma greve de jornalistas fui
demitido do cargo de Redator-Chefe da Redação de São Paulo da Última Hora-
Rio.
Acabei escapando para Europa, com o apoio do governo francês, em agosto de
69. Fiquei em Paris até 80, e quando a maioria dos exilados começou a
voltar, eu subi os Alpes, aqui na Suíça, onde vou ficando, mas onde a
saudade de vez em quando aperta.
Aí está meu depoimento sobre o golpe de primeiro de abril de 64.
(02 de abril/2004)
CooJornal
no 362