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Rui Martins
BUSH, O INCENDIÁRIO
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Não contente de ter lançado o fogo no Iraque, de ter liquidado o único
Estado laico da região e reforçado o risco de uma guerra de religiões,
George Bush, como um incendiário, acaba de acender outro estopim no
Oriente Médio, com seu apoio a Sharon.
Esse presidente americano aprendiz de feiticeiro, despreparado para o
cargo, está jogando o mundo no começo de uma terceira guerra mundial,
advertem os europeus, chocados com o sacrifício de um refém italiano, num
Iraque em efervescência.
Enfim, todos as advertências dos franceses, alemães e russos tinham
fundamento – a guerra contra o Iraque foi um desvario.
A superpotência americana superestimou sua força no Iraque, subestimou o
risco da resistência local e está perdendo a guerra, quando começava a
cantar vitórias.
A petulância americana de invadir e ocupar um país milenar, está
modificando todo o equilíbrio político antes existente na região. Mesmo os
países árabes próximos dos americanos, mal disfarçam sua satisfação ao ver
o atoleiro no qual se meteram os donos do mundo.
Porem, os europeus, os mais próximos do Oriente Médio, temem os efeitos do
ódio contra o Ocidente gerados pela guerra de Bush e por uma agravação e
ampliação do conflito israelense-palestinos.
Quanto mais cedo os americanos saírem do Iraque melhor será, dizem os
comentaristas europeus. Sabem, porém, que Bush com um reforço militar irá
agravar a situação e essa guerra mistura de Vietnã, com Líbano e
Afganistão poderá se tornar logo um pesadelo para todos nós.
(16 de abril/2004)
CooJornal
no 364
Rui Martins é jornalista,
correspondente internacional na Suíça
ruimartins@hispeed.ch
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