16/04/2004
Número - 364

 
Rui Martins



BUSH, O INCENDIÁRIO



 

Não contente de ter lançado o fogo no Iraque, de ter liquidado o único Estado laico da região e reforçado o risco de uma guerra de religiões, George Bush, como um incendiário, acaba de acender outro estopim no Oriente Médio, com seu apoio a Sharon.

Esse presidente americano aprendiz de feiticeiro, despreparado para o cargo, está jogando o mundo no começo de uma terceira guerra mundial, advertem os europeus, chocados com o sacrifício de um refém italiano, num Iraque em efervescência.

Enfim, todos as advertências dos franceses, alemães e russos tinham fundamento – a guerra contra o Iraque foi um desvario.

A superpotência americana superestimou sua força no Iraque, subestimou o risco da resistência local e está perdendo a guerra, quando começava a cantar vitórias.

A petulância americana de invadir e ocupar um país milenar, está modificando todo o equilíbrio político antes existente na região. Mesmo os países árabes próximos dos americanos, mal disfarçam sua satisfação ao ver o atoleiro no qual se meteram os donos do mundo.

Porem, os europeus, os mais próximos do Oriente Médio, temem os efeitos do ódio contra o Ocidente gerados pela guerra de Bush e por uma agravação e ampliação do conflito israelense-palestinos.

Quanto mais cedo os americanos saírem do Iraque melhor será, dizem os comentaristas europeus. Sabem, porém, que Bush com um reforço militar irá agravar a situação e essa guerra mistura de Vietnã, com Líbano e Afganistão poderá se tornar logo um pesadelo para todos nós.


(16 de abril/2004)
CooJornal no 364


Rui Martins é jornalista,
correspondente internacional na Suíça
ruimartins@hispeed.ch