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Rui Martins
Novos
membros da UE
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Isolada no centro do continente europeu e no alto dos Alpes, como uma
ilha, a Suíça vive a paranóia do medo de uma invasão de trabalhadores
estrangeiros, numa União Européia de 25 países. Com uma crise econômica
crônica e com um crescimento do PIB inferior a 1%, a Suíça vem tomando
consciência do erro de ter ficado fora da UE, mas não se corrige.
A própria esquerda suíça sindicalista teme uma quebra dos salários suíços,
maiores que a média européia, com a chegada de trabalhadores dos dez
países do Leste Europeu. Encolhida atrás de um muro de desconfianças, a
Suíça não deverá abrir seu mercado de trabalho aos dez novos membros da UE,
pelo menos nos próximos sete anos. Embora tenha concluído um acordo de
livre circulação de pessoas com a UE, há cinco anos, a Suíça não considera
válido esse acordo para os novos membros.
A maior pressão vem do Partido do Povo, movida por argumentos extremistas.
Se, durante a época da URSS, eram bem-vindos os que fugiam do comunismo,
agora a extrema-direita suíça denuncia o risco de uma invasão de
poloneses, tchecos, húngaros e eslovacos. Por sua vez, os sindicatos
suíços temem uma drástica redução nos salários com um excesso de oferta de
mão-de-obra barata.
Como na Suíça não existe um salário mínimo, certas empresas, hotéis e
restaurantes poderão abusar e fixar novos níveis salariais. Essa nova
reação de rejeição aos seus vizinhos reforçará o isolamento suíço e, no
futuro, poderá dificultar a integração da Suíça na União Européia.
(16 de abril/2004)
CooJornal
no 364