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Rui Martins
MINISTRO DA JUSTIÇA PROMETE
PRONUNCIAMENTO NA SEXTA
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A expulsão do jornalista americano pelo presidente Lula, ratificada pelo
governo, mas na ausência do ministro da Justiça, pegou mal. O ministro
Marcio Thomas Costa, que estava durante o dia de ontem, aqui em Berna,
para assinar o acordo judicial com a Suíça, para estreitar cooperação
contra o crime internacional, sentiu a barra. E foi alvo de perguntas pela
imprensa, que esperavam uma posição. Mas o ministro preferiu adiar um
pronunciamento a respeito para sua volta ao Brasil, amanhã, depois de
saber como foi tomada a decisão. Porquê, na verdade, o ministro foi
ultrapassado pelo presidente Lula, que não esperou sua volta para resolver
o problema. Na maré criada, um jornalista suíço perguntou se o Brasil ia
virar ditadura autoritária como o Zimbabue. Ficou a impressão de que o
ministro Márcio Bastos era contra a medida e que preferiria um processo,
autorizado por lei, por injúria ou difamação. Como Lula não tem condições
para voltar atrás e como o ministro foi advogado de presos políticos,
militante da liberdade de expressão durante a ditadura, pode haver uma
crise dentro do governo.
Pegou mal, muito mal, a decisão pessoal do presidente Lula, ratificada
pelo governo, na ausência do ministro da Justiça Thomaz Bastos, de
expulsar o jornalista americano. Embora uma parcela da opinião brasileira
se sinta ofendida com o artigo do jornalista americano, ou reaja de
maneira patriota e nacionalista, misturando sentimento anti-americano com
honra nacional desrespeitada, não se trata disso.
Qualquer jornalista, seja americano, iraquiano, francês ou da Al Jazira
árabe tem o direito de expressar sua opinião, garantido por uma coisa
muito importante chamada, liberdade de imprensa. Se ninguém mais pudesse
criticar presidentes, eu teria de fechar a boca quando falo mal do Bush e
do Toni Blair e ninguém ia mais saber do que se passa nos bastidores do
mundo. A lei e a justiça deixam sempre a possibilidade do presidente,
político ou artista se defender por meio de uma ação contra o autor ou de
exigir que o jornal, rádio ou revista dê sua versão.
Expulsar sumariamente não é nenhum exemplo, como tenta dizer Lula, é um
péssimo e denigre a nossa imagem de país democrático no Exterior. Ontem,
aqui na Europa, o Brasil começou a ser comparado com países autoritários,
ditaduras, paisecos. Isso sim é que estraga a nossa imagem. O ministro da
Justiça foi desautorado, o governo passou por cima dele, aproveitando sua
ausência. Isso não se faz. Vamos esperar que haja um retorno e um pouco de
bom senso.
(14 de maio/2004)
CooJornal
no 368