14/05/2004
Número - 368

- Atentado em Israel
- Bush, o incendiário
- Bye bye Blair
- Convenção declara guerra ao cigarro
- Crianças não!
- E agora, Sr. Bush?
- Essas fotos nós já vimos
- Forum social suíço
- Knowhow contra aids
- Lepra: o fim da maldição
- Maria de Buenos Aires
- Morte de Sergio Vieira de Mello
- My sweet lord
- Novos membros da UE
- O espectro de Bin Laden
- O leão, o lobo e o cordeiro
- Prisioneiros sem estatuto jurídico
- Ratazana Mickey
- Relator da ONU elogia Lula
- Ricúpero acusa
- Resistente iraquiano
- Roleta russa do Vaticano
- Uma visão de Davos
- Vieira de Melo na direção da Onu?
- Vitória da extrema direita na Suíça
- 1º de abril

 
Rui Martins



MINISTRO DA JUSTIÇA PROMETE

PRONUNCIAMENTO NA SEXTA


 

A expulsão do jornalista americano pelo presidente Lula, ratificada pelo governo, mas na ausência do ministro da Justiça, pegou mal. O ministro Marcio Thomas Costa, que estava durante o dia de ontem, aqui em Berna, para assinar o acordo judicial com a Suíça, para estreitar cooperação contra o crime internacional, sentiu a barra. E foi alvo de perguntas pela imprensa, que esperavam uma posição. Mas o ministro preferiu adiar um pronunciamento a respeito para sua volta ao Brasil, amanhã, depois de saber como foi tomada a decisão. Porquê, na verdade, o ministro foi ultrapassado pelo presidente Lula, que não esperou sua volta para resolver o problema. Na maré criada, um jornalista suíço perguntou se o Brasil ia virar ditadura autoritária como o Zimbabue. Ficou a impressão de que o ministro Márcio Bastos era contra a medida e que preferiria um processo, autorizado por lei, por injúria ou difamação. Como Lula não tem condições para voltar atrás e como o ministro foi advogado de presos políticos, militante da liberdade de expressão durante a ditadura, pode haver uma crise dentro do governo.

Pegou mal, muito mal, a decisão pessoal do presidente Lula, ratificada pelo governo, na ausência do ministro da Justiça Thomaz Bastos, de expulsar o jornalista americano. Embora uma parcela da opinião brasileira se sinta ofendida com o artigo do jornalista americano, ou reaja de maneira patriota e nacionalista, misturando sentimento anti-americano com honra nacional desrespeitada, não se trata disso.

Qualquer jornalista, seja americano, iraquiano, francês ou da Al Jazira árabe tem o direito de expressar sua opinião, garantido por uma coisa muito importante chamada, liberdade de imprensa. Se ninguém mais pudesse criticar presidentes, eu teria de fechar a boca quando falo mal do Bush e do Toni Blair e ninguém ia mais saber do que se passa nos bastidores do mundo. A lei e a justiça deixam sempre a possibilidade do presidente, político ou artista se defender por meio de uma ação contra o autor ou de exigir que o jornal, rádio ou revista dê sua versão.

Expulsar sumariamente não é nenhum exemplo, como tenta dizer Lula, é um péssimo e denigre a nossa imagem de país democrático no Exterior. Ontem, aqui na Europa, o Brasil começou a ser comparado com países autoritários, ditaduras, paisecos. Isso sim é que estraga a nossa imagem. O ministro da Justiça foi desautorado, o governo passou por cima dele, aproveitando sua ausência. Isso não se faz. Vamos esperar que haja um retorno e um pouco de bom senso.


(14 de maio/2004)
CooJornal no 368


Rui Martins é jornalista,
correspondente internacional na Suíça
ruimartins@hispeed.ch