18/06/2004
Número - 373


 
Rui Martins



Fahrenheit 9/11

 

 Vejam só que graça – as autoridades americanas proibiram para menores de 17 anos, o documentário de Mike Moore sobre a presidente Bush, que tem por título Fahrenheit 9/11 numa alusão ao 11 de setembro. O pretexto foi o de que o documentário tem cenas e linguagem violentas para adolescentes e jovens.

Essa decisão americana provocou aqui na Europa, reações do tipo – então os americanos acham que garotada americana pode ir morrer violentamente no Iraque, mas não pode ver o filme? É bom lembrar que os atentados e assassinatos cometidos pelos resistentes iraquianos contra americanos têm deixado muito GI perturbado e com medo. A tal ponto que o número de suicídios cometidos pelos soldados americanos desesperados é de quase 40.

E para mudar de assunto – o Parlamento suíço mostrou ontem que age com dois pesos e duas medidas. Aprovou o retorno do absinto, aquela bebida forte que deixava malucos os artistas do Montmartre parisiense, e que deixou louco o Van Gogh, mas proibiu, no mesmo dia, a liberação da maconha, desejada pelo governo. Qual é a droga mais forte – o absinto ou a maconha, chamada de droga leve ou doce?

Por enquanto, a moçada pode continuar se embebedando com os refrigerantes adocicados alcoolizados, que a sociedade vai continuar protegendo-a contra a fumacinha da maconha.

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DICK CHENEY COM O RABO PRESO NA SUÍÇA


O bloqueio por suspeita de corrupção de uma conta na Suíça, ligada ao grupo Halliburton, quando dirigido pelo vice-presidente americano Dick Cheney, promete repercussões na campanha eleitoral americana. São 110 milhões de dólares depositados em nome de um advogado inglês pelo consórcio de petróleo Halliburton, que influíram, segundo se pensa, na escolha de uma empresa do grupo de Dick Cheney para a construção de uma industria de liquefação de gás, na Nigéria.

O dinheiro circulou pelo banco HSBC, no nome do advogado Jeffrey Tesler, bem infiltrado no governo nigeriano. O pedido de bloqueio de conta foi feito pelo juiz francês Renaud van Ruymbeke, conhecido por outros casos de combate a lavagem de dinheiro.

O pagamento aos responsáveis nigerianos, ocorreu entre os anos 1995 a 2002, época em que Dick Cheney dirigia Halliburton. A empresa declarou para a imprensa suíça e francesa não ter infringido nenhuma lei americana e que está colaborando com a justiça francesa.

Entretanto, essa suspeita de corrupção torna mais recheadas as recentes denúncias de que a empresa Halliburton teria também um setor de construções, favorecido por Dick Cheney, no projeto de reconstrução do Iraque.

Como no caso Maluf, a Suíça teria funcionado como plataforma para recebimento e pagamento de propinas, para o vencimento de concorrencias públicas.


(18 de junho/2004)
CooJornal no 373


Rui Martins é jornalista,
correspondente internacional na Suíça
ruimartins@hispeed.ch