30/10/2004
Número - 392

 

 
Rui Martins



INDUSTRIAIS E BANQUEIROS SUÍÇOS INVESTEM EM BUSH
 


 

Dados divulgados por uma ONG americana sobre contribuições às campanhas eleitorais, mostram que os industriais e banqueiros suíços preferem entregar alguns milhões de dólares para Bush, certamente um investimento mais seguro. Por via das dúvidas, fazem também contribuições para Kerry, como um apostador previdente que joga na vitória dos dois clubes. (Leia mais)

UBS, CREDIT SUISSE, NOVARTIS, ABB PARTICIPAM DA CAMPANHA ELEITORAL AMERICANA


Se os suíços pudessem votar nas eleições americanas, elegeriam Kerry por mais de 70% dos votos, porém, os industriais e banqueiros suíços têm outros interesses e, embora não votem, doam milhões de dólares para as campanhas dos candidatos. Espertos, não apostam num só candidato; no pano verde das apostas e jogo eleitorais, preferem investir nos dois. Entretanto, as maiores contribuições são para o Partido Republicano de Bush.

Assim, o banco UBS está aplicando dois milhões de dólares nas eleições americanas, dos quais um milhão e duzentos mil para Bush e só 800 mil, para garantir a retaguarda, para Kerry.

Mesma tendência com o Credit Suisse que do milhão e meio investido nas eleições americanas, destinam 840 mil para Bush e apenas 660 mil para Kerry.

Mesmo se a multinacional suíça ABB poderia se beneficiar com o plano interno de infraestruturas energéticas de Kerry, ela investe um milhão e 100 mil em Kerry, mas prefere dar um milhão e quatrocentos mil para Bush.

Quem tem maior preferência por Bush é o laboratório farmacêutico Novartis que investe 73% em Bush e apenas 27% em Kerry, do total de 400 mil dólares.

O conhecimento desses totais é possível graças ao Centro por uma Política Responsável, uma ativa ONG.

Em princípio, existe um limite legal de mil dólares para contribuições partidárias pessoais, mas ele pode ir bem além quando se trata de empresas ou grupos de pessoas ou empresas. Tanto que o partido de Bush premia com o título de Pioneiro, os dão cem mil dólares e de Combatente, os que contribuem com duzentos mil dólares. Pela ONG, fica-se sabendo que o banco suíço UBS é o quinto maior contribuinte para a campanha de Bush, e o Credit Suisse décimo-quarto. E alguns banqueiros suíços têm seu títulos de Combatentes, na lista de contribuições para o Partido Republicano.

Por que a preferência por Bush? Porque ele aplica o neoliberalismo, diminui os impostos para as empresas e porque sua guerra relançou diversos setores da economia americana, além da industria armamentista. Por isso, o mercado financeiro de Zurique e a Federação das Empresas Suíças acham que contribuir para a eleição de Bush é, em outras palavras, um investimento com chances de dar bom retorno.



(30 de outubro/2004)
CooJornal no 392


Rui Martins é jornalista,
correspondente internacional na Suíça
ruimartins@hispeed.ch