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Rui Martins
SUÍÇA TEME O EFEITO HOLANDA
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Paranóia ou temor legítimo? A Suíça tem medo de que islamitas fanáticos
pratiquem atentados e que a extrema-direita se aproveite para provocar
confrontos contra a população árabe. 40 deputados federais assinaram uma
petição, que poderá receber hoje ainda mais assinaturas, pedindo ao
governo para adotar medidas de segurança e vigilância junto aos imãs que
pregam uma leitura literal do Corão.
Essa preocupação é desnecessária, segundo o líder da comunidade árabe de
Genebra, e se tornou um prato cheio para o Partido do Povo, cuja campanha
eleitoral foi nitidamente racista. Entretanto, mesmo os que condenam todas
as formas de exclusão da população de origem árabe, sabem haver um risco
latente, não só aqui na Suíça, país até agora tão tranquilo como era a
Holanda, mas em toda Europa. Os milhões de muculmanos, que chegaram com a
imigração, são na quase totalidade moderados e buscam uma integração,
porém, bastariam algumas centenas para colocar em perigo todo o atual
equilíbrio.
Ora, vive aqui em Genebra, o líder carismático da juventude muçulmana,
Tarik Ramadan. Nos seus contatos com a imprensa, Tarik assume sempre
posições moderadas e contrárias aos excessos dos fundamentalistas.
Entretanto, num livro que acaba de ser publicado, uma jornalista denuncia
Tarik, como ponta de lança islamita. Com efeito, seu irmão, também aqui em
Genebra, Hani Ramadan, foi demitido do ensino público por ter defendido,
no jornal Le Monde, o apedrajamento das mulheres adúlteras, segundo o
Corão. E ambos, são filhos de um dos criadores do movimento internacional
Irmãos Muçulmanos, considerado a base do movimento fundamentalista nos
diversos países islamitas.
Para reforçar o receio suíço, dois imãs, um em Basiléia e outro em Zurique
fizeram declarações que legitimam a violência pelos maridos contra suas
mulheres, autorizada pelo Corão, e o imã, de Basiléia, numa revista suíça
afirmou textualmente que não pode ser contra o apedrejamento das mulheres
adúlteras “porque essa punição faz parte da lei islâmica”.
É ainda possível se enquadrar nos preceitos laicos da cultura européia os
que justificam costumes religiosos condenáveis? A imprensa suíça, que
procurou analisar a questão, reconhece ser um terreno minado um verdadeiro
ninho de abelhas.
(20 de novembro/2004)
CooJornal
no 395