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Rui Martins
Forum de Davos surpreende com
linguagem contra fome e miséria
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Será que as campanhas das ONGs anti-globalização converteram os donos do
forum de Davos? A linguagem de Davos surpreende ao tratar da
solidariedade, do combate contra a fome e miséria, assim como de um
desenvolvimento sustentável. Trechos dos comunicados oficiais deste ano de
Davos, poderiam ser confundidos com o discurso de Lula, que irá a Davos
depois de amanhã.
Teria se convertido ou quer dar mostras de contrição? Uma leitura da
imprensa suíça e européia sobre o Forum de Davos, que começou e onde
esteve dia 18, o presidente Lula, revela Davos com uma linguagem e uma
temática mais próximas dos bons sentimentos, que do neo-liberalismo. Os
próprios comunicados oficiais de Davos surpreendem e parecem ter se
inspirado nos comunicados de ONGs anti-globalização. Se Davos não se
converteu, será que perdeu o fôlego?
“A comunidade financeira não acentua convenientemente o investimento
responsável”, “as empresas não sabem prever as medidas capazes de acabar
com a Aids”, “eliminar a fome e a pobreza é uma prioridade” dizem alguns
comunicados oficiais de Davos, capazes de concorrer com o discurso
do petista Lula.
Fora isso, Davos se preocupa com a deterioração do eco-sistema do planeta,
confirmado por cientistas, e provavelmente tentará, com muito tato e de
maneira indireta, convencer os EUA a colaborar com o Protocolo de Kyoto e
com as medidas capazes de reduzir os sofrimentos do planeta. Bem no estilo
do professor de Desenvolvimento Sustentável Jeffrey D. Sachs, do Instituto
da Terra da Universidade de Colúmbia, também assessor do secretário da
ONU, em questões de ecologia.
A mobilização mundial depois do maremoto asiático parece ter feito vacilar
a fé dos donos do mundo, no dogma davosiano, inspirado em Darwin, da
concorrência humana, como fator criador natural da riqueza e do equilíbrio
social.
Será que a presença do presidente francês Chirac, missionário da taxa
Tobin, geradora de 50 bilhões de dólares anuais, conseguirá convencer os
empresários, banqueiros e estadistas da necessidade de se assegurar uma
melhor distribuição das riquezas? Ou Davos, responsável pela ideologia da
ganância desenfreada do atual neo-liberalismo, quer se fazer perdoar se
convertendo numa escola dominical de boas intenções?
(29 de janeiro/2005)
CooJornal
no 405