01/10/2005
Número - 444

ARQUIVO  
RUI MARTINS

 
Rui Martins



CIENTISTAS BRASILEIROS NO FORUM AFRICANO

SOBRE TESTES DE VACINAS CONTRA AIDS
 

Genebra - Brasileiros estarão entre os 200 cientistas participantes de um Fórum para avaliação dos resultados dos testes feitos em voluntários em busca de uma vacina, na África, capaz de imunizar a população mais vitimada pelo vírus da Aids. Existem atualmente 40 milhões de aidéticos no mundo, dos quais 70% estão na África, num total de 28 milhões.

Embora o tipo de vírus africano não seja o mesmo do existente no Brasil, alguns cientistas brasileiros foram convidados, para troca de informações, já que o país também esta empenhado em pesquisas de uma vacina contra a Aids.

Coumba Touré, técnica especialista da Organização Mundial da Saúde em vacinas virais, da equipe organizadora do Forum, do 17 ao 20 de outubro, em Yaounde, capital dos Camarões, eh otimista quanto aos resultados colhidos, já numa segunda fase de testes, em diversos paises africanos e esclarece que nenhum voluntário, no programa de testes de vacinas, corre o risco de se tornar aidético, pois nenhuma experiência eh feita com vírus vivos. "O produto utilizado nos testes de vacinas provem de copias de vírus geneticamente modificados", afirma Coumba Touré.

"Existe uma grande variação do vírus da Aids na África, explica Coumba Touré, sobretudo na África central e em Yaounde. Nessa cidade escolhida para o Fórum, capital dos Camarões prolifera um grande número de subtipos do vírus HIV". Por isso, "não se sabe, no caso de se encontrar uma vacina eficaz na Tailândia ou nos EUA, se ela poderá ser utilizada com sucesso na África", ela acentua.

Não se pode dizer que os vírus africanos são mais resistentes que os encontrados no Brasil ou na Tailândia, mas - segundo Coumba Touré, assumem essas feições, "dadas as condições difíceis da população africana no plano da saúde, já sujeita a uma série de epidemias, parasitas e infecções tropicais diversas que enfraquecem o sistema imunitário". O vírus da Aids eh transmitido na África nas relações heterossexuais.

"Diversos países, como Uganda, Quênia, África do Sul já participaram dos testes clínicos com tipos de vacinas. Estamos otimistas, afirma Coumba Touré, embora surjam muitos desafios nessa pesquisa, como o da participação da própria África para que ela possa contribuir efetivamente no desenvolvimento de uma vacina contra a Aids.

Coumba Touré também acentua a existência de uma obrigação moral da sociedade mundial para ajudar o continente africano, que, mesmo no caso de encontrar uma vacina, não tem condições econômicas para dela se beneficiar. Haverá necessidade de se criar um Fundo Social, que permita se distribuir a vacina ou entregar aos países a um preço mínimo abordável."

Mas enquanto uma vacina não surge, Coumba Touré chama a atenção para o fornecimento dos remédios anti-retrovirais. Assim, o Gabão está construindo uma fábrica capaz de produzir anti-retrovirais (o coquetel anti-Aids) e a África do Sul tem uma indústria de ponta nesse setor, enquanto se acentua a importância do uso dos meios preventivos que ainda não são usados pela maioria da população.



(01 de outubro/2005)
CooJornal no 444


Rui Martins é jornalista,
correspondente internacional na Suíça
ruimartins@hispeed.ch