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Rui Martins
CIENTISTAS BRASILEIROS NO
FORUM AFRICANO
SOBRE TESTES DE VACINAS CONTRA AIDS
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Genebra - Brasileiros estarão entre os 200 cientistas participantes de um
Fórum para avaliação dos resultados dos testes feitos em voluntários em
busca de uma vacina, na África, capaz de imunizar a população mais
vitimada pelo vírus da Aids. Existem atualmente 40 milhões de aidéticos no
mundo, dos quais 70% estão na África, num total de 28 milhões.
Embora o tipo de vírus africano não seja o mesmo do existente no Brasil,
alguns cientistas brasileiros foram convidados, para troca de informações,
já que o país também esta empenhado em pesquisas de uma vacina contra a
Aids.
Coumba Touré, técnica especialista da Organização Mundial da Saúde em
vacinas virais, da equipe organizadora do Forum, do 17 ao 20 de outubro,
em Yaounde, capital dos Camarões, eh otimista quanto aos resultados
colhidos, já numa segunda fase de testes, em diversos paises africanos e
esclarece que nenhum voluntário, no programa de testes de vacinas, corre o
risco de se tornar aidético, pois nenhuma experiência eh feita com vírus
vivos. "O produto utilizado nos testes de vacinas provem de copias de
vírus geneticamente modificados", afirma Coumba Touré.
"Existe uma grande variação do vírus da Aids na África, explica Coumba
Touré, sobretudo na África central e em Yaounde. Nessa cidade escolhida
para o Fórum, capital dos Camarões prolifera um grande número de subtipos
do vírus HIV". Por isso, "não se sabe, no caso de se encontrar uma vacina
eficaz na Tailândia ou nos EUA, se ela poderá ser utilizada com sucesso na
África", ela acentua.
Não se pode dizer que os vírus africanos são mais resistentes que os
encontrados no Brasil ou na Tailândia, mas - segundo Coumba Touré, assumem
essas feições, "dadas as condições difíceis da população africana no plano
da saúde, já sujeita a uma série de epidemias, parasitas e infecções
tropicais diversas que enfraquecem o sistema imunitário". O vírus da Aids
eh transmitido na África nas relações heterossexuais.
"Diversos países, como Uganda, Quênia, África do Sul já participaram dos
testes clínicos com tipos de vacinas. Estamos otimistas, afirma Coumba
Touré, embora surjam muitos desafios nessa pesquisa, como o da
participação da própria África para que ela possa contribuir efetivamente
no desenvolvimento de uma vacina contra a Aids.
Coumba Touré também acentua a existência de uma obrigação moral da
sociedade mundial para ajudar o continente africano, que, mesmo no caso de
encontrar uma vacina, não tem condições econômicas para dela se
beneficiar. Haverá necessidade de se criar um Fundo Social, que permita se
distribuir a vacina ou entregar aos países a um preço mínimo abordável."
Mas enquanto uma vacina não surge, Coumba Touré chama a atenção para o
fornecimento dos remédios anti-retrovirais. Assim, o Gabão está
construindo uma fábrica capaz de produzir anti-retrovirais (o coquetel
anti-Aids) e a África do Sul tem uma indústria de ponta nesse setor,
enquanto se acentua a importância do uso dos meios preventivos que
ainda não são usados pela maioria da população.
(01 de outubro/2005)
CooJornal
no 444