|
Rui Martins
JORNAIS SUÍÇOS PUBLICAM
ARTIGO SOBRE
"DENÚNCIA" DE MALUF POR BANCO E GOVERNO
|
 |
Três jornais suíços deram destaque à tese do livro "Dinheiro sujo da
corrupção", entre os mais vendidos no Brasil, de que o ex-governador e
ex-prefeito Paulo Salim Maluf foi "dedurado" ou entregue pela justiça e
bancos suíços à justiça brasileira.
Os jornais se referem também á intenção do jornalista brasileiro Rui
Martins de cobrar de Maluf a promessa de que "daria o dinheiro a quem
encontrasse suas contas bancárias". E destacam que a história das contas
secretas de Maluf não chegou ao fim - "o dinheiro da corrupção pode ser
bloqueado e seqüestrado - diz o jornal - mas nada se pode fazer com o
dinheiro vindo da evasão fiscal".
Por isso, Rui Martins propõe que a exceção européia, do desconto anônimo
do imposto de renda nos capitais de residentes europeus, seja também
estendida aos detentores de contas suíças residentes nos países pobres.
Com isso, destacam os jornais "haveria, pelo menos" a restituição de uma
parte dos lucros gerados pelas enormes fortunas colocadas na Suíça".
Data a marcar
Segundo Rui Martins, autor do livro "O Dinheiro sujo da corrupção", o
diretor do Club de la Presse de Genebra, Guy Mettan, já cedeu o local,
para que com o jornalista Jean-Noel Cuenod peça o dinheiro "prometido por
Maluf".
"Mas nem eu e nem Cuenod queremos esse dinheiro, diz Martins, vamos doar,
na hipótese de Maluf cumprir sua palavra, para quem precise, por exemplo,
o movimento MST".
E esclarece que, dada a notícia da presença de familiares de Maluf, nesta
semana, em Genebra, não vale doar o dinheiro já bloqueado, que, na
verdade, pertence ao Fisco brasileiro. O que vale é o dinheiro ainda livre
em outras contas paralelas, que podem ainda ser movimentadas.
Martins e Cuenod lançarão no Clube de la Presse, o que chamam de Princípio
da Exceção, por analogia com a exceção européia, e esperam contar com o
apoio de ONGs e de governos de países africanos e sulamericanos.
O artigo do jornalista suíço François Nussbaum, de meia-página no
noticiário suíço, foi valorizado com uma grande foto colorida do centro
paulistano e um retrato de Maluf.
O título, no alto da página, não deixa dúvidas - Maluf "entregue" por
Berne - e o subtítulo se refere ao livro do jornalista brasileiro Rui
Martins, que chegou a perder emprego por ter denunciado abertamente as
contas bancárias do ex-governador. "Suas fontes suíças eram seguras, mas
ele se chocava contra a potência de Maluf", destacam os jornais l´Express,
de Neuchâtel, La Liberté, de Friburgo, e l´Impartial, da região de Bienne
e cantão do Jura.
O artigo suíço conta, porém, que não existe mais a potência de Maluf,
aguardando atualmente julgamento depois de uma passagem pela prisão por
intimidar testemunhas.
Repetindo o que destacava o Tribune de Genève, nos fins de 2002, François
Nussbaum lembra a derrota de Maluf nas eleições para governador, embora
tivesse, pouco antes, 40% nas prévias, em consequência do noticiário
europeu, que manchou a imagem até ali considerada positiva do "rouba mas
faz".
Da entrega de Maluf participaram o Citibank e o Departamento federal suíço
de Justiça de Polícia, contam os jornais se referendo ao livro, editado
pela Geração Editorial. O Citibank denunciando um movimento estranho de
200 milhões de dólares de Genebra para a Ilha de Jersey; e a justiça suíça
enviando uma fax denunciador à Comissão de Atividades Financeiras de
Brasília.
O jornalista François Nussbaum vai além do livro, porque se refere ao
acúmulo de superfaturações de obras públicas, que teriam chegado a 1,8
bilhão de dólares. A pressa de Maluf para tirar seu dinheiro do Citibank,
temendo as novas leis suíças contra lavagem de dinheiro, foi tardia, nessa
altura já tinha sido apanhado. O artigo acentúa ter havido também um
interesse expresso da Suíça em forçar o Brasil a provocar rapidamente um
pedido de colaboração judiciária.
(03 de dezembro/2005)
CooJornal
no 453