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Rui Martins
Uma mensagem de Natal
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Mas vamos falar de Natal, porque dentro de algumas horas, estaremos todos
sentados em torno da mesa, de uma pequena ou grande família, para
comemorar o Natal, com ou sem crença religiosa, porque a festa virou
momento de fraternidade para cristãos e não-cristãos. Todo o ano é a mesma
coisa, mas um natal nunca é igual ao outro, assim como as estações do ano,
na sua repetição podem ser parecidas mas não são iguais.
Há Natal com mais cadeiras em volta da mesa, outros com cadeiras vazias,
familiares ou amigos que partiram, que nos deixaram ou que a vida tornou
difícil de reencontrar. Nos primeiros Natais da nossa vida, a gente fica
esperando a chegada do Papai Noel, depois vem a adolescência a rebeldia da
juventude, a festa vira careta, até o dia em que a gente vira o Papai Noel
para uma outra criança que está ali esperando o seu presente. É o ciclo da
vida! E, no fim, já nem se precisa botar disfarce de Papai Noel, porque
todo avô tem cara de Papai Noel. Nessas histórias de Natal, o ruim mesmo é
passar a noite sozinho, com lembranças ou tristezas, ou não ter o que por
na mesa.
Daqui da Europa, onde a média de temperatura é 2 graus abaixo de zero, no
sul não esteja tão frio, com neve na rua, desta cidade onde estou, é claro
que existe sempre aquela nostalgia de se estar longe da terra. Mas, vamos
falar da mesa, quase posta. Os franceses curtem o peru e estouram
champagne. Minha opção foi um salmão. Pela mesa castanhas, nozes,
amêndoas, avelãs, uvas passas. Sobre a toalha o reflexo das luzes do
pinheiro de Natal, enfeitado pelas crianças, que ali encontrarão, logo
depois seus presentes. No mundo parece haver uma trégua no noticiário - o
racismo, a exclusão, a miséria, a guerra, a doença parecem distantes e
enquanto tilintam os copos a gente pensa, que pena não ser todo dia Natal.
Feliz Natal para vocês todos.
(10 de dezembro/2005)
CooJornal
no 454