Rui Martins
CLIMA
DE OTIMISMO NO ENCERRAMENTO
DO FÓRUM MUNDIAL DE VACINAS
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Terminou o Fórum Mundial de Vacinas e algumas boas notícias foram
lançadas. Com o lançamento do Roadmap ou caminho traçado, espera-se obter
uma vacina contra o paludismo ou malária em 2025. Há também boas chances
para se chegar a uma primeira vacina contra a Aids em 2015, se os testes,
aqui na Tailândia e outros nos EUA confirmarem as expectativas. O Brasil
compareceu com diversos cientistas representantes. Entre eles, Akira Homma,
diretor de Bio-Manguinhos, que satisfeito declara ser o país
auto-suficiente em matéria de vacinas do calendário; Carlos Morel,
coordenador do centro de desenvolvimento tecnológio da Fio-Cruz;
preocupado com o alto custo provável das novas vacinas; Luciana Leite,
vice-presidente do Instituto Butantã, de São Paulo; e Marcos da Silva
Freire, chefe do Programa de vacinas virais da Fio-Cruz, entrevistado
sobre a questão da dengue no Brasil e perspectivas de vacinas.
Situação da dengue se agrava no Brasil
Pergunta – qual a situação atual da dengue no Brasil ?
Marcos da Silva Freire – a situação vem se agravando e a população do
mosquito se espalhou de tal forma que basicamente todos os Estados
brasileiros têm regiões infestadas pelo Aedes Aegypti, o mosquito vetor.
Isso aumentou os riscos, com a presença dos sorotipos 1, 2 e 3, de casos
graves de dengue. Como ainda não existe uma vacina contra a dengue, o
controle da doença fica na dependência do controle do mosquito. Mesmo
assim, no ano passado houve a grata surpresa de uma diminuição de casos no
Rio de Janeiro. Portanto, a situação da dengue continua um problema de
saúde pública e deve ser tratada com prioridade, mesmo porque pode causar
morte quando hemorrágico.
Pergunta – o que existe em termos de vacina ?
Marcos – em termos mundiais, existem algumas candidatas a vacina
caminhando para a fase 2. Uma delas baseada num projeto no exército
americano está na fase 1 com utilização de vírus atenuado; a outra usa o
vírus da febre amarela, está em fase 2 e vem tendo bons resultados. No
Brasil, temos alguns projetos em execução. Um também usando vírus da febre
amarela, e outro baseado em DNA, além de outros projetos.
Pergunta – quanto à malária como está no Brasil e se existe a
possibilidade de uma vacina?
Marcos – durante muito anos, a parte sul, sudeste e nordeste delimitou a
malária, controlando o vetor, o mosquito, mas hoje ela vem se tornando um
sério problema de saúde pública principalmente na região amazônica.
Encontrar-se uma vacina é coisa mais complicada do que a dengue, pois se
trata de um parasita e não de um vírus. O que existe é uma candidata
produzida pela GSK Glaxon Smithkline que utiliza uma parte de um antígeno
de hepatite B. Utilizada na África, reduziu a mortalidade nas crianças.
Não é uma vacina que proteja totalmente o indivíduo mas reduz o impacto da
doença. No Brasil, existem alguns projetos.
(09 de dezembro/2006)
CooJornal
no 506