09/12/2006
Número - 506

ARQUIVO  
RUI MARTINS

 

Rui Martins


CLIMA DE OTIMISMO NO ENCERRAMENTO

DO FÓRUM MUNDIAL DE VACINAS


 

Terminou o Fórum Mundial de Vacinas e algumas boas notícias foram lançadas. Com o lançamento do Roadmap ou caminho traçado, espera-se obter uma vacina contra o paludismo ou malária em 2025. Há também boas chances para se chegar a uma primeira vacina contra a Aids em 2015, se os testes, aqui na Tailândia e outros nos EUA confirmarem as expectativas. O Brasil compareceu com diversos cientistas representantes. Entre eles, Akira Homma, diretor de Bio-Manguinhos, que satisfeito declara ser o país auto-suficiente em matéria de vacinas do calendário; Carlos Morel, coordenador do centro de desenvolvimento tecnológio da Fio-Cruz; preocupado com o alto custo provável das novas vacinas; Luciana Leite, vice-presidente do Instituto Butantã, de São Paulo; e Marcos da Silva Freire, chefe do Programa de vacinas virais da Fio-Cruz, entrevistado sobre a questão da dengue no Brasil e perspectivas de vacinas.

Situação da dengue se agrava no Brasil

Pergunta – qual a situação atual da dengue no Brasil ?

Marcos da Silva Freire – a situação vem se agravando e a população do mosquito se espalhou de tal forma que basicamente todos os Estados brasileiros têm regiões infestadas pelo Aedes Aegypti, o mosquito vetor. Isso aumentou os riscos, com a presença dos sorotipos 1, 2 e 3, de casos graves de dengue. Como ainda não existe uma vacina contra a dengue, o controle da doença fica na dependência do controle do mosquito. Mesmo assim, no ano passado houve a grata surpresa de uma diminuição de casos no Rio de Janeiro. Portanto, a situação da dengue continua um problema de saúde pública e deve ser tratada com prioridade, mesmo porque pode causar morte quando hemorrágico.

Pergunta – o que existe em termos de vacina ?

Marcos – em termos mundiais, existem algumas candidatas a vacina caminhando para a fase 2. Uma delas baseada num projeto no exército americano está na fase 1 com utilização de vírus atenuado; a outra usa o vírus da febre amarela, está em fase 2 e vem tendo bons resultados. No Brasil, temos alguns projetos em execução. Um também usando vírus da febre amarela, e outro baseado em DNA, além de outros projetos.

Pergunta – quanto à malária como está no Brasil e se existe a possibilidade de uma vacina?

Marcos – durante muito anos, a parte sul, sudeste e nordeste delimitou a malária, controlando o vetor, o mosquito, mas hoje ela vem se tornando um sério problema de saúde pública principalmente na região amazônica. Encontrar-se uma vacina é coisa mais complicada do que a dengue, pois se trata de um parasita e não de um vírus. O que existe é uma candidata produzida pela GSK Glaxon Smithkline que utiliza uma parte de um antígeno de hepatite B. Utilizada na África, reduziu a mortalidade nas crianças. Não é uma vacina que proteja totalmente o indivíduo mas reduz o impacto da doença. No Brasil, existem alguns projetos.



(09 de dezembro/2006)
CooJornal no 506


Rui Martins é jornalista, autor de "O Dinheiro sujo da Corrupção"
correspondente internacional na Suíça
ruimartins@hispeed.ch