Sarita Barros


DOZE DE OUTUBRO

Senhora Aparecida rogai por nós. Por todos nós. Vítimas e algozes, massacrados e massacradores. Que estamos cegos e vagamos sem rumo pelos desertos da ignorância e do orgulho. Estamos necessitados de bênçãos e humildade, conforto e tolerância. Piedade Senhora Nossa. Piedade por estes filhos teus que se afastaram tanto dos preceitos do amor e da compaixão. Para estes filhos que do alto da sua soberba julgam-se acima das leis - humanas e divina. Que se acham senhores do mundo e não podem sequer lançar fora o joanete que lhes machuca o pé. Que podem matar milhões e não conseguem sequer ficar um dia mais jovem, ou aumentar uma hora na própria existência. Que devastam a Terra e são impotentes ante a gripe.

Doze de outubro.
Inocência e paz. Sorrisos infantis e lágrimas de alegria. Criança. Futuro. Esperança. 
Por quanto tempo? Crianças vão à guerra. Crianças morrem de inanição e balas em Cabul e não só em Cabul. Crianças vitimizadas na rua e em casa. Espancadas, estupradas, abandonadas, corrompidas. Crianças trabalhando para sustentarem a família. Crianças matando por não saberem fazer outra coisa. 
Crianças analfabetas, homens e mulheres analfabetos, velhos analfabetos, país analfabeto. Crianças sem saúde, homens e mulheres sem saúde, velhos sem saúde, país sem saúde.

Doze de outubro.
Dia da Padroeira do Brasil e dia da criança. Que a Santa Mãe de Deus consiga colocar em seu regaço todas os infantes. Para que as crianças sejam apenas crianças. Voltadas para o único objetivo digno delas: brincar. Para que pais e mães possam sustentar seus filhos com pão e amor, dar-lhes conforto, segurança e colo. Para que a esperança em um mundo de alegria e paz volte a florir nossos corações.


(outubro 2001)
    


Sarita Barros
produtora cultural, poeta e escritora
RS  
barros@alternet.com.br
  
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-02.htm