| Sarita Barros
AHIMSA
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Esse é o nome do primeiro artigo do Código de Ética Yoga. Ahimsa, em
sânscrito, quer dizer “não violência”. Não violência em um sentido
amplo e abrangente. Respeito à vida e à integridade própria e/ou de
outro ser (humano ou não). Integridade não apenas física, também
emocional e mental. Eu me torno violenta quando desejo mal ao outro,
quando “puxo o tapete” de alguém, quando o coração está transbordando
ódio, raiva, ressentimento, mágoa e inveja. Eu cometo violência quando
procuro cercear a liberdade do outro, quando procuro denegrir ou
desprestigiar sua imagem.
A violência é condenada em todo código ético que se presa. Nas “Tábuas
da Lei” está escrito: não matarás. O Torá e o Alcoorão também se
referem à não violência. E o Código de hamurabi com o: “olho por olho
e dente por dente” não deixava de punir a ação danosa. O respeito à
vida e à liberdade é objetivo e meta de toda sociedade sadia. Em
virtude dessa aspiração humana as ditaduras e regimes totalitários são
considerados abomináveis.
Um aspecto sutil e ao mesmo tempo virulento, portanto paradoxal, de
violência é a censura. A tesoura do censor corta pensamentos (cabeças)
e sentimentos (corações). Esse é um meio do qual se vale todo ditador.
É proibido pensar nos regimes totálitários. Aquele que pensa é o maior
inimigo do cerceador de liberdades. Quem pensa, argumenta. Quem
argumenta transforma opiniões, esclarece mentes, faz história, muda
sentimentos e, alicerçado na razão, pode vir a derrubar governos
embasados na violência. Por isso as ditaduras temem quem pensa e
procuram reprimir sua expressão.
Ao ler “Da Crítica à Censura”, de Francisco Simões, Coojornal no. 261
meu coração voltou ao tempo em que não podíamos falar o que pensávamos
nem ao amigo mais próximo, poderia ser membro da Polícia Secreta. Onde
acusações de apaniguados eram encaradas como provas irrefutáveis.
Tempo que faço questão de esquecer e peço a Deus que jamais volte.
Infelizmente o ódio, o desejo de calar quem de nós discorda, não
importa qual o meio empregado, pulula nos corações de muita gente.
Gente que se tivesse um grão de poder mandaria espancar, torturar,
quebrar os dentes e esmagar boca e dedos de quem ousou falar ou
escrever algo discordante da opinião sacrossanta do “dono da verdade”.
Pessoas sem argumento, incapazes da convivência, ineptos para o
exercício democrático. Pessoas que não toleram a diferença, a
diversidade, a liberdade de opinião.
Divido com vocês este poema feito em momento de dor, quando meus
alunos desapareciam. Levados ou fugidos.
OPRESSÃO
São paredes/altos muros/muralhas de silêncio.
São pedras de sangue/afogando/engasgando/rasgando.
São ondas de orgulho
Submergindo
Vida abençoante/que palpita escondida
Entre homens/irmãos/amantes
Num mundo desesperançado/esvaziado de amor.
O Yama existe, pelo menos, há cinco mil anos. É o conjunto de
elementos que devemos evitar: não violência, não mentir, não
roubar, não perversão sexual e não possessividade. E nessa ordem,
porque os sábios legisladores hindus sabiam que a violência leva à
mentira que leva ao roubo que leva ao abuso sexual e à possessividade.
Seqüencia essa que nos encadeia à Roda de Samsara. Que nos alija da
Liberdade. Da Iluminação da Consciência.
(08 de junho/2002)
CooJornal no 262
Sarita
Barros
produtora cultural, poeta e escritora
RS
barros@alternet.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-02.htm