| Sarita Barros
ALEGRIA NA CORTE
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No Reino Fazdeconta tudo corre às maravilhas. Vinte e quatro
embaixadores mostraram ao universo sua soberania. Nada nem ninguém
pode empanar sua glória pelas galáxias infindas. Rei Nando preparou
uma festa sem igual para os heróis que voltaram repletos de glória e
honra. No parlatório do palácio elevou (até onde suas forças
permitiram) o troféu conquistado e beijou-o enlevado. Dona Rutileza
sorria satisfeita. O povo em delírio esqueceu seus problemas.
Entregou-se à efêmera alegria. O ladrão esqueceu de roubar, o faminto
de comer, o desempregado de procurar emprego, o credor de cobrar sua
dívida.
Rei Nando de tão feliz aproveitou para engavetar o processo contra o
crime organizado, por sinal a única entidade que trabalhou enquanto às
festas. Rei Nando quer entronizar seu sucessor, assim não perderá a
Majestade. Colocar tropas do Rei em feudo amigo? Jamais!
O Vizir da Justiça pediu as contas e com ele grande parte dos seus
comandados. Rei Nando não consegue tomar pé com esse vizirado, já vão
nove vizires dessa pasta. Por que será?
Rei Nando passeia sua beleza nas cortes estrangeiras ostentando
brilhos e ouropéis. Está entre seus pares, o décimo em riqueza.
Vaidoso e bem falante põe alguma sujeirinha debaixo do tapete, algo
assim como a metade dos seu súditos estarem abaixo da linha da
miséria, o salário mínimo ser o mais mínimo das cercanias. Até o seu
menor e mais pobre vizinho paga melhor. Mas esse vizinho não conta,
não consegue andar de braços com o Rei de França...
(13 de julho/2002)
CooJornal no 267
Sarita
Barros
produtora cultural, poeta e escritora
RS
barros@alternet.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-02.htm