13/07/2002
Número - 267


 

Sarita Barros



ALEGRIA NA CORTE

No Reino Fazdeconta tudo corre às maravilhas. Vinte e quatro embaixadores mostraram ao universo sua soberania. Nada nem ninguém pode empanar sua glória pelas galáxias infindas. Rei Nando preparou uma festa sem igual para os heróis que voltaram repletos de glória e honra. No parlatório do palácio elevou (até onde suas forças permitiram) o troféu conquistado e beijou-o enlevado. Dona Rutileza sorria satisfeita. O povo em delírio esqueceu seus problemas. Entregou-se à efêmera alegria. O ladrão esqueceu de roubar, o faminto de comer, o desempregado de procurar emprego, o credor de cobrar sua dívida.

Rei Nando de tão feliz aproveitou para engavetar o processo contra o crime organizado, por sinal a única entidade que trabalhou enquanto às festas. Rei Nando quer entronizar seu sucessor, assim não perderá a Majestade. Colocar tropas do Rei em feudo amigo? Jamais!

O Vizir da Justiça pediu as contas e com ele grande parte dos seus comandados. Rei Nando não consegue tomar pé com esse vizirado, já vão nove vizires dessa pasta. Por que será?

Rei Nando passeia sua beleza nas cortes estrangeiras ostentando brilhos e ouropéis. Está entre seus pares, o décimo em riqueza. Vaidoso e bem falante põe alguma sujeirinha debaixo do tapete, algo assim como a metade dos seu súditos estarem abaixo da linha da miséria, o salário mínimo ser o mais mínimo das cercanias. Até o seu menor e mais pobre vizinho paga melhor. Mas esse vizinho não conta, não consegue andar de braços com o Rei de França...


(13 de julho/2002)
CooJornal no 267
    


Sarita Barros
produtora cultural, poeta e escritora
RS  
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