| Sarita Barros
NATUREZA EM ALTA
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Semana passada fiquei feliz ao abrir o Coojornal. Nada menos que três
cronistas nos brindaram com vitalidade, através de “ANDAR É VIVER,
CORES DE INVERNO E PÔR-DO-SOL”.
Mergulhamos na alma do cronista através da sua alegria em caminhar
admirando a paisagem de Ipanema. Deslumbrarmo-nos com a Quaresmeira,
suas cores e épocas. — A primeira vez que subi a serra catarinense
quase desmaiei de emoção ante aqueles morros coloridos. Senti vontade
de voar sobre eles e comer toda aquela beleza. Tenho uma certa
belofagia, quando vejo algo lindo quero integrá-lo em mim. O
antropófago ancestral se manifesta e me dá uma vontade danada de
engolir, mastigar. Literalmente babei através daquela serra —.
Aplaudimos o espetáculo do sol que se põe: “o sol, ainda um
adolescente saltitante, brinca de pique-esconde atrás do Morro Dois
Irmãos rajando o céu de um vermelho que se esmaece em laranja para
logo além se pintar em púrpura”. Que descrição magistral de. A
menina fez das letras pincéis e pintou o arrebol em palavras.
A natureza nos aproxima de Deus e nos faz esquecer a discórdia, e o
mau caratismo que infesta a sociedade. Se nos dedicássemos mais a ela
(natureza) viveríamos menos este artificialismo que nos consome.
Através das paisagens de dentro e da exaltação da beleza natural nossa
alma encontra paz e alegria.
Não a paz da imobilidade, do nada sentir e fazer. Que isso não é paz,
é paralisação do sentir e agir. Mas a paz verdadeira, aquela que nos
diz termos um lugar no mundo. Que nos diz não precisarmos nos
preocupar, pois nenhum ladrão irá roubá-lo, nem rato algum haverá de
roê-lo. Essa paz é que nos dá forças para investir em aperfeiçoamento,
desenvolver nossa criatividade, aprimorar nossa produtividade. Nos faz
cidadãos, patriotas, solidários, amigos, tolerantes e compassivos.
Essa paz é que nos dá a fé que remove montanhas, a esperança no futuro
da humanidade, o amor que nos liberta.
Não a alegria barata traduzida em um riso sem brilho. Mas a alegria
interior traduzida em contentamento. Contentamento que é um cântico de
louvor ao Criador e Sua Obra. Alegria de nos sabermos filhos e
herdeiros Dele. Alegria advinda da confiança de repousarmos em Sua
mão. Alegria advinda do conhecimento de existir um Poder maior que o
do FMI e do Tio Sam juntos. E que esse Poder é justo. Que esse Poder
jamais irá tomar o que possuímos em troca de verdinhas emitidas para
esse fim: tomar o que temos de precioso. Por fugirmos da Natureza, por
nos desvincularmos do natural e nos submetermos ao normal estamos
pagando um alto preço. O normal nos robotizou, tirou nossa
independência e soberania. Nos fez esquecer nossa origem e nos
transformou em capacho do Deus Mercado. A esse falso deus e seus
apaniguados empenhamos futuro, glória, honra, bens e vergonha.
(10 de agosto/2002)
CooJornal no 271
Sarita
Barros
produtora cultural, poeta e escritora
RS
barros@alternet.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-02.htm