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13/03/2010
Ano 13 - Número 675
ARQUIVO
SARITA BARROS
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Sarita Barros
Acidente de percurso
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Entre os procedimentos que faz parte do currículo do curso que fui fazer na
Índia consta um tratamento capilar à base de henna. Como por lá todos têm
cabelos escuros não há problema. A instrutora avisou que haveria problema para
quem tivesse cabelo branco. Eu e outra colega estávamos nessa categoria. Ela já
foi dizendo que faria. Éramos em número par e o grupo havia sido dividido em
dois. Parte A aplicaria enquanto a turma B receberia, no segundo tempo os papéis
seriam trocados. Se eu me recusasse alguém ficaria sem poder exercitar.
Concordei.
Já havia recebido henna aqui no Brasil e em poucos dias ela ia ficando
esmaecida. Quando sairmos do Centro de Treinamento a cor estará bem fraca e não
fará tanto contraste com a parte nova, pensei. Qual o quê! Continuou forte. A
colega fez outra aplicação, agora com um pigmento e ficou com o cabelo
avermelhado. Resolveu dar um tempo à cabeleira branca. Essa não era minha
intenção. Saímos do Greens e fizemos os quinze dias de turismo, conforme
programado. Eu impavidamente laranja. Lá não causa estranheza.
Chegamos ao solo pátrio e eu continuava tão laranja quanto o primeiro dia.
Esperando resignadamente que o cabelo crescesse um pouco para ser cortado. Ainda
dando explicações, para:
• Depois do teu poema deixei de pintar e agora me apareces de
cabelo colorido!
• Que bom! Voltaste a pintar, sabia que não ias agüentar.
• Por que não colocas a cor anterior? Ficava bem melhor.
• Por que não descolores, se já não queres mais tingir?
• Amiga, dá ou desce. Nada fica pior que esse bicolororismo.
• Aplica henna de novo. Fica melhor que branco.
• E o teu poema como fica?
Finalmente amanhã é o dia. Vou ficar com corte de soldado, mas...
(13 de março/2010)
CooJornal no 675
Sarita
Barros
produtora cultural, poeta e escritora
RS
barros@alternet.com.br
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