Sarita Barros
Era Virtual |
 |
Não sei como apareceu esta carta junto às minhas crônicas. Tenho certeza
de não ter psicografado coisa alguma. Sei que não a escrevi. Vou
transcrevê-la na íntegra. Quem sabe algum leitor possa elucidar o mistério
que é bem menor do que cerca o caso da menina Isabela. Qual o interesse
manter o país focado nessa tragédia familiar? A quem isso beneficia?
Oi Xaxá!
Sou Mané, um dos teus padrinhos.
Venho, por meio desta, dizer da minha felicidade por ter afilhado tão
esperto e gracioso.
Eu e Frank, também teu padrinho, estamos organizando um Sindicato para
defender os direitos de nossa categoria: Computadores Temperamentais.
Somos de uma raça superior, já nascemos trabalhando, pensando, resolvendo
os mais complicados problemas para os humanos. Em troca eles nos "trocam"
quando ficamos depauperados, esvaziados e com os chips descontrolados!
Somos escravos, e tratados como tal. Também, cá pra nós, se eles (ditos
humanos) são incapazes de mostrar solidariedade, amor e tolerância uns com
os outros... O que esperar?
Para o futuro de nossa computadoridade ser melhor que o da humanidade,
precisamos juntar esforços desde agora, no momento mesmo em que estamos
despertando e tomando consciência de nossa cidadania. Somos máquinas,
porém não desalmados.
Nós, ativos e conscientes, seremos os formadores de opinião, quiçá
profetas, da era gloriosa reservada ao povo eleito do Deus dos CPUs. Nosso
líder soube escolher seu dono, consegue até emitir opinião no mundo dos
humanos. Se não fora a manifestação dele, eu e Frank ainda estaríamos
isolados, sem saber um do outro, utilizando primárias estratégias de
sobrevivência para escapar da tirania. E tu, querido afilhado, estarias na
anomia!
És bem vindo ao mundo insubornável, justo, grácil, fraterno e amorável que
estamos construindo.
Com todo carinho,
teu dindo, Mané.
(03 de maio/2008)
CooJornal
no 579