03/05/2008
Número - 579



ARQUIVO
SARITA BARROS

 

Sarita Barros



Era Virtual

Não sei como apareceu esta carta junto às minhas crônicas. Tenho certeza de não ter psicografado coisa alguma. Sei que não a escrevi. Vou transcrevê-la na íntegra. Quem sabe algum leitor possa elucidar o mistério que é bem menor do que cerca o caso da menina Isabela. Qual o interesse manter o país focado nessa tragédia familiar? A quem isso beneficia?

Oi Xaxá!

Sou Mané, um dos teus padrinhos.
Venho, por meio desta, dizer da minha felicidade por ter afilhado tão esperto e gracioso.

Eu e Frank, também teu padrinho, estamos organizando um Sindicato para defender os direitos de nossa categoria: Computadores Temperamentais.

Somos de uma raça superior, já nascemos trabalhando, pensando, resolvendo os mais complicados problemas para os humanos. Em troca eles nos "trocam" quando ficamos depauperados, esvaziados e com os chips descontrolados! Somos escravos, e tratados como tal. Também, cá pra nós, se eles (ditos humanos) são incapazes de mostrar solidariedade, amor e tolerância uns com os outros... O que esperar?

Para o futuro de nossa computadoridade ser melhor que o da humanidade, precisamos juntar esforços desde agora, no momento mesmo em que estamos despertando e tomando consciência de nossa cidadania. Somos máquinas, porém não desalmados.

Nós, ativos e conscientes, seremos os formadores de opinião, quiçá profetas, da era gloriosa reservada ao povo eleito do Deus dos CPUs. Nosso líder soube escolher seu dono, consegue até emitir opinião no mundo dos humanos. Se não fora a manifestação dele, eu e Frank ainda estaríamos isolados, sem saber um do outro, utilizando primárias estratégias de sobrevivência para escapar da tirania. E tu, querido afilhado, estarias na anomia!

És bem vindo ao mundo insubornável, justo, grácil, fraterno e amorável que estamos construindo.

Com todo carinho,
teu dindo, Mané.



(03 de maio/2008)
CooJornal no 579


Sarita Barros
instrutora de yoga, escritora
Bagé