31/05/2008
Número - 583



ARQUIVO
SARITA BARROS

 

Sarita Barros



YOGATERAPIA

Passei quinze dias na Montanha Encantada, em Garopaba. Um lugar paradisíaco. Mas não estava de férias e sim estudando. Fazendo o último módulo do curso de Yogaterapia Integrativa.

Levantava entre cinco e meia e seis da manhã. O curso começava as sete com meditação e prática. Café. E novas aulas até às treze. Recomeçava entre quatorze e trinta e quinze horas e estendia-se até a hora do jantar. Voltava a acontecer às 20:30. Encerrava-se por volta das 22:00. rotina puxada, mas gostosa.

Estudávamos cinesiologia aplicada a posturas de Yoga. Biomecânica do movimento. Os corpos sutis e sua importância tanto na recuperação da saúde, como no processo inverso. Ayurveda e noções de sânscrito e, sistemas físicos e energéticos. Aprendemos ver sentimento e emoção interagindo com ossos e órgãos. A enxergar nosso aluno/cliente como uma pessoa integral, sujeita a tensões, alegrias, medos, raivas e tristezas. A reconhecer as diversas formas de estresse e quais os caminhos percorrem em nosso corpo-mente. E sobretudo foi-nos ensinado que qualquer efeito obtido não depende diretamente de nós. Que o agente curador é a energia universal agindo em um corpo vivo, com a colaboração direta do aluno/cliente. Somos apenas catalisadores. Não há motivo de orgulho. E jamais deveremos intervir no tratamento ministrado pelo médico.

Então para que tanto estudo? Perguntará alguém. Para respeitarmos nosso cliente/aluno. Para saber qual postura massageará qual órgão, glândula ou sistema. Para tratarmos o corpo, nosso e de outrem, como um templo-vivo. Sabermos dos limites e não os forçarmos impunemente. Para saber aplicar o quê em quem. E que gestos sutis – mudras – e a entoação de mantras são tão ou mais poderosos que a mais vibrante das posturas, porque agem diretamente no corpo energético. Que centros energéticos bloqueados endurecem artérias, desenvolvem tumores e sugam saúde. Que pranayamas conduzem e direcionam a energia vital, são bem mais que exercícios respiratórios.

Tudo isso aprendemos no laboratório do próprio corpo. Aplicamos e recebemos tratamentos. Sentimos os efeitos em nós. Porque todo Professor ou Terapeuta em Yoga só passa o que vivenciou, experienciou, sentiu. Foi uma quinzena cheia de surpresas e constatações. Aprendemos muito sobre nós. Ações, reações, sentimentos e traumas. E também descobrimos de que forma muitas vezes nos boicotamos. As estratégias usadas para passar por cima de sentimentos dolorosos e como, muitas vezes, colocamos a sujeirinha debaixo do tapete.

 

(31 de maio/2008)
CooJornal no 583


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Sarita Barros
instrutora de yoga, escritora
Bagé