Sarita Barros
YOGATERAPIA |
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Passei quinze dias na Montanha Encantada, em
Garopaba. Um lugar paradisíaco. Mas não estava de férias e sim estudando.
Fazendo o último módulo do curso de Yogaterapia Integrativa.
Levantava entre cinco e meia e seis da manhã. O curso começava as sete com
meditação e prática. Café. E novas aulas até às treze. Recomeçava entre
quatorze e trinta e quinze horas e estendia-se até a hora do jantar.
Voltava a acontecer às 20:30. Encerrava-se por volta das 22:00. rotina
puxada, mas gostosa.
Estudávamos cinesiologia aplicada a posturas de Yoga. Biomecânica do
movimento. Os corpos sutis e sua importância tanto na recuperação da
saúde, como no processo inverso. Ayurveda e noções de sânscrito e,
sistemas físicos e energéticos. Aprendemos ver sentimento e emoção
interagindo com ossos e órgãos. A enxergar nosso aluno/cliente como uma
pessoa integral, sujeita a tensões, alegrias, medos, raivas e tristezas. A
reconhecer as diversas formas de estresse e quais os caminhos percorrem em
nosso corpo-mente. E sobretudo foi-nos ensinado que qualquer efeito obtido
não depende diretamente de nós. Que o agente curador é a energia universal
agindo em um corpo vivo, com a colaboração direta do aluno/cliente. Somos
apenas catalisadores. Não há motivo de orgulho. E jamais deveremos
intervir no tratamento ministrado pelo médico.
Então para que tanto estudo? Perguntará alguém. Para respeitarmos nosso
cliente/aluno. Para saber qual postura massageará qual órgão, glândula ou
sistema. Para tratarmos o corpo, nosso e de outrem, como um templo-vivo.
Sabermos dos limites e não os forçarmos impunemente. Para saber aplicar o
quê em quem. E que gestos sutis – mudras – e a entoação de mantras são tão
ou mais poderosos que a mais vibrante das posturas, porque agem
diretamente no corpo energético. Que centros energéticos bloqueados
endurecem artérias, desenvolvem tumores e sugam saúde. Que pranayamas
conduzem e direcionam a energia vital, são bem mais que exercícios
respiratórios.
Tudo isso aprendemos no laboratório do próprio corpo. Aplicamos e
recebemos tratamentos. Sentimos os efeitos em nós. Porque todo Professor
ou Terapeuta em Yoga só passa o que vivenciou, experienciou, sentiu. Foi
uma quinzena cheia de surpresas e constatações. Aprendemos muito sobre
nós. Ações, reações, sentimentos e traumas. E também descobrimos de que
forma muitas vezes nos boicotamos. As estratégias usadas para passar por
cima de sentimentos dolorosos e como, muitas vezes, colocamos a sujeirinha
debaixo do tapete.
(31 de maio/2008)
CooJornal no 583
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