Sarita Barros
Na contra-mão |
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Não, não vou falar sobre a mulher aquela que
guiou nove quilômetros na pista contrária. Faz tempo ando pensando em não
dar força à violência. Não colocar minha energia nela. Hoje lembrei uma
frase atribuída à irmã Tereza de Calcutá. Dizem que uma vez inquirida
sobre determinada passeata contra não sei qual guerra, respondeu: “jamais
eu participaria de uma passeata contra a guerra, se fosse a favor da paz,
sim”. Não sei se realmente aconteceu tal diálogo, porém é uma resposta
sábia.
Eu de Madre Tereza nada tenho, a não ser,
talvez, essa ojeriza pela violência. Então tomei a resolução: não mais
falarei nela. Farei o possível para manter-me fiel ao mandado. Se isso for
alienação, serei alienada.
Cá pra nós, que ninguém nos ouça, o assunto
fica mais difícil. Porque jornais e a mídia em geral, veiculam notícias
ruins. Parece que felicidade e bom caratismo não dão ibope. A
centenária salva na China saiu rapidinho do centro das atenções. Estamos
viciados em tragédias. Dizem que o Governo pagou a dívida externa que se
arrastava desde o Império. Ouvi uma só vez e ninguém aplaudiu. Não
espocaram foguetes e fogos de artifício não enfeitaram os céus. Fico
pensando: será que ouvi certo? Tanto que nem comentei com quem quer que
seja, vai ver que não é. Não era para o próprio Governo estar se
pavoneando? Não foi comemorado por quê?
Isso é que nem amor. Ninguém considera que
um amor é grande, lindo, maravilhoso se não houver choro, lágrimas e ais.
Para ser um verdadeiro e inabalável amor um tem de humilhar-se e
arrastar-se em função do outro. Tem de haver submissão, vítima e vitimador.
Bodas de ouro é caretice. Respeito, carinho, compreensão e solidariedade
não qualificam, com cinco estrelas, uma relação. Porém se houver traição,
barraco e arranca rabo com mega-dose de ciúme, esse sim é um verdadeiro e
único amor. Mirem-se nas novelas da Globo e outras tais.
O cidadão que levanta às cinco e chega em
casa por volta das vinte e duas, será considerado bom pai de família e
esposo? Periga a sogra chamá-lo de paspalho e sem visão. E enaltecer as
virtudes de um pilantra qualquer desde que tenha os bolsos cheios de
reais, bem havidos ou não.
Viram só como é difícil? Estou matraqueando
adoidado e, por enquanto só malhei. Não enalteci neguinho algum. Mas
qualquer dia tomo jeito. O negócio é saber olhar e escutar. Treinar os
sentidos para as coisas agradáveis, sadias e histórias com finais felizes,
meios felizes e inícios felizes.
(07 de junho/2008)
CooJornal no 584
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