Sarita Barros
GRATIDÃO |
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Graças meu Deus pelo dia de hoje. Por este minuto de vida. Faz com que eu o qualifique da melhor maneira possível. Que, pelo menos hoje, eu não reclame. Que, pelo menos hoje, eu sinta a pura alegria de viver.
Semana passada, uma amiga me falou sobre a importância do agradecer. Foi procedente. Andamos neste mundo como se fôssemos donos de tudo. Do ar, das águas, da terra. E nem a própria pele nos pertence. Também semana passada, recebi um correio eletrônico onde, segundo estatísticas, se a população mundial, mantendo as proporções atuais, fosse reduzida a 100 pessoas, teríamos setenta analfabetos e um universitário. Apenas uma possuiria computador. Não sei baseada em quais dados foi feita essa projeção. Não deve estar longe da realidade. Mais de dois bilhões de pessoas não sabem ler.
Pensando nisso somos seres altamente privilegiados e, no entanto, quantas vezes ao despertarmos, já abrimos os olhos resmungando? Achando que deveria ser um dia de sol, ou chuvoso, ou isto e mais aquilo? Quantas vezes ao pular da cama nosso primeiro pensamento é pura revolta, mágoa, tristeza? E nem nos damos conta da graça da vida. Que temos pessoas que nos amam. Outras a quem amamos. Contamos como coisa certa o café da manhã. O leite, o almoço, a fruta. Nem imaginamos o privilégio que é encontrar coisas dentro da geladeira. Ter geladeira! Ter o dinheiro da condução. Ter condução!
Ontem o Globo Repórter discorreu sobre pessoas que inexistem legalmente. Gente que trabalhou a vida inteira e não tem direito à aposentadoria. Sem registro oficial. Sem cidadania. Sem direito a ser enterrada. E ainda reclamamos da vida!
Tudo à nossa volta é milagre. Pequenos milagres. Milagres do cotidiano. Nem por isso menos espetacular. Sim. Devemos agradecer. Ser gratos, pela vida, pela saúde, pelo amor. Pelo nosso intestino funcionar todas as manhãs. Pela filtragem dos rins. Por respirarmos sem impedimento. Por nos darmos ao luxo de escolher o que comer. Por enxergarmos. Por podermos chorar de alegria ou tristeza. Por falar e ouvir. Pelas mãos e suas funções de tocar, afagar, abraçar. Por podermos caminhar e sorrir e rir e gargalhar.
A vida nos concedeu graças. Graças tantas que não podemos enumerá-las todas. E vociferamos aos céus cada vez que tropeçamos em coisicas mesquinhas...
(19 de julho/2008)
CooJornal no 590