|
Sarita Barros
Momento Azul
|

|
Após vento e chuva a praça estava azul. Canteiros, passeios, alamedas.
Tudo azul. Quando vi todo aquele azul esparramado, não resisti, atendi ao
chamado da praça.
Fui entrando devagarinho para não assustar as fadas que por certo ali
brincavam. O sol aguado que conseguia furar a névoa emprestava ao ambiente
um aspecto surreal e aumentava o encantamento. Fiquei temerosa de olhar
para os Jacarandás, deveriam estar despidos das suas cores. Surpresa! As
velhas árvores ostentavam belas flores.
Semi-cerrando os olhos dei uma panorâmica e vi azul em toda parte, só o
azul transparecendo. Lembrei minha amiga Sonia: “Sarita temos de andar
sempre com a máquina na mão, nunca se sabe quando o instante vai surgir”.
Verdade, porém, tenho o péssimo hábito de andar com as mãos livres.
Carrego bolsa só por obrigação. Assim mesmo no ombro ou tipo carteiro. E
quanto mais leve, melhor. Mas senti demais não poder registrar aquele
azul, bordado aqui e ali de rosa e amarelo. Manchas essas resultantes do
amoroso trabalho das Três-Marias (buganvilles) e Tipuanas.
Silveira Martins no alto do seu bronze ostenta condecorações florais.
Efêmeras, porém, não menos sinceras do que as recebidas das mãos do
Imperador. E, agora, para ele, estas presenteadas pelo espírito vegetal
são, talvez, mais duradouras que as de ouro, prata ou bronze.
Olhando em volta tive imensa inveja do cachorro que rolava na grama azul.
Saiu todo carimbado. Sinto um leve contato em minha orelha e ao olhar o
ombro direito vejo a flor sorrindo para mim. Levanto os olhos e
silenciosamente agradeço ao Jacarandá. Pelo carimbo, pelo beijo, pelo
carinho.
(21 de novembro/2009)
CooJornal no 659