As deusas indianas são fortes, poderosas e independentes. Vejamos algumas:
• Parvati (esposa de Shiva – o transformador) transformou-se em fúria quando
ele matou o filho deles por engano. O deus, morto de remorsos, enviou
emissários em busca da cabeça do primeiro ser vivo que encontrassem, para
transplantar no corpo sem vida. Assim “nasceu” Ganesh o deus com cabeça de
elefante. E Parvati, ainda furiosa, determinou que ele fosse cultuado antes
de qualquer deus, que seria o primeiro entre todos. E assim foi.
• Saraswati (esposa de Brahma) por ele aparecer acompanhado de outra em uma
cerimônia, o amaldiçoou e decretou que jamais seria honrado em templo algum.
Em vão o divino consorte pediu clemência. Até que ela se apiedou e propôs
saírem juntos. Disse ao Criador-do-Mundo que no lugar onde caísse a rosa que
levava entre as mãos seria erguido um templo a ele. E assim foi.
• Durgha possui aspecto guerreiro, oito braços e cavalga um tigre ou leão. É
matadora de demônios e os três deuses (Brahma, Vishnu – o mantenedor e Shiva)
imploraram de joelhos que os livrasse do rei dos demônios. E assim foi.

Durgha
As deusas são veneradas e adoradas por toda a Índia. Tanto o Hinduísmo, como
o Budismo e o Jainismo reconhecem o poder feminino (shakti). Os indianos
reverenciam suas mães e a maioria, mesmo adultos, obedecem mamaji. A mãe
representa a deusa.
No entanto, os indianos desconsideram a mulher. As esposas servem de
empregadas na casa dos sogros. As filhas são vistas com maus olhos. O filho
é investimento, a filha representa uma dívida.
Há uma lei proibindo o dote, porém, como a tradição é mais forte, continua
sendo válido. Quando estive no Greens uma terapeuta (17) estava de casamento
tratado e quase não conhecia o noivo. Começou a ficar inquieta, distraída,
olhando o vazio. “Vai casar no mês que vem, precisa pensar, sua vida vai
mudar muito”, diziam as outras com um misto de piedade e admiração. Soube há
pouco que deixou o emprego. Está na casa dos pais ultimando os preparativos.
Ao contrário das deusas, as mulheres indianas, me parecem, em sua maioria,
fracas, submissas e dependentes. Pelos menos é a impressão que tenho pelo
que vi e li. Pode ser uma visão distorcida, porque há mulheres em posições
de comando.
A Índia surpreende. Gostaria de ficar nesse país, no mínimo, um ano. Morar,
conviver, andar de metrô, vizinhar. Tentar descobrir porque a deusa só se
revela na mãe.

Noivos em Kerala
(08 de maio/2010)
CooJornal no 683