01/05/2010
Ano 13 - Número 682


 
 

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SARITA BARROS

 



Seus poemas em
Expressão Poética

 



Sarita Barros

 

Deusas

Sarita Barros, colunista - CooJornal

As deusas indianas são fortes, poderosas e independentes. Vejamos algumas:
• Parvati (esposa de Shiva – o transformador) transformou-se em fúria quando ele matou o filho deles por engano. O deus, morto de remorsos, enviou emissários em busca da cabeça do primeiro ser vivo que encontrassem, para transplantar no corpo sem vida. Assim “nasceu” Ganesh o deus com cabeça de elefante. E Parvati, ainda furiosa, determinou que ele fosse cultuado antes de qualquer deus, que seria o primeiro entre todos. E assim foi.
• Saraswati (esposa de Brahma) por ele aparecer acompanhado de outra em uma cerimônia, o amaldiçoou e decretou que jamais seria honrado em templo algum. Em vão o divino consorte pediu clemência. Até que ela se apiedou e propôs saírem juntos. Disse ao Criador-do-Mundo que no lugar onde caísse a rosa que levava entre as mãos seria erguido um templo a ele. E assim foi.
• Durgha possui aspecto guerreiro, oito braços e cavalga um tigre ou leão. É matadora de demônios e os três deuses (Brahma, Vishnu – o mantenedor e Shiva) imploraram de joelhos que os livrasse do rei dos demônios. E assim foi.

Durgha
Durgha


As deusas são veneradas e adoradas por toda a Índia. Tanto o Hinduísmo, como o Budismo e o Jainismo reconhecem o poder feminino (shakti). Os indianos reverenciam suas mães e a maioria, mesmo adultos, obedecem mamaji. A mãe representa a deusa.

No entanto, os indianos desconsideram a mulher. As esposas servem de empregadas na casa dos sogros. As filhas são vistas com maus olhos. O filho é investimento, a filha representa uma dívida.

Há uma lei proibindo o dote, porém, como a tradição é mais forte, continua sendo válido. Quando estive no Greens uma terapeuta (17) estava de casamento tratado e quase não conhecia o noivo. Começou a ficar inquieta, distraída, olhando o vazio. “Vai casar no mês que vem, precisa pensar, sua vida vai mudar muito”, diziam as outras com um misto de piedade e admiração. Soube há pouco que deixou o emprego. Está na casa dos pais ultimando os preparativos.

Ao contrário das deusas, as mulheres indianas, me parecem, em sua maioria, fracas, submissas e dependentes. Pelos menos é a impressão que tenho pelo que vi e li. Pode ser uma visão distorcida, porque há mulheres em posições de comando.

A Índia surpreende. Gostaria de ficar nesse país, no mínimo, um ano. Morar, conviver, andar de metrô, vizinhar. Tentar descobrir porque a deusa só se revela na mãe.


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(08 de maio/2010)
CooJornal no 683


Sarita Barros
escritora, instrutora de yoga
Bagé, RS

sarita.b@terra.com.br
www.culturasulbage.com.br 
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/sarita-barros.htm



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