16/08/2019
Ano 22 - Número 1.137



ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



DIZER OU NÃO DIZER



Francisco Simões, colunista - CooJornal

 
Eu conheci e conheço pessoas, diversas, que não admitem falar em idade e, portanto jamais dizer quando nasceram. Desculpem, mas eu acho isto uma imensa bobagem.

Em verdade eu jamais escondi quando nasci e, portanto a minha verdadeira idade. Este tipo de atitude eu tenho há muitos anos, desde mais jovem e mesmo agora quando já vivi muito e muito mesmo.

Costumo dizer que já estou no meu futuro e creiam é a pura verdade. Afinal eu nasci no ano de 1936 e se fizerem direito as contas verão que venho mesmo de longe e já conheci meu passado e presente por longo tempo. E sigo em frente.

Quando somos jovens ou muito antes encaramos a vida sempre querendo ter mais idade, não sei o porquê, mas confesso que não fui o único a pensar assim. Nem sempre a vida foi como gostaríamos que fosse, porém eu não posso reclamar de nada.

Quando nasci acabei sendo o primogênito de nove irmãos e irmãs. Como todos podem ver eu nasci por primeiro, portanto sou o mais velho de todos, daí a expressão “primogênito”.

Além de mim meus pais acabaram tendo mais 9 filhos e filhas. Naquele tempo eu não direi que era normal, mas dependendo da situação financeira de cada família isto podia ocorrer.

Se já fomos dez irmãos e irmãs, hoje quis a vida que sejamos apenas seis, pouco mais da metade do número que meus pais conseguiram pôr no mundo. Vejam que eles capricharam ou deram muita sorte, se posso dizer assim, pois já fomos 5 homens e 5 mulheres.

O empate até que foi providencial podem crer. Quanto à vida que cada um levou ou tem levado aí varia muito. Afinal em certos casos é o destino que nos leva para isto ou aquilo e em outros cada qual chegou a poder escolher por onde trilhar na vida.

Este foi o meu caso. Imaginem que desde cedo eu já queria trabalhar, mesmo contra a vontade de meus pais. Eles temiam que isto pudesse prejudicar-me nos estudos. Eu sempre disse a eles que jamais isto aconteceria e realmente nunca perdi algum ano no Colégio que eu frequentei, o Nazaré, particular e comandado por Irmãos Maristas.

Ademais cheguei a frequentar também o CPOR, onde eu tinha que estudar por cerca de dois anos e nas férias escolares costumávamos sair para fazer exercícios de guerra fingida no meio do mato. Eu escolhi então ser da Infantaria a arma que diziam que era mais exigente e dar mais trabalho. Não me arrependi. Posso afirmar que foi também uma escola de vida.

Se eu errei anos depois em algum casamento meio precipitado o fato é que depois acertei. Sim, mas quis o destino que esta alegria, esta felicidade tivesse um tempo determinado. Então depois de mais de 30 anos de convivência a vida de minha esposa se extinguiu. Era o final de mais uma etapa de vida em que eu não fiquei totalmente só, pois a mesma vida que me roubou a segunda esposa me concedeu ter uma amiga maravilhosa que desde a doença da segunda esposa esteve ao meu lado e ao lado dela.

Alguns anos depois eu acabei, já com idade meio avançada, mergulhando numa terceira união que bem ou mal vai durando até agora. Mas qual o motivo de eu estar a falar isto tudo sobre meu viver se o motivo inicial que me levou a escrever este texto foi a idade?

Bem, amigos e amigas, hoje, casado, agora há pouco mais de onze anos, estou chegando aos 83. É verdade gente, e eu completo justamente agora no dia 17/Agosto. Alguns até me criticam por eu me expor, a verdade é que não vejo nada demais nisto, ou seja, em confessar a verdadeira idade que eu tenho.

Por outro lado admito que cada um se reserve o direito de informar ou não quantos anos já completou, claro. Assim sendo e talvez não por falta de assunto, todavia não querendo mergulhar em política o que me desgastaria muito mais, decidi escrever este texto hoje pela aproximação com a data de mais um aniversário meu.

Aceito parabéns, mesmo aos 83 anos, entretanto reconheço o direito daqueles que preferem ignorar e nada dizer. E vamos em frente, como dizia um bom amigo no passado, que atrás vem gente. Parabéns, digo eu a todos os amigos e amigas que me aturaram lendo este texto. Obrigado.



Comentários sobre o texto podem ser enviados diretamente ao autor, no email fm.simoes82@gmail.com







Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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