01/05/2017
Ano 20 - Número 1.027

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões


“Benditos aqueles que enxergam o melhor nas pessoas e falam para elas o quanto são especiais”

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal




Eu estava pensando sobre o tema que usaria em meu novo texto e logo me veio algo para eu desenvolver em cima do tema mais divulgado atualmente na mídia de nosso país: a corrupção na política, ou o mar de lama, a podridão desenfreada que vemos e ouvimos na TV, lemos nas revistas e jornais todo dia e a todo momento. O título seria “Um esgoto a céu aberto”.

Escrevi então para minha boa amiga Irene Serra, a dona e editora da revista RIO TOTAL, onde se encaixa este magnífico CooJornal. Coloquei para ela a dúvida em que eu me encontrava, quando a amiga me respondeu: “Simões, o pessoal anda carente de alegria, de leituras mais amenas. O povo anda meio perdido. Política vê-se em todos os jornais e revistas, ouve-se nas rádios e televisões. Apesar de termos de empunhar a bandeira contra essa maldição, sinto que saturou, amigo.”

E ela completou com informações que me convenceram a usar o outro tema, justo o que está ali em cima e que eu recebera há uns dias no final da mensagem de uma amiga recente e assídua. Não tenho nenhuma vergonha, pelo contrário, em usar o que alguém me enviou sem este propósito, claro que não, nem em fazer a revelação acima. Eu sou assim, aberto, franco, direto, amigo sempre dando valor ao que julgo merecer. Neste caso ajudado que fui pela opinião da grande amiga de mais de 20 anos no Rio Total, a Irene Serra. Vamos em frente, então.

No mundo tresloucado em que atualmente nós vivemos neste país, onde o mal parece que está a vencer o bem de goleada, numa sociedade que se deixa absorver mais pelo virtual do que pelo real, onde a vida, este dom supremo, para tantos hoje parece nada valer, onde se mata nem mais por necessidade (como numa guerra, por exemplo), mas o fazem apenas pelo prazer de matar ainda encontramos pessoas especiais, muito especiais mesmo. Isso me faz feliz e saborear 80 anos nos quais ainda sinto que posso fazer e reconhecer amigos e amigas no meu trabalho e fora dele.

Não quero assumir o “bendito”, isso não, todavia confesso que ainda enxergo o melhor em certas pessoas e sei distingui-las como especiais, ainda as há, com certeza. Aliás, a frase acima, embora não seja de sua autoria como ela mesma me confessou, foi a mim enviada outro dia por minha mais recente leitora amiga, a gaúcha D. Dilema Lazzaretti. Neste momento ela está sendo pega de surpresa e isto me agrada.

Ela é mãe e avó e surgiu de repente em minha telinha dizendo que costumava ler meus textos em prosa e verso fazia algum tempo. Chegou a mergulhar nos meus arquivos tanto no Rio Total como no meu site pessoal. Obrigado, boa amiga, não sei se mereço as palavras que a mim tem endereçado, entretanto massageiam o meu ego.

Peço-lhe permissão para, usando a sentença que a mim enviou outro dia, devolver-lhe o sentido que você lhes dera, agradecendo e afirmando que especial é quem faz o que você fez e tem feito, tornando este velho escriba mais feliz por ver seu trabalho apreciado, agraciado e despertando interesse em quem apenas conheço pelos e-mails trocados entre quem escreve e quem lê. E note que é raro brasileiro ler algo e se comunicar com o autor do texto ou do livro, ou da poesia.

Peço vênia para registrar aqui mais algumas palavras que me tocaram fundo na mensagem de Irene Serra. Ela escreveu também: “Quem sabe se nos incentivarmos com o que temos de melhor nas pessoas, as coisas não começam a mudar de dentro para fora?” A partir daqui eu me decidi a escrever o que agora faço.

Realmente a mudança mais efetiva, a mais eficaz, é a que se faz de dentro para fora. Podemos mudar como seres humanos e assim alcançar o grau que mudará para melhor nossa sociedade. Infelizmente o contrário se dá justamente como ocorre agora, ou seja, um descaminho de nossa sociedade, de nossa humanidade.

Buscando o que as pessoas têm de melhor, trazendo à tona o amor, a paz, a lealdade, a honestidade e equivalentes, como disse Irene, podemos ir mudando tudo para melhor de dentro para fora. Não tenho nenhuma dúvida. O que não devemos fazer é nos manter indiferentes diante de pessoas que conhecemos sem indicar-lhes o caminho da felicidade ainda que elas ou eles estejam passando por um período de certa depressão.

Eu mesmo já experimentei esta triste sensação com o choque da viuvez e alguns anos de certa solidão. Felizmente eu tive ao meu lado quem me conduzisse com muita compreensão, muita paz e perspectiva de futuro que antes a mim parecia impossível. Foi a pessoa em minha longa vida que conseguiu ver talvez o melhor de mim ainda guardado a sete chaves no meu coração e desenhar um caminho que me manteria na vida por um bom tempo.

Hoje sou agradecido e estendo minha mão a muitos semelhantes. Afinal, todos nós temos algo de especial em nosso íntimo nem sempre revelado porque algumas pessoas não costumam enxergar sozinhas o que de melhor existe nelas. Ainda que o mundo a nossa volta não esteja sendo o ideal, devemos fazer o que pudermos para mudar isso e não vejo outra forma que não acordando amigos e amigas, despertando neles e nelas o bem, o amor, a paz, a felicidade então adormecidos.

Obrigado, amiga Dilema, e obrigado, amiga Irene, vocês acabam de me mostrar o melhor caminho para eu pôr minhas letras e palavras nesta tela de computador e levá-las a cada coração mergulhado em tristeza ou culpa.


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Comentários sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(1º de maio, 2017)
CooJornal nº 1.027



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.francisco-simoes.com



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