01/07/2020
Ano 23 - Número 1.179



ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



OS LIMITES DE UM IDOSO



Francisco Simões, colunista - CooJornal


Estarei me referindo a pessoas que tenham acima de 60, 70, 80 ou 90 anos ou quem sabe mesmo acima de 100 como alguns que a mídia tem divulgado. Um exemplo de 101 anos é o grande artista do cinema americano do passado, o Kirk Douglas. Lembram dele?

Vocês se recordam de filmes históricos em que o Kirk Douglas usando uma força fora de série lutava contra romanos e mesmo até contra certas feras da natureza? Ele foi um grande ator na sua época e a força descomunal muitas vezes, claro, se devia a truques da técnica cinematográfica. Mesmo assim ele foi um excelente ator.

Tomando a mim como um modesto exemplo, visto que estou chegando aos 84 anos, digo que quando jovem fiz muitos exercícios. Em nossa casa tínhamos barra para levantar e descer o corpo, halteres que eu usei muito embora não gostasse tanto. Meu pai nos arrumou um aparelho de remar que o usando constantemente eu exercitava os braços, as pernas, o abdômen e algo mais. Muito bom mesmo.

Joguei futebol, volley e basquete junto com tantos amigos e vizinhos que tínhamos. Pratiquei naqueles tempos, eu ainda jovem, bastante corrida também. Eu gostava de fazer exercícios, era magro, e além da chance de me exercitar em casa e no Colégio Nazaré também frequentei o CPOR (Infantaria) por dois anos onde nos exercitávamos bastante especialmente quando íamos acampar fora de Belém.

Muitos anos depois já morando em Ipanema, no Rio de Janeiro, e estando no segundo casamento, ora fazíamos longas caminhadas pela manhã bem cedo, antes de irmos trabalhar no BB ou então o fazíamos à noite ao voltar do trabalho. Também fui adepto da prática do Yoga, tanto as posturas do Hatha Yoga, quanto as respirações alternadas e os deliciosos relaxamentos. Parte da Yoga eu ainda pratico hoje em dia mesmo com esta idade.

As longas caminhadas eu pratiquei muito na praia inclusive vindo a Cabo Frio constantemente. Com o tempo a vida acabou me trazendo para viver mais nesta linda cidade que os políticos têm feito de tudo para infelizmente a tornar mais feia do que quando eu a conheci há muitos anos.

As caminhadas ocorriam pela manhã e ao final da tarde, 4 a 5 vezes por semana, eu me dedicava a pequenas corridinhas no pátio de minha casa no bairro do Braga. Como vêm sempre me dediquei e muito a exercícios e talvez por isso hoje, aposentado e com mais de 80 anos, ainda usufrua bastante com um lucro que pode ir se tornando menor a cada tempo. Afinal ao envelhecermos ninguém, repito, ninguém mantém a mesma forma nem pode se exercitar como o fazia antes.

Vejam que estou escrevendo e relatando isto ao me aproximar dos 84 anos. Entretanto digo que ainda hoje eu faço sempre minhas caminhadas, claro que sem o mesmo ritmo de anos atrás. Seria impossível ou eu seria um super-homem, embora este fosse um personagem irreal que nunca envelhece!

Quando faço caminhadas hoje mantenho o tempo total de 40 a 45 minutos e isto diariamente. Vejam que o fisioterapeuta Márcio Atala, que eu sempre respeitei e respeito muito, que mantém programa diário no rádio, recomenda a pessoas a partir de certa idade fazer 30 minutos de caminhada por dia e 5 dias por semana.

O ritmo recomendado pelo Márcio Atala é de uns 50 passos a cada minuto, caminhando. Isto eu tenho procurado manter. Hoje em dia eu fui reduzindo meus ritmos e meus exercícios após ter feito não só a cirurgia de catarata em ambos os olhos, com intervalo de algumas semanas, como uma delicada cirurgia na perna direita.

Esta me deixou por ordem médica na cama e eu não pude andar pelo menos por pouco mais de uma semana. Ao me levantar minha “muleta” era minha esposa que me ajudava até no banho, tomado sentado no vaso e com uma toalha molhada. Graças a Deus eu tinha minha esposa atual que sempre me ajudou nestes casos.

As cirurgias acima referidas me tomaram alguns meses e isto acabou me levando a me exercitar muito menos até porque fiquei proibido de fazer exercícios por um bom tempo. Segundo nos recordamos o período entre as duas cirurgias de catarata e a delicada cirurgia de minha perna direita que me livrou de um provável e futuro câncer, com o excelente cirurgião Dr. Acácio Vasconcelos, aqui em Cabo Frio, está completando hoje pouco mais de uns 6 anos.

Quando voltei a caminhar já não tive mais o mesmo ritmo evidentemente. Por segurança tanto eu como minha esposa caminhamos já há algum tempo não na rua, sujeito a tropeços, atropelamento etc, mas aqui dentro de nosso ambiente. Temos uma boa garagem, dois pátios que se ligam a ela e um quintal. Se chove caminhamos dentro de casa.

Vejo minha atual esposa acordar e levantar mais cedo do que eu até antes das 7 horas, claro, são 20 anos a menos que eu, e após tomar seu desjejum fazer uma bela caminhada e a seguir exercícios que hoje eu não pratico mais.

Como digo a ela cada um dentro das suas possibilidades. O que alguns podem chamar de “preguiça” ou algo parecido, por não se fazer o que hoje a idade e o organismo não mais nos permitem. São os limites de um idoso que temos que respeitar ou podemos vir a ter problemas. É isso aí gente amiga.





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Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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