16/03/2020
Ano 23 - Número 1.165



ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



E OS NOSSOS VÍRUS CASEIROS?



Francisco Simões, colunista - CooJornal

Gente amiga, faz anos que não vejo mais passar em nossa rua o carro conhecido como “fumacê” que tentava eliminar ou reduzir a ação dos nossos vírus caseiros. Também nunca mais vieram aqui em casa, na cidade de Cabo Frio, os agentes da Saúde que fiscalizavam as casas e anotavam tudo num papel cuja cópia sempre ficava atrás de nossa porta na garagem. Isto ocorria sempre, todo ano, mais de uma vez ao ano.

Hoje em dia, especialmente neste verão, nossa cidade foi atacada por diversos vírus que alguns começaram a chamar de virose. Alguns mais gozadores disseram que era “virose mineira”, isto pela presença de muitos mineiros de férias em nossa cidade. Apenas isto.

Nos veículos de comunicação, o que se passou a ver e ouvir foram só alertas e referências ao tal vírus importado da China. Talvez não só por ser perigoso, mas por dar mais Ibope, como sempre se disse. Aliás, outro dia eu vi um cientista dizer na Tv que antes de pensar na proliferação desse vírus por aqui, há que considerar o ambiente em que ele cresce e faz estragos lá fora e o nosso aqui.

Enquanto na Ásia e na Europa as temperaturas tendem a ficar baixas, bem baixas, por aqui o que sentimos na pele ainda é bastante calor, muito calor mesmo. Ele pode até vir em alguém que tenha viajado e se contaminado por lá, mas dificilmente, segundo ele, permanecerá atacando por aqui. Achei coerente.

Ficamos irritados com o descaso que, de repente, tanto as pessoas ligadas à Saúde como as autoridades em geral passaram a dar aos nossos vírus caseiros que até outro dia mereciam toda atenção deles.

Lamentável em todos os sentidos o descaso que estão mostrando com nossa população. Não conseguem eliminar nossos vírus caseiros e agora querem bancar os heróis do vírus importado da China.

Aqui em casa, começando por mim, todos acabaram sendo contaminados e vejam que não temos nenhum foco por relaxamento. Sempre merecemos atenção e elogios dos fiscais da Saúde. Basta verem os documentos assinados por fiscais da Saúde.

Ocorre que em nossa rua ou nosso bairro deve haver focos destes vírus justo pela quantidade assustadora de pessoas infectadas. Eu, na altura dos meus 83 anos, jamais antes senti dor em juntas e agora tenho convivido com elas, especialmente nas mãos. Isto já há pouco mais de um mês.

Segundo eu soube, essas dores podem durar meses, visto que o vírus da chikungunha, ou a dengue agravada segundo alguns, deixa algo em nosso corpo provocando essas dores por longo tempo. Há que se prevenir tomando suco de laranja ou acerola, de preferência, juntando-se a ele um pedaço de inhame. Experimentei e gostei.

Segundo minha esposa, que também foi fortemente atacada nesta fase, assim como eu e todos aqui de casa, estas dores que ainda me ocorrem nas juntas dos dedos das mãos e, eventualmente, nos joelhos, devem mais ser efeitos deixados ou pelo vírus da zica ou do chikungunha.

A dengue antiga não deixava estas marcas em nosso corpo. Eu mesmo tive dengue há uns 12 anos e a febre durou somente 3 dias, assim como a sensação de fraqueza não se estendeu mais do que uns 5 dias. Ao todo a dengue teria ficado em mim por no máximo uma semana e depois fiquei completamente curado.

Duas irmãs de minha esposa que vieram nos visitar por uma semana, acabaram voltando, uma para Vitória, com dengue, e a outra para Bom Jesus do Norte (ES), mas parece que atacada pelo vírus da zica, já que amanheceu no segundo dia toda empolada como ficara antes minha esposa. Este efeito é terrível, incômodo e demora a sair.

Por estas e por outras pessoas que soubemos estarem contaminadas em nossa rua, imaginamos que além do descaso das autoridades não fiscalizando nada e nem cuidando do combate através do carro fumacê, percebemos que estamos mesmo entregues ao Deus dará, como se costuma dizer. Imaginem que outro eu ouvi nosso Prefeito, que é médico, que nestes 4 anos de governo dele não conseguiu obter o tal remédio usado no carro fumacê.

E este é um ano eleitoral. Agora nossas autoridades tentam aparecer, mas tapando buracos em ruas variadas, jogando fora palavras que não podem ser levadas a sério agora, e jamais justificam o descaso a ausência no verão quanto aos nossos vírus caseiros tão conhecidos e sempre anunciados.

O importante agora é badalar o tvírus chinês que dizem se propagar pelo mundo afora. Pergunto se não tiveram ou não quiseram ter condição de reduzir os nossos conhecidos vírus caseiros como agora vão enfrentar esta luta contra algo que parece vir de tão longe, muito longe, fazendo estragos lá fora?

Termino deixando no ar a pergunta que eu fiz no título: “E os nossos vírus caseiros”, como ficam? Como será no próximo ano? Quanto mais pessoas precisam sofrer até que as autoridades percebam sua responsabilidade quanto a estes vírus de cá?





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Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
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