16/02/2019
Ano 22 - Número 1.113

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



O ABRAÇO É UM LAÇO DADO POR FORA
QUE DESATA NÓ POR DENTRO

Francisco Simões, colunista - CooJornal


Outro dia, ao ler a nossa querida revista Rio Total, eu vi que Irene Serra colocara em destaque a frase acima que uso no título deste meu texto. Não sei o motivo, mas é verdade que o sentido da mesma tocou fundo em meus sentimentos.

Afinal nestes 82 anos de vida quantos nós por dentro eu já não tive que sentir algumas vezes, chorar por eles, outras sofrer e sofrer muito por eles, e outras procurar desatar sem saber o que fazer. Querer ter de volta a paz vivida antes e que fora interrompida por aquele nó talvez representando um mal entendido ou algo pior.

Entendo que eu não sou uma exceção, afinal o sentimento aqui abordado não é privilégio meu nem de ninguém. O pior é quando o nó traz consigo o silêncio, a indiferença, algumas vezes até certo desprezo que a gente percebe ser injustificável. Muitos dos que me leem podem estar a refletir em seus nós passados, presentes ou pior, o que podem eles acarretar em futuro próximo ou mais longínquo.

E pensar, como diz a frase acima, que um abraço, muitas vezes um simples abraço sincero, verdadeiro, leal, pode corrigir tudo, tudo mesmo. Entretanto algumas vezes a pessoa espera, espera, mas o abraço não vem.

O clima parece ser de tempestade apesar de um falso sol a brilhar em sorrisos nem sempre sinceros, ou que podem representar indiferença, sei lá. Já ouvi histórias durante minha vida como já vivi situações idênticas. Alguns que eu conheço ou conheci também passaram por isto.

Viver não é só sorrir, não é só comemorar felicidade, não, viver é também pisar em brasas eventualmente, amargar dores, sofrimentos tantos que temos que sobrepujar com sabedoria, vinda esta não sei mesmo de onde, tentar transformar as brasas que nos queimam em rosas. Mudar o chão ajudando a mudar a vida almejando ser feliz.

Você deve estar imaginando que sem a ajuda da outra pessoa, seja ela ou ele quem for, torna-se impossível alcançarmos a tal felicidade, ainda mais quando sabemos que geralmente ser feliz é apenas um estado de espírito. Nem todos concordam com esta afirmativa, todavia eu me inclino a integrar o grupo dos que nisto creem.

Pensar que um simples gesto representado este quem sabe por um abraço é capaz de desatar um ou vários nós do presente ou do passado, que nos marcaram algumas vezes para sempre, é verdade. Vejam que ao falarmos de um simples gesto aqui representado por um abraço podemos também entendê-lo como qualquer forma de carinho, seja num simples olhar, num leve beijo, num encontro de mãos que não se tocavam há algum tempo.

Há mágoas que permanecem na alma, em nossos sentimentos mais profundos, que doem se não no corpo físico, mas são capazes de fazer feridas no mais profundo de nosso ser etéreo trazendo toda uma carga negativa que nos molesta, que pode nos adoecer, sem termos os sintomas físicos mais reveladores.

Alguns consideram males da alma. Talvez possam ser assim expressadas e tenham certeza que este tipo de mágoa, causada seja porque motivo for, pode provocar alguma “doença” até mesmo física para a qual não existe remédio que a cure.

O abraço, aquele abraço referido antes neste texto pode ter a força necessária realmente para desatar qualquer nó que nos deixa uma dor por dentro a qual jamais curaremos de outra forma. O gesto de carinho necessário que pode nos curar seja na alma como no físico, livrando-nos quem sabe do sofrimento que carregamos.

Alguns que estão me lendo neste momento podem ou não concordar com tudo que eu digo, entretanto num exame de consciência muito pessoal podem se for o caso recordar o que já viveram ou vivem ou, quem sabe, talvez sejam aquelas exceções que jamais sofreram ou sofrem por motivos ligados aos tais nós aqui referidos. Sendo este o caso eu os parabenizo, e garanto que são felizes.

Não esqueçam, porém, que a felicidade às vezes é meio enganosa. Não é à toa que se costuma dizer que ser feliz é apenas um estado de espírito. Não que eu concorde plenamente com esta assertiva, porém eu garanto que nos meus 82 anos de vida como seria de se esperar já tive altos e baixos como muita gente.

Desde os meus 20 anos, algumas vezes por culpa minha mesmo, digamos que eu vivi do céu ao quase inferno. Sei que não sou exceção, não mesmo. Muitas das vezes nós fazemos as escolhas em nossa vida, se acertamos ou não é outro problema. Nem sempre podemos saber com antecedência quantos “nós” poderemos estar assumindo nem quantos “nós”, quem sabe, algumas vezes nós mesmos os provocamos.

Encerrando modestamente eu me ponho à disposição para quem quiser me mandar um abraço fraterno, um abraço amigo, quase de irmão ou irmã, sem preocupação de “nós” de qualquer espécie ou até não afirmando que eles hoje me perturbem. De braços abertos eu receberei vossos eventuais abraços talvez no sentido de um Feliz Ano Novo que desejo, meio tardiamente, a todos que me leem. Até a próxima.


 







Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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