Francisco Simões


LUTO   MORAL

 


Estou assustado e muito, muito indignado.  Minha Esperança está de luto pelos seguintes falecimentos:

-          da ética, do decoro, da compostura pelo que assistimos no processo de eleições no Congresso;

-          da autoridade oficial, acuada, encurralada sob ameaças e exigências do poder paralelo da marginalidade que vai se impondo numa evidente “desordem em progresso” que, pelo caminho religioso, me faz pensar se em vez de o céu estar descendo não será o inferno que está subindo;

-          do direito de concessões públicas, pois que a mídia volta a  abusar cometendo flagrante desrespeito a este direito quando ocupa horas e horas dos seus jornais,  especialmente as TVs, em verdadeira orgia noticiosa como que apologizando organizações criminais sob pretexto de bem informar ao seu público;

-          das prioridades que visem ao benefício da saúde pública, da segurança dos cidadãos, de tantos menores abandonados, do ensino em todos os níveis, da cultura à mingua de oportunidades e verbas, da justiça social no mais amplo sentido pois que incluída aí uma reforma agrária séria, decente, onde o poder não gastasse mais com propaganda dizendo o que teria feito do que realmente fazendo;

-          da verdade, insistentemente sendo esfaqueada pela mentira, pelo engodo, pela farsa, pela hipocrisia, pelos aliciamentos, pelas promessas de sorrisos masturbados;

-          da ampla, incondicional e autêntica democracia “em que a soberania é exercida pelo povo”, povo que é formado por legiões de sem teto, de sem terra, de  desempregados, de aposentados oprimidos, acabrunhados, desrespeitados, de uma infância desprotegida, ignorada, de professores mal remunerados, de  eleitores desiludidos e cansados de exercerem um direito e verem depois a esperança afundar-se nas falsas aparências.

                      A) FRANCISCO SIMÕES, poeta, utópico e sonhador.

(Abril/2001)


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
fmsimoes@vento.com.br