09/10/2003
Número - 335


 

          

Francisco Simões

 

CABO FRIO : PARABÉNS PRA VOCÊ

Neste ano de 2003 a nossa querida cidade de Cabo Frio está completando 500 anos. Eu não poderia deixar passar em branco este acontecimento. Todos que me lêem sabem o quanto amo este recanto do nosso Brasil. E vou iniciar com palavras do Sr. Prefeito, Alair Corrêa, registradas no documento “Cabo Frio, 500 anos de história”:

“Em 1503, a minha, a sua, a vida de todos os cabofrienses, antes mesmo de existir, começara a fazer sentido, porque aquele era o ano da origem da família brasileira. Cabo Frio é o berço do Rio de Janeiro, é a raiz mais profunda de um país chamado Brasil.”

O vereador Gustavo Beranger lembrou também que: “Temos no Brasil 8.500 quilômetros de costa, praias para todos os gostos, mas poucas cidades do Brasil têm a história de Cabo Frio. Com um acervo histórico mais antigo do que Ouro Preto, esta é uma cidade que conta com uma enorme quantidade de patrimônios. Patrimônios que estão vivos. Uma beleza histórica que ficou perdida ao longo da nossa existência.”

O Diretor do Museu da Marinha, Almirante Max Justo Guedes, comentou: “Muitos vêm para a Região dos Lagos aproveitar o sol e a praia, mas não têm idéia de como surgiu Cabo Frio. Essa comemoração será um evento da maior importância e terá uma repercussão não só local, como estadual, nacional e mesmo mundial.”

O Almirante se referia ao projeto “Cabo Frio 500 anos de História”, uma idéia agregadora, sem cor política, iniciativa da Prefeitura, da Câmara e da sociedade cabofriense. Ou como também a ela se referiu o vereador Beranger: “É um sonho, mas quem não vive de sonhos?”

E tudo aqui começou com a chegada do navegador genovês, Américo Vespúcio, no ano de 1503. Há registros de que sua primeira declaração, ao vislumbrar de longe nosso litoral, foi esta: “Se existe o paraíso, com certeza ele não está muito longe dessa região.” O bom Vespúcio já se enamorava então pelos encantos que até hoje atraem tantos turistas. Encantos que deveriam ser ainda mais fascinantes à sua época.

Quem desejar conhecer mais e melhor a história desta linda cidade praiana, situada na costa sudoeste do Rio de Janeiro, poderá obter junto à Prefeitura daqui o documento que trata do projeto “Cabo Frio, 500 anos de História”. Vale a pena a leitura, eu lhes garanto. Visite o site www.cabofrio500anosdehistoria.com.br

Da minha parte vou lhes dar algumas dicas de visitas imperdíveis. O Forte de São Mateus foi construído pelos portugueses entre 1916 e 1920, com pedra e óleo de baleia, logo após a fundação de Cabo Frio. Ele foi erigido no alto de um penedo, no lado esquerdo da Praia do Forte, com o objetivo de resguardar o estratégico Canal de Itajuru de ataques de navegantes que visavam devastar a floresta de pau-brasil.

O Forte foi tombado pelo patrimônio histórico em 1957. Ele ainda conserva os canhões, usados à época de sua construção, e preserva o paiol, o alojamento, a cozinha, a antiga cadeia e a sala de comando. Esses espaços são agora utilizados para exposições de artesanatos e de quadros de artistas locais.

Às margens do Canal de Itajuru e no alto do Morro da Guia está a Capela de N. Sra. da Guia. É uma visita imperdível. A Capela foi construída pelos frades franciscanos, no ano de 1740. Lá de cima, do mirante que possui um deck em madeira e jardins, tem-se uma vista magnífica de quase toda a cidade, suas praias, dunas, o canal etc. O pôr-do-sol, visto do alto do Moro da Guia, é algo inesquecível, assim como você pode fotografar o crepúsculo, do Canal de Itajuru, tendo ao fundo a Capela no alto do Morro. É só caprichar que a natureza já ajuda e muito.

Ao pé do Morro da Guia, em pleno Largo de Santo Antônio, está o Convento de N. Sra. dos Anjos. Ele é um marco da arquitetura religiosa do período colonial. Foi construído em 1696 e levou 12 anos para ser concluído. Desde 1982, o Convento abriga o Museu de Arte Religiosa e Tradicional, tendo um acervo formado por imagens raras do período barroco que estão em exposição permanente.

A Igreja de São Benedito, erguida no século XVIII, foi construída pelos negros por causa da discriminação racial na época. Os negros eram impedidos de freqüentar a Igreja Matriz, localizada no centro. A Igreja de São Benedito encontra-se no bairro da Passagem onde surgiu o primeiro núcleo urbano de Cabo Frio.

Este bairro é constituído de antigos casarios, de estilo colonial, hoje bem conservados, que foram tombados pelo INEPAC no final do ano de 2002, com o objetivo de preservar esta parte importante da história de nossa cidade. Na Passagem ainda se encontram construções que guardam características da época da fundação da cidade.

No centro da Cidade, em plena Avenida Assunção, você encontrará a “Charitas”, Casa da Caridade, construída em 1837. O objetivo era oferecer refúgio às crianças abandonadas e funcionava assim: por uma abertura na parte externa do prédio, os recém-nascidos eram recolhidos no meio da noite. Consta que a mãe deixava o pequenino numa janela onde estava instalada uma roda que, uma vez acionada, transportava a criança para dentro da Casa de Caridade.

Desta forma, a pessoa que se encontrava no interior não tomava conhecimento da identidade da mãe. Hoje a “Charitas” faz parte da Secretaria de Cultura e abriga o Museu José de Dirceu. Tive a honra de realizar ali minha primeira exposição de “Fotografias Artesanais”, em Cabo Frio, no ano de 1987.

O Bairro do Portinho, situado às margens do Canal de Itajuru, é um dos mais tradicionais da cidade. Cercado por condomínios de luxo e casas de veraneio, ele ainda mantém um ar bucólico, sendo sua característica principal a tranqüilidade. Na principal rua do bairro está localizada uma figueira centenária que, graças a Deus e ao bom senso dos administradores da cidade, vem sendo preservada, embora esteja mesmo no centro da referida rua.

No Portinho você verá um dos importantes monumentos da cidade situado no centro do canal: a estátua do Anjo Caído. Ela foi construída ali pelo governo do Estado, comemorando então o êxito da abertura dos canais Palmer. Eles vieram facilitar a navegação, em um trecho assoreado, da Lagoa de Araruama. Com o tempo as correntezas derrubaram a estátua, restaurada e devolvida ao canal no ano de 1980.

A ponte Feliciano Sodré liga as duas margens do Canal de Itajuru, no centro de Cabo Frio. A primeira ponte era de ferro. Foi construída em 1898 e desmoronou em 1920. A nova ponte foi inaugurada no ano de 1926, feita toda de concreto, e permitia a passagem de apenas um veículo por vez. Alguns anos depois ela foi duplicada, facilitando o trânsito entre os dois lados da cidade.

Esta ponte é um dos monumentos que fazem parte da iluminação especial de Cabo Frio e que, durante a noite, recebe uma luz que muda sua cor de acordo com as estações do ano. Já há planos para a construção de uma segunda ponte, visto que, na época de maior movimento na cidade, a atual não consegue evitar os imensos congestionamentos diários. Ela tem uma bela vista observada do Boulevard do Canal.

Quando se fala de nossa querida Cabo Frio logo nos lembramos de suas lindas e imensas dunas. Elas se localizam especialmente na praia do Peró, e também às margens da estrada que liga a cidade a Arraial do Cabo. Neste local está a maior de todas, uma duna gigantesca conhecida como “Dama Branca” e uma quantidade imensa de outras.

Em frente ao condomínio em que moro, no bairro do Braga, ainda resistem muitas dessas lindas formações de areia branca e fina como talco. No passado o espetáculo era bem mais bonito, mas infelizmente o homem, eterno predador, incumbiu-se de as destruir através de décadas. Felizmente isso não mais ocorre há anos.

Muito teríamos que discorrer para fazer justiça à história, à cultura e às imensuráveis belezas de Cabo Frio, o que não caberia no espaço desta crônica, entretanto, no site a que me refiro acima poderão ser obtidas muitas outras informações. Na festa dos 500 anos desta cidade que tanto amo, quero repetir algo que já disse no texto de um dos vídeos que fiz sobre ela e que me ajudaram a ser agraciado com o honroso título de “Cidadão Cabofriense”, no ano de 2000:

“Em Cabo Frio a felicidade nunca vem como turista. Por quê? Ora, ela mora aqui.”

(Para a elaboração deste texto baseei-me, em alguns casos, em informações contidas nas publicações “Cabo Frio, 500 anos de história” e também em “Mais Cabo Frio – Paradisíaca”)

 

(09 de outubro/2003)
CooJornal no 335


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoespoeta.hpg.com.br