09/04/2004
Número - 363

 

          

Francisco Simões

 

DESCULPEM, MAS EU NÃO ACEITO

Estou escrevendo nesta Internet, em prosa e em verso, desde janeiro/2000, graças ao apoio de pessoas que viram algum mérito nos meus escritos e passaram a me divulgar. Na empolgação inicial acabei por aceitar vários convites para integrar muitos sites literários, e assim cheguei a estar presente em 15 deles.

Algum tempo depois percebi que tinha assumido compromissos demais, o que me cansava e estava a pôr em risco eu me desincumbir a contento, como gosto, do trabalho que tinha para desenvolver. Decidi então encolher o leque de espaços que me haviam oferecido oportunidade de divulgação. Por este ou aquele motivo acabei por sair de alguns sites e hoje escrevo para apenas 6 (seis), além do meu, pessoal.

Entendo que agora estou na conta certa, e assim posso continuar a escrever com prazer, sem maiores sacrifícios. Meu relacionamento com todos os responsáveis pelos referidos sites tem sido no melhor nível possível. Além do compromisso, quase profissional, mantemos aquela amizade que ajuda e muito como estímulo ao trabalho.

Para quem não é e nem tem pretensão a ser um autor consagrado, como eu, o apoio daqueles que conseguem manter seus sites, muitas vezes com imenso sacrifício pessoal, é realmente vital para poder divulgar o que produzo e que assim não mais fica restrito ao âmbito de uma gaveta, como se costuma dizer. Devo muito aos que me apóiam, me incentivam, e tornam conhecidos os meus textos. Nosso convívio sempre foi simples e direto, franco e aberto, leal acima de tudo.

Gosto de escrever, de receber comentários aos quais nunca deixo de responder, e também de comentar trabalhos de amigos e amigas que leio sempre. Entretanto, se me querem tirar do sério é só me convidarem para os tais “chats”... Sempre recusei esses convites e algumas vezes até minha recusa não foi bem aceita. Mas o fato é que não me agrada mesmo participar daquilo.

Uma vez acabei entrando em um grupo desses mais por insistência de um amigo. Bastaram dois dias para que eu solicitasse a retirada do meu e-mail do referido grupo. Resultado: perdi o tal amigo, ou talvez não fosse tão amigo quanto eu supunha (!), e outros do grupo não mais tiveram contato comigo. Que fazer? Dizem que gosto não se discute, então apenas respeito, e, lógico, espero sempre que respeitem o meu, pois.

Mesmo assim, por diversas vezes recebi mensagens de um certo provedor, moderador desses grupos, para integrá-los. Sempre vinha informado que alguém, algum amigo, me indicara para tal. Ora, em se tratando de mim, ou foi algum gozador a querer brincar comigo, ou alguém que, não sendo amigo, quis testar minha paciência. Apenas sorria e deletava, nada respondia. Curioso que o tal amigo nunca vem identificado.

Até aí tudo bem. Mas, de repente passei a receber seguidas mensagens do mesmo provedor, conhecido moderador de grupos, por cujo trabalho tenho o maior respeito e desejo-lhes sucesso sempre. Havia nas mensagens, porém, uma insistência para eu me “recadastrar”, pois do contrário poderia não mais estar recebendo e-mails de pessoas a eles já cadastradas. Achei um absurdo aquilo, mas preferi ignorar.

Não sabia eu que haviam outras conseqüências das quais só depois tomei conhecimento. A culpa talvez não seja do provedor, mas de quem aceita suas exigências, ou adota outra postura, para assumir com ele algum tipo de compromisso, o que aliás não me compete analisar nem julgar. Até porque não entendo desses meandros da net. Quem sabe ambos estejam certos e o errado seja eu mesmo?!

Acontece que a mim parecia poder tratar-se de algo como voltar a integrar grupos de debate, de bate-papo, o que não me interessa, mesmo. Após troca de opiniões com dois amigos decidi não responder também àquelas insistentes mensagens. E assim o fiz.

Não me ocorreu, naqueles momentos, que aquilo tivesse a ver com algum vínculo a determinado site. Realmente uma amiga havia me alertado, há algum tempo, sobre a necessidade de me recadastrar no tal provedor sob pena de talvez ficar fora do espaço que eu conquistara, há anos, julgo que pelo mérito dos meus escritos. Não acreditei: eu ser “expurgado” por um computador, face a um compromisso e/ou exigências ou decisões do provedor ou do próprio site?! Cartão vermelho sem ter cometido falta!!

Ora, o meu provedor de mensagens é o TERRA. O atual provedor do meu site pessoal é o INFOLYNK. Pago a ambos para fazer uso de seus bons serviços. Mas, para continuar merecendo a manutenção do meu espaço, que eu conquistara com trabalho, com dedicação, por vários anos, tornou-se imperativo que eu acatasse a exigência do tal “recadastramento”, que, naturalmente, deverá se repetir outras vezes, e que antes não existia, ou me recolher a minha insignificância. O provedor ou o site implantaram novas regras, eu discordo e não me submeto a elas, exercendo um direito, então, ... bem, eu dancei, claro. Sem arrependimento, só brio e coerência.

Talvez a culpa afinal seja minha, só minha, por não querer abrir mão do que julgo iníquo, injustificável. A sincera e bonita amizade semeada, o longo compromisso por mim sempre respeitado rigorosamente e com lealdade, o relacionamento de anos numa troca de interesses entre ambas as partes, tudo isso rui por terra porque me recuso a concordar com a tal exigência. Teimosia? Não, congruência.

Afinal um computador, ou uma exigência, me apaga completamente, não mais me aceita como colunista, retira toda a memória anterior que conquistei com trabalho e amor e eu deixo de existir em um site, porque agora as regras são outras, o tempo é outro, o resto... bem, o resto ficou no passado ... talvez até a amizade! Maravilha!!

Como cantam os “Titãs”: “Quando não houver saída, quando não houver mais solução... ainda restará o sol...” e eu completo que comigo ficará a saudade, lágrimas não, pois eu as reservo para assuntos do coração. Creiam, eu não perdi, ganhei com mais uma experiência nesta Internet. E enquanto houver o sol estarei escrevendo, sempre. Quanto ao mais, vale para todos:... desculpem, mas eu não aceito.



(09 de abril/2004)
CooJornal no 363


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br