06/08/2004
Ano 8 - Número 380

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

ANTI–SPAM OU ANTI–AMIGOS?

Hoje decidi tratar, no texto desta crônica, de um assunto que já comentei algumas vezes com amigos e amigas reservadamente. Os provedores, todos, costumam oferecer a seus clientes uns tais “programas anti-spam”. O incremento de mensagens dessa espécie deve tê-los levado a isso. Muita gente anda aceitando esses programas.

Para início de conversa aviso: tenho recusado todos os que me são oferecidos. Então eu gosto de spam? Claro que não, até porque a maioria do que costumo receber nada tem a ver comigo e alguns são de um nível tão baixo, tão deplorável, que, as mentes que os criam quase se comparam a daqueles que projetam e nos enviam mensagens com vírus. Eu as recebo em boa quantidade diariamente. Então como faço?

Creio já ter dito isto, mas não custa repetir. Recebo minhas mensagens através de um programa que denomino de “pára-choque”: é o “mailwasher”. Muitos o conhecem. As mensagens entram por ele que me previne do que possa ser spam. Bem utilizado é de grande valia e ainda ajuda na eliminação das que trazem vírus. As mensagens entram ali totalmente fechadas, não abertas, como chegam ao “outlook”.

Quando no assunto vem escrito algo em inglês do tipo: “stolen”, “hi”, “something for you”, “hello” e similares, eu logo as marco para devolução aos remetentes. Isto significa os colocar na lista negra. Elas retornam ao lugar de origem. Entretanto, se o remetente de alguma delas for pessoa conhecida minha, então a transfiro para o “outlook”. Ao ir para lá ela passa pelo crivo do meu programa anti–vírus.

Se for detectado que a mensagem está infectada, habitualmente informo ao remetente sobre o problema. Alguns não gostam disso, não sei por que, mas já o fiz várias vezes e até tive que ler uma resposta nada delicada! Que fazer? Tentar continuar amigo.

Costumo receber spams oferecendo coisas absurdas que nada têm a ver comigo, por exemplo: tratores e implementos agrícolas... como driblar a lei do trânsito... como aumentar seu pênis... entre tantas outras geralmente de nível baixo. Muitos as devem receber também, não hei de ser eu um “privilegiado”... Essas mensagens eu simplesmente já as marco também para devolução aos remetentes. Mesmo assim eles acabam retornando com os mesmos assuntos dias depois. Haja paciência!

Há vezes em que de 40 jogo fora mais de 20, ou de 50, jogo fora mais de 30, e assim por diante. Prefiro, porém, ter este pequeno trabalho de “garimpagem” do que aceitar os tais programas anti–spam. Agora vou chegar ao ponto mais importante.

Quem usa esses programas deveria saber, se não sabe, que eles não foram elaborados para pensar, ou para discernir no que seja um verdadeiro spam, ou apenas um comunicado diferente que um amigo seu lhe está enviando. Se você o adota, certamente ele vai rejeitar, por exemplo, os convites que costumo enviar avisando aos amigos do lançamento de nova crônica inédita ou a atualização do meu site pessoal.

Bem, eu somente os envio àqueles que me autorizam a fazê-lo, e entre os que os recebem estão amigos e amigas de longa data e muitos mais recentes. Porque digo isso? Ocorre que ultimamente deu de acontecer de eu ter alguns convites a mim devolvidos pelo provedor deste ou daquele amigo. Estranho porque antes isto não acontecia. Pior: a alegação vem sendo de que se trata de ... spam...

Claro, quem efetua a devolução é o provedor do amigo, e imagino seja pela aplicação do tal programa anti–spam. Por este caminho, se me permitem dizer, certas amizades acabam por se tornar “via de mão única”, certo? Eu acolho comunicações de atualizações de sites com o maior prazer, visito-os e, ser for o caso, faço algum comentário aos amigos que os enviam a mim. Muitos são testemunhas disto.

Por outro lado, os meus convites, que têm objetivo idêntico às comunicações que recebo, passam a ser rejeitados por um simples programa que é frio, e não tem cérebro nem coração. Felizmente têm sido poucos os casos, mas nem por isso menos importantes. Já houve quem não mais se comunicasse comigo simplesmente porque coloquei o problema educadamente, porém a repercussão acabou sendo negativa!

É quando eu digo: afinal, amizade tem que ser sempre uma “via de mão dupla”. Não existe outra possibilidade. Eu entendo que amigos antigos, que tanto me prestigiaram quando eu começava a escrever em vários sites, há uns 5 anos, depois tenham se afastado, ou escrevam cada vez menos. Outros me dizem que com eles isto também acontece. Felizmente em contra partida novos leitores amigos vão chegando e ficando.

Entendo também se alguém, por qualquer motivo que seja, decide pedir que não lhe envie mais os meus convites. Isto, em cinco anos na internet, me aconteceu apenas duas vezes. Mas todos têm o direito, sim, de não quererem mais ser incomodados com aquelas minhas comunicações. Aceito que o façam, mas diretamente a mim, com lealdade, com sinceridade, com honestidade. Tudo bem. No convite eu o admito.

Agora, recusado por um provedor que, injustamente, sentencia minha comunicação de spam... desculpem, isso me tira do sério. O mais sério é quando, ao avisar alguém do que ocorreu, ele ou ela me diz que não tem o tal programa e que a iniciativa pode ter sido do provedor de forma alheia à sua vontade. E aí?! Também já aconteceu.

Não desprezo esta hipótese até porque já ocorreu de ter minhas mensagens retornadas, mensagens comuns, durante algum tempo, e depois tomei conhecimento que o provedor da amiga não tinha explicações convincentes para lhe dar. Seria “incompatibilidade” com o meu?! Sei que é absurdo, mas... O fato é que minha amiga acabou tendo que usar outro provedor para se comunicar comigo. Pode isso?

Em outra oportunidade voltarei a este assunto de relacionamentos entre internautas e provedores e vice–versa. E lembro que esses tais programas anti–spam podem acabar se transformando em programas “anti–amigos”. Cuidado e atenção, por favor. Dizem que quem avisa, amigo é.


Leia, ainda nesta edição: SUPER-8: Lona Suja



(06 de agosto/2004)
CooJornal no 380


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br