20/08/2004
Ano 8 - Número 382

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

A INTERNET À DERIVA?!

Já escrevi alguns textos de crítica ao que podemos considerar uma espécie de “lado podre” deste espaço virtual. São spams de toda natureza, a maioria não tendo nada a ver conosco, mensagens de baixo nível, vírus em profusão, etc. Todos que circulamos por essa internet estamos sujeitos a isso e muito mais.

Hoje quero lhes contar que há alguns dias recebi uma mensagem na qual era feita propagando turística sobre um lindo país, a Austrália. Até aí nada demais, era até um spam que não me incomodaria. Ocorre que no lugar do remetente (from) figurava justamente o meu endereço de e-mail, assim como no do destinatário, claro.

Tratei de encaminhar o assunto ao meu provedor, o Terra, e pedi explicações a eles sobre como aquilo podia acontecer. Uns três dias depois recebi a resposta que, nos primeiros parágrafos diz exatamente isto:

“Prezado Francisco, Agradecemos seu contato e o Terra não divulga/comercializa o endereço eletrônico de seus assinantes, atualmente, existem softwares que através de variações de caracteres, criam listas com milhares de endereços eletrônicos.

Por exemplo, existe um software em que você inicialmente informa o número total de caracteres dos e-mail's que você quer enviar. Após isso, ele começa a variação dos caracteres: aaa@provedor.com.br (onde provedor, pode ser qualquer provedor do mundo), aab@provedor.com.br, aac@provedor.com.br e assim por diante, milhares de vezes.

Esses e-mails enviados usam um endereço Fictício no campo "Para" e os endereços reais nos campos “Com Cópia” e “Cópia Oculta”, confundindo os usuários.

O Terra tem uma política quanto a esse tipo de procedimento (chamado de SPAM): identificação e punição do remetente dos e-mail’s. Para que possamos identifica-lo, suas denúncias devem ser encaminhadas ao Abuse Terra (abuse@terra.com.br), juntamente com o cabeçalho de um desses e-mails recebidos.”


As informações enviadas a mim pelo Terra não são confidenciais, não contêm nenhum tipo de sigilo, posto que isto deve ser dito a todos os clientes que tenham sido atingidos como eu. São instruções de ordem geral, claro. Também é verdade que o meu provedor jamais divulgaria ou comercializaria endereços eletrônicos de seus clientes, é óbvio. Isto jamais me passou pela cabeça.

O que me assusta é a informação de como podem, pessoas provavelmente inescrupulosas, usar qualquer endereço de e-mail, um “modus operandi” bem explicado nos três primeiros parágrafos da mensagem acima. Chega a ser mesmo assustador. Nós que escrevemos para vários sites literários, que estamos mais expostos neste espaço virtual, seremos permanentemente alvos dessa gente.

Segui as instruções do provedor: abri o cabeçalho da mensagem que eu recebera e remeti os dados para o endereço do “Abuse Terra”. Dias após veio o esclarecimento de que eles nada tinham a ver com aquilo (o que eu já sabia) e apresentaram sugestão de eu me dirigir a um endereço contido nos dados do cabeçalho.

Ora, por experiência de outros amigos e minha própria, entendi que iria tomar muito do meu tempo, me aborrecer, e no final das contas se alguma providência houvesse ficaria aquém de tanta expectativa. Parei e deixei o assunto de lado. A grande verdade é que estamos indefesos e, ao que parece, na internet, essa coisa de spam cresce, aperfeiçoa métodos, copia e usa endereços eletrônicos como melhor lhes convém, quase podendo ser comparado ao tal “crime organizado”, em outro nível, lógico.

Se você não dá importância a este assunto dou-lhe um conselho: pare e pense, amigo, ou amiga. Eu recebi uma “inocente” propaganda de turismo, mas se mentes doentias resolverem usar da mesma sistemática, acima explicada, para enviar mensagens agressivas, ofensivas, etc, para outras pessoas ou autoridades?! Usando como remetente o endereço eletrônico de quem eles resolvam eleger para tanto?... Até o seu!

Pelas excelentes explicações do meu provedor, o Terra, está dito: “atualmente, existem softwares que através de variações de caracteres, criam listas com milhares de endereços eletrônicos.” Os endereços são caçados e extraídos aqui, na internet mesmo. Já me haviam dito que existe uma espécie de “comércio” de endereços eletrônicos, e agora vemos que podem ser usados tanto para destinatários de spams, como, de repente, para figurarem na posição de... remetentes!!

Entre tantas e verdadeiros ilegalidades que vêm sendo cometidas, incluo os plágios de poesias, cujos autores nem sempre conseguem se defender e corrigir o delito, mesmo possuindo o registro de seus trabalhos no órgão competente. Já acompanhei casos nesta internet, não faz muito tempo, que levaram algumas pessoas até a desistirem de continuar divulgando seus trabalhos neste espaço virtual. Uma lástima, um mar de lama que aos poucos se vai desenhando e afogando alguns.

Me entristece ver que isso já não é novidade há algum tempo, que tem atingido a muita gente, mas ouço poucas vozes vociferarem, bradarem, denunciarem esta avalanche de atitudes ilegais. Acomodação de alguns que pode custar muito caro para todos. Nunca pense que você não será atingido, cuidado, muita atenção, por favor. Afinal somos todos alvos em potencial. Estamos no mesmo barco, digamos assim.

No caso dos plágios, alguns se omitiram e até aconselharam aos lesados a “deixarem para lá”. Fizeram de conta que não sabiam que os verdadeiros autores de vários poemas foram desrespeitados pelos seus plagiadores, ou copiadores. Atitude deplorável que deve ser condenada.

Pela omissão ou acomodação só contribuiremos para que a internet fique mesmo à deriva e dias piores se anunciem. Quem viver verá.



(20 de agosto/2004)
CooJornal no 382


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br