23/10/2004
Ano 8 - Número 391

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

A ARROGÂNCIA EXPLOSIVA

 

Hoje, talvez mais do que nunca, o mundo está sentado sobre uma arrogância explosiva. Arrogância que ameaça se perpetuar o que pode ser uma catástrofe para a nossa humanidade. Arrogância que abriga autoritarismo, intolerância, desamor, belicismo, mentiras, corrupção, etc.

Arrogância armada para além dos dentes, que menospreza leis internacionais, que despreza a auto determinação dos povos, que ridiculariza determinações do órgão, outrora mais importante e respeitado do mundo, criado logo após a Segunda Grande Guerra Mundial justamente com o objetivo de ampliar o diálogo entre as nações e preservar a paz. Aliás, paz que não tem conseguido se impor às ambições das guerras.

Hoje não resta dúvida, porque está mais do que evidente, que Bin Laden não está em “local ignorado”, embora muitos ainda acreditem nisto. Ele poderia já ter sido preso, é o que dizem várias fontes. Entretanto, isso não interessa a quem corre atrás de recuperar ou tentar manter uma credibilidade que já não garante mais unanimidade. Nunca houve interesse em antecipar um fato que pode ser melhor usado às vésperas de uma eleição que se anuncia complicada. Duvidam?

O que afirmo não é fruto da minha imaginação, não se trata de invencionice, pois não sou dado à ela, pelo contrário. É só lembrar que quando elegeram o Bin para o patamar dos seus inimigos visavam apenas a criar o clima que justificasse aquele massacre ao Afeganistão. E assim foi feito. Era a “vingança” do 11/setembro, embora 9 dos terroristas suicidas fossem naturais da Arábia Saudita. Essa, uma amiga e aliada de muitos anos e de outras guerras, e terra natal de... Bin Laden.

Varreram todas as cavernas possíveis, bombardearam cada palmo do solo afegão, foram auxiliados inclusive pelo Serviço de Inteligência do governo do ditador do Paquistão (aliado dos bons) e por um verdadeiro exército de brancaleone, misto de traficantes, terroristas frustrados e mercenários da região. E não encontraram o Bin?! E nem sabem, até hoje, onde ele se encontra?! E muita gente acredita nisso... Oh!!

Os antigos e duradouros “Laços de Família”, descritos com detalhes por Frei Beto em artigo no jornal “O Estado de S. Paulo”, em 31.10.2001, assim como o livro “A Fortunate Son: George W. Bush and the Making of an American President”, de Steve Hatfield, não deixam dúvida de que uma mão pode sim lavar a outra.

Se não, por que os familiares de Bin teriam sido os únicos beneficiados, no fatídico dia 11.09.2001, com uma ordem para poderem deixar o país onde viviam, os EUA, justo no dia dos atentados e quando todos os aeroportos estavam fechados, e ele, o Bin, era acusado de ser o mentor de tudo? Não sou eu quem o afirma, só repito o que li no noticiário internacional, inclusive num artigo da professora e escritora Eva Paulino Bueno, residente nos EUA, divulgado em agosto deste ano.

A certa altura ela dise: “Enquanto todos – todos! — estavam impedidos de chegar ao seu destino, continuar suas viagens, a exceção foi feita, por ordem de “Debiú,” exatamente para gente relacionada com quem havia ordenado a execução do plano que custou a vida de milhares de pessoas inocentes em Nova Iorque, Washington, e Pensilvânia.” É, no mínimo, muito, muito estranho.

Afinal, de repente o Bin foi largado de lado, lembram? Saíram a apregoar pelo mundo afora uma suposta ligação entre o governo do sanguinário ditador Saddam Hussein e o grupo terrorista da Al Qaeda, para justificar a invasão do Iraque, “verdade” em que nem eles acreditavam. Isto ficou comprovado, há alguns meses, por uma investigação independente, realizada nos próprios EUA, e novamente divulgada agora. Leiam, por favor, o que retirei, há cerca de cinco meses (16.06.04, JB e outros) do noticiário internacional e guardei:

“NOVA YORK - O presidente dos EUA, George W. Bush, deve desculpar-se publicamente perante os cidadãos americanos por tê-los feito acreditar em um vínculo entre o Iraque e os atentados de 11 de setembro de 2001, afirmou o jornal 'The New York Times'.”

Em editorial, o jornal lembrou as conclusões da comissão independente que investigou os atentados de que nunca houve provas de uma relação entre o regime de Saddam Hussein e aquela rede terrorista. E disse mais: – “Apresentam-se duas opções desagradáveis: ou o senhor Bush sabia que não estava dizendo a verdade ou tem uma capacidade de enganar a si próprio por motivos políticos que é temerária no mundo posterior ao 11 de setembro", concluiu o NYT naquela edição.

Bush criou um conflito entre oriente e ocidente, atiçando ainda mais o terror. Fez ressurgirem grupos que há muito tempo sonhavam com o poder. Hoje, a arrogância explosiva já perdeu muito daquela mítica de deus da verdade e do anti-terrorismo perante o mundo. Até dentro de seu terreno muitas vozes criaram coragem e não mais estão se “deixando levar”. Vide o Editorial do “The New York Times” de 17.10.04.

Pois é aí que entra o trunfo que deve estar sendo muito bem vigiado, guardado, e que poderá salvar sua pele na reta final do julgamento popular americano, caso necessite. Lembram dele? Trata-se justamente do Bin, o Laden... pois é.

Não sei se a cabeça surgiria numa bandeja, porém é difícil acreditar que o trunfo de última hora, se usado, surja caminhando tranqüilamente. Um arquivo vivo desses torna-se um risco muito grande, mesmo que preso, mas com a voz liberta. Há quem afirme, convictamente, que o Bin está sendo, de há muito, reservado para uma, digamos, “emergência eleitoral”. Se é verdade, não sei, porém não inventei isso.

Veja como a fonte em questão o disse, com uma convicção absoluta, a um jornal europeu: “Bin Laden será apanhado quando os americanos quiserem”.

Se você não acredita, aguarde mais um pouco. Quem afirma isso, e também porque o afirma, parece, por seu histórico profissional, ter autoridade para fazê-lo. Até lá.
 

 
(23 de outubro/2004)
CooJornal no 391


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br